segunda-feira, fevereiro 05, 2018

MORALIZAÇÃO... (2)

( continuemos... )

Todas as tentativas de desestabilização deste governo de Esquerda, uma anomalia no universo conservador da U.E., esgotados os argumentos racionais e políticos, viraram - se para os casos, esses já numa nova frente onde a Justiça impera e lidera quase impunemente.

Com os MEDIA desconsolados com os fracassos reiterados no empanar da geringonça, o Ministério Público, uma estrutura de elite, braço armado da Justiça lusa, quase inalterado no conservadorismo corporativo malgré a queda do fascismo em Portugal surge, por coincidência, dizem - nos, a encetar uma caça à bruxas sob a bandeira da anti - corrupção, dando à luz, exactamente agora, quando se esvaem as possibilidades de um retorno, através da possibilidade de uma coligação com a nova liderança do PSD de Rui Rio, ao Bloco Central um assalto judiciário aos podres da Pátria.

Mudar, no tempo que corre deste governo, de Esquerda, as percepções do país, lá fora e cá dentro, é todo ele uma agenda política que a falta aparente de uma ligação estruturada, entre o caso de Tancos ( falta de segurança interna ), os incêndios de Julho, controlados física e políticamente, e os de Outubro, concertados e... mortais,  ( um país mal governado que não sabe tomar conta dos seus cidadãos ), uma avalanche vertical de casos investigados de corrupção, de cima abaixo do tecido social do país, onde avultam as SAD do futebol e a própria Justiça, na figura de procuradores e juízes desembargadores, secretários de Estado, e... cereja em cima do bolo - o ministro das Finanças, hoje presidente do Eurogrupo, teve uma visita do Ministério Público por ter solicitado bilhetes para ir ver uma partida de futebol de que é fã confesso, ( um país corrupto e que não merecerá a confiança das Instituições internacionais ), fez por desmerecer o sentido políticamente dirigido de coincidências.

PORÉM...,
 A eventual substituição da actual Procuradora - Geral, adulada e apoiada pelos magistrados públicos, em fim de mandato, e que o Governo em pleno uso das suas prerrogativas parece não querer manter à frente do cargo e um eventual ajuste tardio de contas com o PS que já vem do tempo do ex-Primeiro Ministro socialista, José Sócrates, seguida por uma eficácia investigadora a que nem a perene falta de meios humanos e técnicos reclamadas em décadas de reivindicações pela polícia e pelos magistrados assoberbados de processos, tudo isso não passa de uma coincidência, a que só uma singularidade deu o empurrão - o GOVERNO DE ESQUERDA a cumprir, com eficácia e louvor um programa de Esquerda q.b. e que pretende continuar no mesmo rumo.

Confesso que não me comove este despertar súbito da sanha moralizadora de  mudanças do país a partir da Justiça. Para isso estão lá o Governo legítimo da República e a Assembleia da República. Qualquer mudança estrutural e não calvinista deverão ter aí, com o apoio eleitoral, a sua origem.
A César o que é de César.


domingo, fevereiro 04, 2018

MORALIZAÇÃO...

...JUSTICIALISMO ou...

...COINCIDÊNCIAS?

A tentação é grande entre os órgãos de soberania em impôr - se uns aos outros; umas vezes com subtileza e decoro, outras vezes com desplante e sobrevalorização das prerrogativas e outras com cinismo e má - fé.
Impossível separar o elemento ideológico das tensões que por vezes se estabelecem quando a harmonização dos poderes é descartada em nome de interesses que as opções ideológicas podem, em certas circunstâncias, extremar.

Portugal está a atravessar a esse nível uma fase nítidamente, não já pressentida mas real de uma confrontação " surda " porque, embora declarada pelo Ministério Público através dos seus organismos de classe, segue por caminhos não tão óbvios.
A razão da guerrilha tem tudo a ver com o quadro político vigente em Portugal - um governo do P.Socialista associado ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda, formações anti - capitalistas, ou se preferirem, contra o neo - liberalismo financeiro e político surgido em força após a crise de 2008.

Falta acrescentar que as esperanças no fracasso dessa solução governativa não foram atendidas pelo Diabo ( a UE, presume - se... ) invocado pelo ex - lider da Direita, Passos Coelho, com o acrescento da aprovação das agências de rating e dos órgão máximos da União Europeia, face ao extraordinário resultado das políticas sociais, económicas e financeiras alcançados em dois anos de governação em relativa paz social.

Ao breve flirt, que o estado de graça do Governo alimentado pelas circunstâncias, lhe foi feito pelos MEDIA, propriedades da Direita empreendedora, seguiu - se a retaliação, não já com contra-argumentos políticos económicos ou financeiros, esmagados pela realidade inequívoca dos números, debitados diáriamente, então, em todos os títulos da Imprensa pelos especialistas, mas com casos, tretas e inconsequências formalistas. Não resultou, Portugal continuava a ser bem visto lá fora e tornou - se um must internacional procurado por um mundo sedento de paz social e... retempero, físico, emocional, lazer e... negócios.

 Aconteceu, então, uma das piores épocas de incêndios em Portugal e, pela primeira vez, com muitos mortos à mistura. Uma coincidência, dizem - nos, que alimentou até hoje as páginas dos jornais e aberturas televisivas, até à náusea revoltante do aproveitamento político da Direita das debilidades então constatadas e que duravam dezenas e dezenas de anos e que, hélas, foram descobertas pelo desatento país.

( continuarei... )

quarta-feira, janeiro 31, 2018

O ESTADO DA UNIÃO

A PALAVRA E O ACTO

TRUMP não terá escrito este discurso " conciliatório " que, a não ser pela permanência de Guantánamo, poderia ter sido verbalizado por qualquer outro presidente republicano que não ele.
O apelo ao melhor dos americanos foca - se essencialmente na captura da sua capacidade empreendedora - cada um por si - e no seu individualismo, liberto de considerações subsidiárias de alcance social.

Ao isolamento que a crença na exploração nacional dos recursos naturais inesgotáveis do país acarinha, cola - se a retórica do desequilíbrio comercial com a Europa e com a China, hoje rivais imbatíveis no contexto das nações, enquanto lança um manto de silêncio sobre a Rússia.

Face ao rearranjo das alianças estratégicas da Rússia no Oriente - Médio, Trump acredita na utopia de conciliar o REINO com Israel, desprezando o contributo vital da Turquia na NATO, que farto de esperar pela UE, amiga - se com Putin e ... aniquila o DAESH, uma lança sunita contra o IRÃO e os xiitas do Iraque, financiado pela Arábia Saudita.

Entretanto, enquanto o mundo pós-trumpista se organiza, face à deserção, Trump brinca aos cowboys com KIM e, felizmente, sem o querer e sem dar por isso levará à paz entre os coreanos e o apoio decisivo da China pelo reforço militar e económico daquela zona do Pacífico a que pouco faltará a adesão do único aliado de peso dos USA na região, o Japão.

Voltando ao Estado da União, dividida entre os urbanos e os rednecks, as Corporações e a ausência de representações do mundo do trabalho, entre os progressistas e os reaccionários, uma proeza de monta caucionada pelo actual presidente, que pura e simplesmente leu o discurso conciliador, tácticamente elaborado por quem ainda tem esperança de conter a prodigalidade néscia do seu patrão.

A União não está bem e não se recomenda.

terça-feira, janeiro 30, 2018

FRENESIM POLICIAL

PORTUGAL...,

... Um país de corruptores e corruptíveis?

Um olhar sobre o panorama judicial luso da última década põe - nos em contacto com uma enxurrada de casos policiais em investigação, envolvendo crimes de colarinho branco, nomeadamente tráfico de influências, peculato, corrupção política, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias.

Dir - se - ia que a Polícia Judiciária, finalmente, se encontrou com rédea livre para desmontar as teias do compadrio e promiscuidade entre as classes mais abastadas do país ou, então que, finalmente, já possui meios e competência, resguardados por apoio nunca enjeitado pela actual Procuradora Geral da República, Marques Vidal, para sair à caça.

Hoje tivemos a notícia de uma investigação a vários juízes e a um juíz - desembargador sobre acusações gravíssimas de corrupção quando ainda fresco está o julgamento de um procurador acusado, também ele, de corrupção passiva.

Esta " limpeza " judiciária pendurou - se sobre os ombros dos MEDIA e com a cumplicidade de uma nova raça de bufos e do povo sedento de sangue dos grandes, ameaça tudo o que estiver ao alcance de uma denúncia anónima.
Corre - se o perigo do emporcalhamento público de inocentes, cujas vidas poderão ser mudadas de uma maneira dramática.

Para isso estarão os tribunais, dir - se - á, enquanto os MEDIA se encarregam do julgamento público. Judicialismo com populismo será uma combinação venenosa e anti - democrática pela obliteração da presunção de inocência e pela mistura de alhos com bugalhos ao sabor de um sopro.

Não será, seguramente, o tipo de Justiça que os cidadãos democratas iriam desejar no seu país.

quinta-feira, janeiro 25, 2018

BRASIL...

... UM CASO SÉRIO

                                                     
                                                                   LULA DA SILVA

O ex - presidente do Brasil, condenado por crimes de corrupção, dos quais sempre se declarou inocente, desafia o sistema jurídico/político do seu país, apresentando - se como candidato, nomeado pelo Partido dos Trabalhadores, às próximas eleições presidenciais.

Num país fortemente cindido políticamente e quando as sondagens o apresenta como possível vencedor das eleições, a situação, em caso de bloqueamento da sua apresentação legível de candidatura, será de difícil controlo social.

Se, entretanto, vencido jurídicamente e ausente dos boletins de voto, a sua anulação maciça com o nome do seu candidato, o P.T. criará uma singularidade única nas Democracias modernas - " eleger " um presidente detido.

E DEPOIS?

terça-feira, janeiro 23, 2018

A CORRUPÇÃO DO PODER OU...

... O PODER DA CORRUPÇÃO

                                                                 
                                                                       TSIPRAS

PENSAMENTO E ACTO

O Poder corrompe, diz um aforismo popular. Corrompe o quê? A acção ou o sujeito? O pensamento ou o acto consequente? É - se pelo que se pensa ou pelo que se faz?
O pensamento não - expresso não se consequencia, a acção, sempre.
O acto, como representação do pensamento expresso ou " clandestino ", se o contraria é um acto falhado? Ou um acto necessário? E o que é um acto necessário em Política? Serão os justificados pelos fins, críveis como virtuosos?
Onde estará, por fim, a virtude na Política? No domínio da relação causa/efeito face ao escrutínio dos seus predicados pelos predicativos?
´
Tsipras diz - nos que a estabilidade grega face aos seus vizinhos é exemplar. Os gregos que o apoiam temem tanto pragmatismo e contorcionismo face à ideologia que professam e sobre a qual esperam mais consistência programática.

CR 7


" Não gosto que me ponham num canto. Se for preciso, saio de lá ao pontapé " - Jorge Sampaio, ex- presidente da República portuguesa


FTV


Face à exposição assediante, sexualmente assediante da Moda, que futuro para a FTV e congéneres?
Talvez....

ISTO?

domingo, janeiro 14, 2018

ELEIÇÕES NO P.S.D.


RRRRR...!...                                                . . .RUI RIO

Santana Lopes não quis " pôr ( ninguém ) na ordem ". Rui Rio prometeu fazer isso. Para liderar nada como alguém que o quer fazer e para isso será preciso manter na ordem os rebeldes. Assim o pensaram os militantes que elegeram R.R. para a liderança do Partido Social Democrata.

Rio chega com uma imagem de rigor, seriedade intelectual e técnica e equilíbrio ideológico. O mesmo que, perante o quadro político vigente e as projecções das sondagens, favoráveis ao governo socialista, o fez ter uma atitude realista na estratégia de demolição da " geringonça ", com uma aproximação estratégica ao P.S.
A realidade de hoje fê - lo perceber e não ao Santana, que difícilmente o P.S. deixará o poder durante os próximos anos, dadas as manifestações de apoio dos eleitores.

A Oposição, com Rio, tentará, primeiro, tirar as " peneiras " ao líder do C.D.S., Assunção Cristas que, entusiasmada com os resultados obtidos em Lisboa, onde encabeçou as listas nas eleições autárquicas últimas, tem verbalizado uma ambição legítima de crescer à custa do antigo parceiro PSD. Depois, minar a relação do P.S. com os parceiros " esquerdistas " que o apoiam na solução governativa em vigor e acarinhar com o seu apoio uma aproximação ao centro apoiando explícitamente o que considerará do " interesse nacional ".

O diabo estará nos detalhes que marcam a diferença entre governar à Esquerda ou à Direita. A liderança do P.S. de hoje quer e está a governar à Esquerda e promete manter este rumo que os resultados obtidos credibilizaram junto dos eleitores. A priorização encetada na redistribuição dos rendimentos e política de emprego, com equilíbrio orçamental e contenção com tendência a diminuir da dívida pública é um detalhe que difícilmente será ignorado pelo PSD de Rio. Um mas gigantesco, mau grado as boas relações pessoais entre os dois líderes.

Resta saber, por outro lado, que parte do programa do líder eleito teve o aval dos militantes e qual a parte do pensamento revelado de Santana Lopes que o levou à derrota. Uma curiosidade política que para o líder do governo socialista seria de preciosa utilidade.

quarta-feira, janeiro 10, 2018

OUI!

MA BELLE!




ALLONS!...

De HASS, feminista militante e radical reage, como se não a tivesse compreendido, à proclamação de  Deneuve e de mulheres que não odeiam os homens, e, de esguelha, lê nessa tomada de posição, uma subalternidade masoq e solidariedade com a violência sexista.

Se quisesse ser mauzinho e... porco misógino, que é o que as lésbicas chamam aos homens que adoram as mulheres, diria que é sintomático que esse radicalismo feminista surja de mulheres que os homens não querem. E De Hass parece contemplar esse destino, que não a doce Deneuve.

FUNDAMENTALISMO PURITANO?

Gostei de saber que a Europa está a reagir a essa nova moda yanque. O que diz o Hebdo sobre isto?

Nada, absolutamente nada, tem os USA a ensinar à Europa. Tudo, mas absolutamente tudo tem os USA a aprender com a Europa. Fê - lo no passado e hoje, mais do que nunca terá de combater o seu insuperável provincianismo puritano e hipócrita, de maneira a nunca ter por representante pessoas como o seu actual presidente e mulheres abusadas a definir - lhe o uso da sua liberdade sexual.
Confundir violência sexual com a sedução e o cortejamento é não ter a subtileza cultural que a educação, a cultura que a literacia e o respeito humano acrescentam à relação civilizada DENTRO do espaço por nós habitado.

As modas, que recorrentemente disparam dos USA em globalização infame pelo mundo, pela imaturidade civilizacional que transportam não deveriam ser seguidas cegamente pela juventude mundial. Uma posição crítica e independente será sempre o melhor juíz da justeza, sem contrabando, do seu contributo civilizacional.
Teremos de ser, necessáriamente, melhores que eles.

terça-feira, janeiro 09, 2018

A FEMINIST TAKEOVER...


... and SAFO AS A WORLD LIDER?

Foi evidente, na cerimónia dos Globos de Ouro, a capitulação masculina, perante a apropriação simbolizada e levada à cena, da vontade da Eva sobre Adão, da Vénus sobre Marte, de Safo sobre Dionísio.
As fileiras feministas deixaram - se, alegremente, infiltrar - se pela LGBT, que viciou e tem torpedeado o compromisso humanista necessário a um novo tipo de relacionamento entre os sexos, sexos, digo bem e não géneros, nesta suja " guerra dos sexos " que mancha a nossa evolução.

A contrição expectante dos " senhores que restavam " naquele meio não reflecte, não reflectirá a narrativa que ainda decorre cá fora quanto ao extremar de posições e o " às armas " proclamadas pelas " abusadas " e , hoje não inclusivas, na soberania masculina.


O upgrade a que assistimos, desde que começaram as denúncias sobre o trogloditismo singular, vulgo assédio sexual, num mar de boa vizinhança que aos poucos ia demolindo séculos de circunstancialismos históricos que  moldaram o relacionamento pessoal e profissional a partir de uma posição de poder masculino, dizia, provém de uma minoria militante que elevou o nível da confrontação, justa, a meu ver, ao nível dos preconizados pelo machismo, ajudando a que deste campo venha à luz do dia o contrapeso ao ataque.

A cerimónia, marcada por uma catarse circunscrita ao meio que a despoletou, juntou predadores contumazes, juanistas confessos, adúlteros e adúlteras que de braço dado com as vítimas e paravítimas, consagrou a Nova Ordem Sexual, retirando simbólicamente ao macho a iniciativa da corte sem correr o risco da ostracização por ASSÉDIO. Notável!


Um erro clamoroso, esse cometido pelos frágeis peitos das feministas inclusivas, as que não odeiam e que não querem ser vítimas mas sim protagonistas do seu destino, como qualquer sapiens adulto.
Os sucessos alcançados estavam a melhorar os seus companheiros e não a afastá - los. Seguir hoje as " fake swords " das LGBT fará regredir por mais uns tempos a normalização civilizada de todos os homens e mulheres deste planeta.
Se a luta continuar a ser pela liberdade será virtuosa e contará com a cumplicidade activa dos seus companheiros. Se for pelo Poder... será feia, muito feia.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

PORTUGAL/ANGOLA

INCOMPREENSÕES SOBERANAS E...

...MÁS DIPLOMACIAS

" Esta coisa de haver nações - irmãs dá sempre merda, já se falou disto atrás mas que se dê mais uma achega ao assunto " - OLIFAQUE - João Magueijo

Inaceitável, o que se prefigura como uma chantagem inadmissível da liderança de Angola sobre o sistema político português, ponto.
Vejamos...
Perante o quadro de acusações do Ministério Público português ao ex - vice presidente de Angola, Manuel Vicente, entre outros altos dirigentes angolanos, arguido num processo de corrupção de um procurador português pelo arquivamento da investigação de crimes atribuídos a Manuel Vicente e eventualmente aos casos que lhe coubessem investigar, a troco de vantagens materiais e ocupação de lugar de relevo em instituições onde o Estado angolano, em Portugal, geria, Angola brandiu, numa primeira fase a imunidade diplomática do seu , na altura vice - presidente e agora a transferência do processo à sua soberania.
Esta abertura, suavizaria, de algum modo, a intransigência do Ministério Público numa matéria exemplar que contempla um dos seus e da qual difícilmente cederia e abre espaço a uma diplomacia subterrânea onde os interesses de Portugal, na parceria económica que almeja fortificar em prol dos portugueses aí residentes como colaboradores  e das empresas exportadoras, seriam salvaguardados.

Não me espantaria que a Magistratura portuguesa, dominada pela Direita, no quadro dos interesses ideológicos em presença hoje em Portugal, tenha a tentação de complicar a vida do Partido Socialista no governo, numa intolerância superlativa à superação deste caso e projectar as consequências para a luta partidária. Daí ser uma obrigação do Ministro dos Negócios Estrangeiros, da Justiça e do governo em geral e o que resta da visão de Estado do PSD, a resolução temperada deste impasse, pelo que as declarações públicas enquanto funciona a diplomacia serão, de todo, contraproducentes.

Essa terá de ser a posição do Estado.
A minha..., não me perguntem.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

UM ABORRECIMENTO...


... A CONVERSA DE CAFÉ...

...Dos dois candidatos à liderança do PPD/PSD, Santana Lopes e Rui Rio.
As tertúlias universitárias, ainda no imaginário dos dois, marcaram, no tuteio e no bate - boca inconsequente a conversa, que de debate sobre o seu partido e o país não teve RIGOROSAMENTE NADA, a não ser um catálogo mimetizado dos tempos de Sá Carneiro - Emagrecer as gorduras do Estado - , lembram - se?

Zurzir no Estado fê -lo o anterior líder de má memória, Passos Coelho, com os resultados que se conhecem. Por mais que se tente, dentro do PPD/PSD, branquear as malfeitorias de cujos resultados, mormente nos sectores estratégicos da Administração Pública, alienados levianamente à gula e especulação privada sob o alibi de melhor gestão, uma fraude evidente, neste atrelamento tardio ao líder demissionário, que resultados esperarão na escolha inconsequente dum ou doutro para, num futuro que desejo tão longínquo como Plutão, governar o país?

segunda-feira, janeiro 01, 2018

IMPOTÊNCIA...

... FOI A NOTA DOMINANTE DO ANO 2017

Só o desmantelamento do DAESH, ainda em curso, trouxe uma positividade, que pelo reconhecimento, sem relativismos, do mal representado na doutrina fundamentalista dos sequazes pseudo - religiosos que se acoitavam naquela organização anti - vida, uniu, embora com distintas motivações, o planeta.

É isso - UMA CAUSA COMUM - na linha do apelo do secretário geral da ONU, Guterres, conseguirá, de reverberação a reverberação, aqui, ali, trazer a comunidade do humano à sua condição humanista, libertando -a da negatividade que lhe tem marcado o trajecto.

VIVA 2018! 

É na celebração da Vida, em toda a sua diversidade, que a nossa cumplicidade redentora com o planeta que tão generosamente nos acolhe, nos salvará do CAOS. E tantas caras tem o monstro...

BOM - ANO!

sábado, dezembro 30, 2017

POR ONDE ANDÁVAMOS?...

AH!... OS " CASOS "...

Foi uma pausa imposta pelas netas em visita aos velhotes. Telejornais vistos de esguelha, debates e comentários ouvidos em intermitência, quando não televisões e jornais em black - out totais.

Comecemos pela CATALÓNIA

Já toda a gente sabe dos resultados das eleições impostas pelo governo espanhol como toda a gente sabe que, no mínimo, elas foram marcadas por uma singularidade - a eleição de deputados e do putativo e previsível chefe do governo da Generalitat que neste momento se encontram encarcerados ou exilados por Rajoy, primeiro - ministro espanhol.

Uma maioria regimental absoluta dos independentistas opôr - se - á à vitória partidária dos Cyudadanos, pelo que nada mudou, minto, se definiu, com democracia e outra vez, o querer da maioria dos cidadãos catalães.
Um berbicacho político que só pela Política se poderá resolver. Felizmente, ou infelizmente, pela perspectiva do poder instalado - o Estado - é assim que, em DEMOCRACIA, se devem resolver as COISAS.

Acontece que o Pensamento Único que a liderança da Direita na U.E., hoje acarinha e tentou impôr através da T.I.N.A. aos países não cumpridores, pouco se preocupa com as subtilezas, ontem essências, que definiam a Democracia europeia, se as Finanças e as Bancas Nacionais estiverem em ordem, o que é o mesmo que dizer, se continuam a verificar - se as condições de enriquecimento para as minorias elitistas. Basta acompanhar os processos políticos de alguns países da U.E., nomeadamente dos ex - satélites da URSS e da Aústria, por exemplo, a braços com uma deriva populista e xenófoba que não tiram o sono à Alemanha e à França, apesar das ameaças entre - portas que as últimas eleições nesses países testemunharam.
Não admira, portanto, que, em relação ao abano anti - burrocrático que se desenha em Catalónia e ao desplante português na demolição dos pressupostos tinescos, ainda estejam às aranhas na reformatação do conceito DEMOCRACIA.

D'A FUFICE, sejamos neutros, foçanguice, ANTI - ASSÉDIO

Um exercício mental

Insisto no tema, dado o aberrante interpretativo que, OH CÉUS!!!, os estados - unidenses acabaram de descobrir que fazia parte do nosso património natural. Para o caso, do mais poderoso élan vital, chamemos - lhe assim numa abordagem redutora, da Natureza, sem o qual nem as rosas justificariam a sua condição.
Falo da sexualidade e do lugar que ocupa, nas suas infinitas variações, e como é experenciada pela diversidade das espécies e, para o caso em apreço, do humano.
Não me lembro, assinalado pela História, de algum conflito sério entre nações ou global, exceptuando a destruição de Tróia e do stress de Lesbos, de Salomé, em que ela esteja na base de qualquer mortandade homicida ( não desdenho o seu contributo no imaginário islamita contra a " libertinagem ocidental "... , hoje apelidado grotescamente de guerra de civilizações, em que ela não esteja, subterrânea, denunciada, bem lá no fundo das motivações recalcadas e sublimadas, presente, transparente, como catalizadora, inocente, pois claro, no despoletar das... tensões.
Pelo que..., permito - me generalizar ( não sou biólogo nem psiquiatra ) a todas as espécies viventes e a todas as raças humanas essa provação, esse imperativo, inserta nos seus genes.

No humano, o instinto é o que emerge no e do pensamento estruturado e da acumulação das vivências que, de elaboração em laboração definiu, dessa e nessa capacidade, única mas não exclusiva, o que nós poderemos ser. O seu controlo obriga a uma ordem auto - imposta e, no limite, imposta de fora pelos outros, pela Lei, pelo Estado, que a civilidade humanista que não urbi et orbi, contempla, e vai contemplando como um objectivo, utópico, passível de atingir, pela domesticação social. Daí a diferença, as discrepâncias e as variações das abordagens contextuais sobre o mais poderoso instinto da Natureza - o sexual - . A própria sobrevivência das espécies dele depende, ponto final.
A baboseira interpretativa contemporânea sobre a sua soberania tem tudo a ver com a boçalidade da (r)evolução(?) e da desordem sapiana que o nosso trajecto natural de domínio  socialmente demente, insiste em impôr.
Poucas espécies naturais se poderão gabar desta anormalidade anti - natural que entre nós, evidentemente, se tornou numa ... aberração, com as consequências à vista, no discurso e na pose.

DA UNIÃO NACIONAL, ( reloaded as a wishful thinking... ) desejado pelo populista presidente da República Portuguesa, Marcelo Cae..., perdão, Rebelo de Sousa, falaremos em tempo oportuno.

terça-feira, dezembro 19, 2017

CONTINUEMOS, POIS...

RARÍSSIMAS

Nunca dou por adquirido o que leio, ouço ou vejo na Comunicação Social a não ser numa perspectiva fenomenológica. Nunca faço julgamentos definitivos sobre o que considero importante, tendo sempre presente que o meu olhar e entendimento sobre as pessoas e as coisas são resultados de uma vivência, que embora partilhada com os meus semelhantes serão sempre unipessoais.
Penso que o cinismo generalizado da espécie resulta dessa presunção " de quem já viu tudo ", pelo que, tanto de uma perspectiva penitencial como inquisitorial, os ataques, ad hominem, ao sabor da boataria, me arrepiam.

Feito já o contraditório por quem se sentiu atacado por este caso, nomeadamente a presidente Paula Brito e Costa, entretanto auto - demissionária, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), padre Lino Maia, o, na época, presidente da Assembleia Geral das Raríssima, HOJE, Ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, e conhecidos os factos, os contextos, a cronologia e as explicações havidas, reitero a minha primeira impressão aqui dada - Um ajuste de contas - feito de boas intenções, mas falsas na sua fundamentação e alcance contra os alvos pretendidos e, por inerência, o mau funcionamento do Estado.

Sem nada de substancial a agarrar, já que o arrivismo deslumbrado é, não só condição de sucesso na política como a Burocracia, pelas costas largas, alberga todo o funcionamento do Estado actual como os do passado, a Oposição atirou - se a uma presa mais apetecível - o actual ministro do sector, Vieira da Silva na urdidura de uma relação causal e cúmplice de ... gestão danosa (!!!???).

Portugal transformar - se - ia num país de inspectores de polícia do cidadão para poder dar resposta às solicitações, não só da bufaria retaliatória, em tempo mediático, que as carradas de denúncias e queixas e queixinhas de virtuosos cristãos indignados veiculam.
Impossível à Burocracia desfazer esta teia pidesca sem fazer, também, de cada um de nós, um BUFO.

Antes de lançar o anátema pessoal seria preferível a crítica política e isso e sobre isso, seria preciso fazer um tratado etnológico que ninguém se atreve, sob o risco de ostracização social,  sobre o país que somos, sobre a tão cantada simpatia dos seus naturais. Cairia muito mal a queda do mito.
É que, dos famigerados tempos salazaristas, até hoje, a matriz comportamental lusa no que respeita ao malabarismo ético e moral continua a mesma. No fim de contas é da sua natureza.

Para mim, o arrivismo não é uma singularidade no universo humano, é - lhe a primeira natureza, faz parte da, como diria Husserl, intuição originária da espécie a qual se procura dar um sentido que depende inexorávelmente do nosso juízo, que, produto da consciência, só o pode ser sobre o existente. No caso, nada há de singular nesse fenómeno a não ser uma questão de grau e... sucesso.
Nesse processo, só uma perspectiva ética poderá desadjectivar a invectivação, a inveja e a maledicência serôdia.

Aparentemente, o clique iniciador do que se chama deslumbramento, que um sentimento de permissividade e ou impunidade, desperta, toca - nos a todos e só alguns, como eu, por exemplo, ( tinha de dizê - lo, a minha snobeira... ), continuam surdos ao seu chamamento. Aos outros, a naturalidade e presteza na compreensão do fenómeno atesta a sua quase universalidade.

Posto isto, o que fica? Quase que... much ado about nothing, se não estivesse em discussão a descredibilização irresponsável de um importante sector da sociedade.

domingo, dezembro 17, 2017

EXPRESSOANDO...

NA MOUCHE

" No Governo não parece haver, entre dezenas e dezenas de assessores e especialistas em redes sociais, quem tenha uma vaga ideia daquilo a que se chama gestão de crise "- Ricardo Costa, Expresso


No aproveitamento rasteiro que a Oposição, nomeadamente A.Cristas do CDS, sem ideias, sem programa, esvaziada de tópicos políticos de confronto com a geringonça ( a não ser os fait - divers, que os Media titulam a conta - gotas em cada dia que passa, num mimetismo atroz e nauseante da configuração editorial do C.M. e da CMTV ), tem feito para contrariar as boas notícias da governação, o visado, nas entrelinhas do caso Raríssimas, um folhetim patético e maledicente, foi Vieira da Silva, o " técnica e políticamente mais sólido ministro do Governo ", ainda com R. Costa...

 Uma presa de monta, seria, na fragilização do governo, portanto.
Conhecido, através da entrevista que a fundadora de Raríssimas dá ao Expresso, os contornos deste caso, mais se me confirmam como um ajuste de contas, a que nem um eventual " deslumbramento " da visada com o seu sucesso pessoal se possa assacar um reparo consistente que mereça a demolição da magnífica instituição que criou.
Pelo que, políticamente será um tiro de pólvora seca que, infelizmente, terá uma vítima - Paula Brito e Costa.

IURD

Esteve lá tudo, estava lá tudo, está lá tudo, o que hoje se " descobre " em indignação, pasmo e repulsa, o que começou na mente dos seus fundadores numa garagem dos arredores - a exploração da crendice popular - através de uma máfia pseudo - religiosa a que só o desamparo volitivo, emocional, cultural e económico permitiram o aliciamento massivo.

O tráfico de crianças através e sobre um véu de ilegítimas e fraudulentas adopções com a cumplicidade de uma atroz negligência dos serviços do Estado e... dos tribunais, foi um upgrade das actividades da IURD em Portugal, e chega - nos ao conhecimento, com estrondo.

Impossível ao Estado, por mais que queira, atalhar na raiz e bloquear à nascença a emergência de malfeitorias sociais que o imaginário humano traz atrelado à sua condição, nomeadamente quando os seus contornos são propiciadores de miríficos chamamentos à salvação e redenção das aflições.
O controlo, através da legislação e a rapidez de resposta ao menor sinal de suspeita são, terão de ser dissuasores eficazes, também pelos sinais que enviam - Estamos atentos às vossas actividades - .
Porém, nada como o policiamento mediático e vai aqui uma vénia aos trabalhos daqueles, melhor, daquelas, que vão permitindo trazer, em trânsito e apesar de alguma malícia, associada à colagem de conotações partidárias e presunções inferidas e inseridas numa narrativa mimética de falsa objectividade, à luz os podres da sociedade e a venalidade a eles associados.

A IURD foi uma borbulha que inchou à luz da distracção e negligência e se tornou um tumor monstruoso. Reduzir a sua actividade, assim como as de organizações similares ao estrito âmbito de angariação de fiéis e caridade aplicada, terá de ser o dever de um Estado laico, como o de Portugal.
E... já vamos tarde...

( continuaremos... )

quarta-feira, dezembro 13, 2017

AS PALAVRAS IMPORTAM...

... E NA POLÍTICA, DECISIVAMENTE.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, confirmou, na entrevista dada ao Expresso, a justeza com que previ os danos mediáticos, que não substanciais, com que a geringonça teria de se haver na segunda fase da legislatura. 
As últimas eleições autárquicas assustaram, pelos resultados aquém das expectativas, quando não melindrosos, nomeadamente para o P.C.P., com perdas de Câmaras emblemáticas no imaginário pós 25 de Abril, os parceiros do P.Socialista no apoio ao governo por este liderado.

Não há volta a dar... Se o apoio de hoje, aceite e acarinhado pela Esquerda em geral, for, por razões tácticas, contrabandeado, pelo Bloco ou pelo PCP, a penalização eleitoral, então, nada terá a ver com a utilidade do voto agradecido ao Partido que nos livrou da Direita, da TINA de Passos e companhia.
Se nada garante, pelos resultados que este governo ainda continua a obter, que o agradecimento eleitoral continue a se reflectir num voto útil ao PS, em desfavor dos parceiros desta solução governativa, também nada obsta a que isso não aconteça.
Percebe - se, portanto, o dilema político do Bloco e do PCP. 

Não se percebeu foi, da agressividade insultuosa com que a projecção dos danos mediáticos sobre a geringonça, melhor, sobre o PS, inaugurada pela contundente entrevista da líder do Bloco de Esquerda, o sentido, a intenção. É que o contrabando, nomeadamente o político, deveria contemplar mais subtileza e... mais dissimulação estratégica.
Sendo assim, com as cartas na mesa, livre se sentirá o PS de, com mais finesse e mais calo, de reforçar os seus mais do que merecidos méritos quando e se os seus parceiros fizerem implodir a geringonça.
Bastará que continue a governar à esquerda como tem feito e... até ver, BEM.


sábado, dezembro 09, 2017

TRUMP?


Poderíamos presumir que seria ISSO...


Mas é apenas ISTO..., um capão pretensioso, megalómano, narcisista e perigoso pirómano. E só consegue grunhir alarvidades em monossílabos.

O mundo já é um lugar perigoso e cada vez mais... insólito e não precisávamos deste espécimen para atestar a nossa menoridade.
Por mim, podem interná - lo.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

O APRENDIZ DE FEITICEIRO ( 2 )


Mário Centeno

Dois anos se passaram desde que, por aqui, prefaciei a enorme dificuldade que o académico e burocrata do Banco de Portugal iria enfrentar, no plano político e como político, na demolição da T.I.N.A. e no enfrentamento previsível com as reivindicações dos partidos apoiantes da solução negociada de governo pelo Partido Socialista.

Aprendiz de feiticeiro que, em dois anos fez o mestrado e o doutoramento político, com distinção. Da sanha da Teodora, das reservas do Eurogrupo e das invocações diabólicas do ex - chefe do governo da Direita, Passos Coelho já não restam nada. Tanto é assim, que a Oposição baixou os braços e as vénias vieram de um lugar inesperado - o Eurogrupo - de que corre o risco de vir a liderar, num dos momentos que se pretende de mudança na ortodoxia da U.E.

Afinal, a T.I.N.A. obsoleta sempre foi uma " ideia perigosa ", como diria Mark Blyth, que só trouxe empobrecimento aos países que lhe sofreram os azeites

Veremos, se e quando for eleito, se o uso do doutoramento político desses dois anos de governação lhe tenham dado tarimba e crédito político, que o técnico já tem de sobra, para as difíceis negociações com os seus pares da U.E.

Por cá, essa possibilidade tem sido vista com um misto de orgulho e esperança por uma refundação conciliatória da política da U.E. com os seus cidadãos na qual Centeno teria uma palavra a dizer e o pessimismo da Esquerda dura em qualquer mudança qualitativa da função restritiva do Eurogrupo.

Por outro lado, apesar de se " respirar ambiente político de fim de festa ", como nota pelo absurdo, Daniel de Oliveira no Expresso, não creio que nada de substancial em relação à política económica e financeira do Governo português vá sofrer grandes abalos com a possível " ausência " do seu controlador - mor. Mais danos mediáticos do que a desconjugação dos interesses transpostos na geringonça farão as resistências do Bloco de Esquerda e do P.C.P em troca do reforço dos seus capitais políticos, paradoxalmente endossados ao Governo PS de que indirectamente fazem parte.
Até porque,ainda com D.Oliveira, não têm muita razão de queixa, pelo contrário, face ao " mais redistributivo Orçamento do Estado " de cuja memória tem ele e nós.

domingo, dezembro 03, 2017

D' OS MAIS VELHOS

ANGOLA E...

... PINTO DE ANDRADE

Maria Aparecida do Nascimento Dias da Universidade Estadual de Paraíba, num ensaio suscitado por uma crónica de Mia Couto sobre um olhar africano do passado e de hoje sobre " os mais velhos ", referencia - nos, com um provérbio africano do poeta maliano Amadou Hampaté - Bâ - Quando morre um africano idoso é como se se queimasse uma biblioteca - , um ponto de partida sobre a agonia inexorável das tradições, de todas as tradições.

Isso é o que nos deveria dizer a Tradição de uma África intemporal, num tempo em que o conhecimento passava de boca - em - boca em todos os estádios da evolução do Homem, até à descoberta da Imprensa como veículo de divulgação globalizada do saber.
Até então, no isolamento das comunidades do humano, o saber repousava na experiência e na experimentação do real transmitida de geração a geração aos vindouros, sedimentando a memória colectiva nos " mais velhos ", nos mais sábios, que muito viram, muito sentiram, muito se espantaram.
Esse papel de autoridade e prudência para com a volatibilidade do real humanizado foi, tem sido, devastado, naturalmente, pela rapidez exponencial da divulgação do saber(!!??), sem intermediação da sagesse dos observadores da História.

Veio - me à memória essa leitura do papel dos idosos ao ler a entrevista de Vicente Pinto de Andrade ao semanário angolano Vanguarda sobre os ventos de mudança que atravessam esse fabuloso país do futuro.
Pinto de Andrade, combatente anti - colonial a que acresce uma serenidade do vitorioso na justa luta que travou, é um professor e professou sabedoria.

Saibam os jovens angolanos estar atentos não só ao barulho da " borrasca " mas também às palavras e ensinamentos dos " mais velhos " e daí tirar lições para o futuro.
Pinto de Andrade esteve à altura do seu tempo e a sua fé na jovem geração angolana não merece desilusão.

quarta-feira, novembro 29, 2017

MAU MARIA!!!

O QUE É QUE SE PASSA NO GOVERNO?

Uma lamentável exercitação tem marcado o desempenho, não só comunicacional mas também político deste governo nos últimos meses. A coordenação dos ministérios já teve dias melhores e a descentralização, para os ministros, do anúncio das medidas sectoriais sem um  pólo unificador que o primeiro . ministro referenciava é, na minha opinião, a raiz da " bagunçada " que parece ter tomado conta da governação.

Eu sei que a necessidade de fazer frente à " anomalia " de ter um presidente da República como  "tradutor " independente dos planos e medidas governamentais, diáriamente e várias vezes durante o dia, não permite ao primeiro - Ministro igual loquacidade sem o que não teria tempo de governar, estudando os dossiers. Quero crer que vem daí a multiplicação dos porta - vozes do governo e uma autonomia que se está a revelar - se um erro político.

Pouco natural a " bagunça " que a avocação sobre uma proposta política e socialmente relevante e... justíssima, do Bloco de Esquerda, após negociações acordadas e levadas a cabo com sucesso junto dos socialistas sobre as rendas ilegítimas do sector das Energias e que tinha sido aprovado em plenário e agora chumbadas, provocou.

Percebe - se a linguagem do Estado na justificação do recuo imposto pelo primeiro - Ministro que não a da política, mormente a enquadrada pelos compromissos da geringonça.

É caso para perguntar se essas inabilidades agora estampadas farão parte de uma estratégia partidária de médio - prazo ou se são só... cansaço?

sexta-feira, novembro 24, 2017

BARBARISMO...

... E COBARDIA

O ataque homicida de um bando de sociopatas intitulado Estado Islâmico, no Egipto, mais não significa que o arfar de um moribundo, já fedendo, sobre a Vida.

Lamentável que o Islão e os seus representantes não tenham, até hoje, posto fim a esta seita que conspurca o seu credo.

quarta-feira, novembro 22, 2017

ANGOLA, um processo contínuo...

... QUE NÃO EM CONTINUIDADE



Sai José Eduardo dos Santos, o criador das bases do Estado angolano e...

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                                                                      João Lourenço

Uma nova etapa histórica do desenvolvimento da Democracia angolana configurou - se com a tomada de posse do novo presidente que no seu discurso de posse, então, traçou pistas sobre as reformas que, no seu entender o Estado necessitava, de modo a cumprir a Constituição juramentada.

Hoje, passados três meses, deu passos tangíveis, estratégicos, na desestruturação das chefias das principais instituições do Estado angolano, nomeadamente a Sonangol, a Ediama, a Televisão Pública, o Banco Nacional e as Forças Armadas, a par de um enfoque decisivo na descentralização do Estado através do reforço da sua componente autárquica.
Uma passada de marcha que não, como aparenta, um passo de gigante. E tão natural que, a par do apoio do povo, não embarcou ainda no infantilismo populista insensato de " ajuste de contas ". Até porque o actual presidente fez parte do passado, hoje em deploração.

Não se sabe o que se seguirá, já que não será fácil o relacionamento com a nomenclatura " eduardina " agora em deposição dos privilégios do poder; contudo, creio eu, desde que não acompanhada pela sede de justiça que uma certa burguesia reclama sobre as responsabilidades a assacar aos demitidos pela gestão danosa da coisa pública e uma nacionalização dos patrimónios adquiridos.
Diz Rui Malaquias na Vanguarda, que essa démarche teria o apoio do povo e eu diria que dilaceraria a paz relativa que o presidente necessita para levar por diante o seu projecto. Até porque não creio que a vingança esteja nos ses planos políticos.

Sobre José Eduardo dos Santos, os juízos históricos a serem feitos sobre a sua chefia do Estado angolano nunca poderiam caber à geração de hoje. A começar pela sua ignorância do que era a Angola colonial e atrevo - me, do seu país, hoje.

Estão criadas ou em vias de se criar, saibam os quadros angolanos aproveitar as aberturas proporcionadas pelo presidente Lourenço, condições para se fazer uma Angola outra, de Cabinda a Cunene, de Huambo a Moxico.
Esse terá de ser o rumo que o seu povo agradecerá. Não o da justiça popular.

segunda-feira, novembro 20, 2017

O ASSÉDIO...etc (2)

(continuando)...

No jogo da sedução, as regras cumprem - se e o reconhecimento do NÃO definitivo, também. Quem avançar para além desta linha vermelha arrisca - se, hoje, ao opróbrio público.
Contudo...

- Queres vir, querido?, solicita, não necessáriamente,a prostituição, a liberdade, a abalar a normalidade da norma, passe a redundância, remetendo o assédio a uma exterioridade outra em que a garantia do sim, por um preço, ou por uma vontade expressa, explicita o consentimento soberano do corpo. Nenhum sinal, que não seja a linguagem corporal, verbalizada ou não, e a topografia do reconhecimento do contexto obstam ao recolhimento das regras.

A confusão estabelece - se, em contrabando, nessa desordem, que a ambiguidade dos contextos criados unilateralmente na presunção de sucesso, circunstancia.
Por outro lado, nessa exposição sem regras a não ser as determinadas pelo consentimento, pela emulação pessoal, sobra espaço para o voluntarismo amoral, imoral ou pornográfico, uma libertinagem que se auto - justifica atrás de uma cândida figuração vitimizada que se pretende sem consequências e onde cabem todas as perversões que o individualismo libertário concede, mesmo que inseridas no esvaziamento e desestruturação do conceito.

Confundir a pedofilia e a violação autorizada ou não, com o marialvismo, com o juanismo militante é uma aldrabice, uma patranha e uma estupidez que, em vez de limitar os estragos só os embrutece, à luz de um esclarecimento social numa matéria policromática que a besteira de rebanho tem acefalizada, nos Media e nas redes sociais em tons de branco e negro.

Sempre existiram, de braço dado, a normalidade, os tabus e as determinações sociais que a determinam. O Levítico abominava a homossexualidade masculina e na ignorância da feminina, lançava à fogueira os sodomitas, sem que lhe subissem os ânimos na abordagem pedófila. Outros tempos outros modos e eis - nos em Sodoma, reloaded, melhor, num continuum a que só franjas minoritárias nas sociedades ocidentalizadas lançam um olhar mais atento, de repulsa.

Neste quadro movediço de comércio de favores sexuais, se, por um lado se acentua e se vitoria a luta pela conquista do espaço público pela mulher na exigência da sua formatação adequada aos seus interesses físicos e outros, um espaço virtuoso, onde os caracteres naturais do macho se desvanecem em civilidade, desenrola - se paralelamente, atrás do espelho público um outro mundo do qual se espera impunidade e... ignorância.
Se por um lado na luta pela libertação erótico/sexual do feminino está patente uma componente de supremacia, de poder decisório sobre o corpo, a subalternidade daí resultante, na linha do natural ( não há violações na Natureza, I presume... ) para o masculino, no primeiro e ulteriores passos, atira -nos para um crescendo revolucionário em que esses e outros eventuais privilégios mudariam de ... género.

Só que, desconfio, que o auditório, fascinado pelas aparências de, há pelo menos vinte anos, dadas à costa em Holywood e que se viruliza pelo mundo violado e abusado, está a dormir.
Ou isso ou estaremos a ser, depois do " altíssimo nível de limitação dos nossos impulsos ", educação, chamar - lhe -ia, de um campo de nudistas do século passado, dessexualizados, impunemente.

sábado, novembro 18, 2017

O ASSÉDIO, OS EUNUCOS e o P.C.

QUE FUTURO?
HERMAFRODITISMO  ou...


                                                  SALIGER, julgamento de Páris

A luta pela dignidade e liberdade dos povos está a descambar, em plano inclinado, do colectivo para as tiranias da intimidade projectadas, em estrondo, na falsa placidez dos costumes.

Se já não chegasse a estupidez e o cretinismo agudo feitos virtudes à boleia da guerra dos sexos, que uma militância lésbica vai introduzindo em contrabando na justa luta do humano, singularizando - a, eis - nos atirados a uma nova formulação do odioso masculino - o ASSÉDIO SEXUAL.

O ASSÉDIO, a importunação tout- court, mais não é do que um dos traços distintivos do vivente, plantas, animais e humanos. Todos nós assediamos e sem o assédio sexual a vida, pura e simplesmente desaparece, pelo menos numa das suas características mais notáveis e... aprazíveis.
A abordagem pessoal, no preâmbulo de qualquer tipo de relacionamento, sexualizado ou não, terá sempre a marca distintiva dos actuantes, como distintos serão os seus carácteres e o seu temperamento e distintas as recepções dos seus alvos.

Atentemos...
Quantos casais e quantos felizes casados e namorados existiriam por aí se, à primeira nega dele ou dela, se afastasse o assediante ao primeiro enfado?

O não, sim, talvez... sempre fizeram parte do jogo da sedução, hoje em abominação. Sim eu sei, o que se deplora serão os avanços físicos, os apalpões e os toques SEM CONSENTIMENTO. Acontece que isso não faz parte do jogo, a pressão psicológica sim, definitivamente e... entre adultos, na plena posse da sua Razão.
Não beijar na primeira saída atira - nos para a exclusão do sexo que a mulher séria estampa e o cavalheiro agradece, mesmo que contristado.
Que digo eu?
Os julgamentos históricos são sempre feitos no " fio da navalha ". Julgar o passado com os parâmetros actualizados, adquiridos da avaliação ética ou moral que a nossa evolução humanista permite, incorre em desbragamentos políticamente correctos que pouco devem já à racionalidade com que os nossos pensadores da condição humana nos conduziu até aqui.

( a continuar... )


quinta-feira, novembro 16, 2017

CAOS

EU PECADOR ME CONFESSO..., ATÓNITO!



No turbilhão da nossa contemporaneidade, que o meu ainda não desfalecido olhar, em maravilhamento perplexo com a espécie contempla, nada me tem sido tão perturbador como a deserotização do feminino e, por contraste que não oposição, com a efeminização do masculino, a par da dessacralização da sexualidade humana.
O meu despudor estampado a uma veneração, dantes íntima, atesta - o na imagem compartilhada de uma geração sacrílega.

Da possibilidade, como condutora, sem freios, da individualidade feminina, liberta, desafiante, cínica e literalmente despudorada e esvaziada do mistério mítico da aproximação, da descoberta e do fascínio, opõe - se a destruição do olhar reverente, hoje profano, sobre a mulher.
Rompido o véu físico e metafórico à luz fria da exposição contundente e adversariante da posse hoje reencontrada como dona e senhora do seu corpo e do seu espírito, as  nossas companheiras encetaram um caminho, não já convergente mas paralelo ao nosso.

E não é de hoje a pulsão...

" Eu recordava a sua cona imensa, generosa, uma das conas mais peludas que eu tinha visto na vida; os pêlos não só eram abundantes, como compridos, e , no centro daquela cabeleira, como que penteada com risco ao meio, sobressaía um clitóris em forma de tacão de sapato tão grande como o meu dedo gordo. Durante todo o jantar fiquei a imaginar aquela cona. Mas quando chegámos a casa e ela se despiu, oh desolação! aquela espessura sagrada tinha - se convertido numa superfície lisa, absolutamente pelada, com um certo tacto de frango depenado. Meu Deus! - gritei. Ela olhou para o monte de Vénus, mole, como que muito ufana da sua obra. Raparam - mo. Gostas? É mais agradável (... ) Usa - se muito - disse - me ela orgulhosíssima da paisagem lunar " -  José Maria Álvarez, La esclava instruída

segunda-feira, novembro 13, 2017

NÃO HÁ VOLTA A DAR

O SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE...

...É UM DESPORTO NACIONAL...
...Como o é em todas as paragens do planeta onde a justificação dos actos por inerência ou as suas ausências são trazidos ao escrutínio das comunidades.
Este gesto encontra sempre, na sua angelização, a montante, a sua justificação. Levado à sua demonstração última chegaria a Adão.

Um acto feio e quanto maior o " pecado " e a sua  responsabilização, pior.
Sem querer alongar - me pelo tempo e espaço com exemplos por este mundo fora para o caracterizar como um humaníssimo traço do nosso carácter e atendo - me ao exercício nacional dessa prática, seria melhor chamar - lhe um reflexo, este mau hábito, por mais rotineiro que seja em Portugal em todos os escalões da sociedade, merece censura.

Posto isso e a propósito dos novos títulos dos Media e do frenesim que se lhes seguiu com a estória do jantar tecnológico da WEB SUMMIT no Panteão Nacional, ninguém em Portugal acreditou no aguaceiro provocado por tanto capote sacudido, após a revelação da indignação popular pelo desassossego dos nossos ilustres defuntos em tão sagrado lugar.
Do Governo à Presidência da República ninguém pareceu saber do agendamento do repasto, pior, ninguém o atalhou em reprimendas.

Bodes expiatórios em sacrifício? É preciso ter lata. Deixem a Directora em paz, que apesar de tudo, também não é inocente, foi burrocrata simplesmente, e... ponham trancas à porta. Ponto final!



terça-feira, outubro 31, 2017

CATALÓNIA

AUDACIOSO MOVIMENTO POLÍTICO



...Do chefe do Governo catalão na sua deslocação à sede da U.E.
Quando o inesperado se intromete na História, a realidade, que as condições objectivas, o statu quo, nos coloca e aos povos e aos Estados, tende à sua rejeição. Um acto reflexo que à interiorização do elemento forasteiro oferece resistência, tão tenaz como a determinação alienígena.

Nada disso porém se aplica ao caso catalão, à História catalã e tampouco à História comum partilhada com o Estado espanhol. Nada é inesperado, nem mesmo a urgência radical da liderança da Generalitat de Puigdemont. Os dados estiveram sempre na mesa, a Catalunha nunca abandonou o jogo, a aspiração a um Estado independente.
A História é memória suspensa nos temporáriamente vencidos e esquecimento imperdoável nos vencedores. Suscita - a a luta pela justiça, guarda - a em compêndios empoeirados a arrogância.
Nenhuma dialéctica negativa poderá interromper este continuum; quando muito, abranda - o...

Um acto reflexo, pavaloviano, que vai em crescendo de radicalização no tratamento de um problema político como criminal, foi a resposta do Estado espanhol.

Essa foi a resposta antevista quando, mutatis mutandis, se questionava por aqui, no rescaldo das resistências ferozes que líderes estrangeiros ofereciam às tentativas de auto - determinação democrática dos seus povos, durante a Primavera Árabe e mormente em relação ao líder sírio Hassad que enfrentava uma resistência armada, uma guerra civil.
A pergunta era - O que fariam os Estados Ocidentais face a dissidências, hoje?

Engana - se a Europa ao pôr - se de fora na intermediação sob o argumento, que se pretende louvável políticamente, de respeito pela soberania espanhola.
Tenho por mim que a contenção, a prevenção de conflitos mais sérios, que uma mediação amenizaria seria mais relevante que a ausência pública desse debate.
Puigdemont também assim o pensou e  a pressão política que levou à Casa Europeia foi genial.
Saibam as lideranças europeias olhar para além da espuma das coisas...

segunda-feira, outubro 30, 2017

NO KISSES...

... JUST HARD WORKING



Enquanto os MEDIA procuram manter acesa a intriga sobre o desenlace institucional com o presidente da República a geringonça passa...




sexta-feira, outubro 27, 2017

D'O JULGAMENTO MORAL E... JUSTIÇA

J' ACCUSE!




Nenhum ser humano, na plena posse das suas capacidades racionais, estará livre de julgar, tomado em toda a sua compreensão e extensão, sem ser com todo o peso da sua história, das suas experiências pessoais ou de próximos, das suas memórias, das suas idiossincracias, das suas aversões e das suas simpatias, NENHUM!
O que deveria distinguir o julgamento pelo Estado através da aplicação pelos juízes e juízas das suas leis, enquadrar - se - ia numa pseudo neutralidade decisória que no balanço analítico das provas e da sua refutação, equilibraria, racionalmente, à luz da legislação, a sentença, pretensamente tão neutra como a intenção presumida dos legisladores.

Supôr que o quadro legal de qualquer nação estaria livre de considerações moralistas seria antepôr um véu de Maia entre o presente e o passado numa refutação esdrúxula da base de qualquer LEI, tanta a terrena como a divina. Seria apagar todo o imaginário nacional ao longo da fermentação das suas regras de convívio social.

Quando para além da menção dos artigos violados no âmbito de uma acusação se faz uso de considerandos moralistas e , quer se queira ou não, tradicionais no Senso Comum e hoje sublimados no processo de domesticação do sapiens, pretende - se obter uma cumplicidade empática com uma decisão entre dois males - o adultério, e a violência como resultado humanizado face à traição.
Como reagiria a maioria dos, no caso, homens, perante essa situação?

Em consciência, e o juízo é sempre uni-pessoal, se condeno porque há - de a Lei absolver, se absolvo a vítima porque há - de a Lei condená - la?
Se considero mais grave o adultério que a reacção violenta faço justiça e absolvo a violência, num caso de legítima defesa, num caso de HONRA.
Honra, essa palavra caída em esquecimento e varrida do panorama social onde vigora a amoralidade, a indiferença sobre valores outrora charneiras no relacionamento humano.
" Uma mulher adúltera é uma pessoa falsa, hipócrita, desonesta, desleal, fútil e imoral "

Este é o quadro intimidatório que em cada julgamento se materializa em quem julga. Fácil é o julgamento sem juízos morais apesar de implícitos e não expostos, verbalizados.

A despessoalização exigida no julgamento pelo Estado configura - se a esta luz como uma violência pessoal.
Eu condeno o adultério tout - court e sou ateu. O cidadão Joaquim Neto e a cidadã Maria Luíza Abrantes também. O que nos distingue para lá da liberdade de emitir esta opinião públicamente? - As margens que as nossas condições permitem. As minhas, são pessoais e eventualmente auto - impostas, as deles não o serão, definitivamente.

domingo, outubro 22, 2017

O " ANTIPÁTICO "

                                                             
                                            António Costa, Primeiro - Ministro de Portugal

A irracionalidade ou a urgência do racional, a Emoção que não a frieza e cabeça fria, a lamentação inane que não a acção concertada e reflectida, o choro que não a solidariedade efectiva, a Empatia que não a Confiança na relação positiva e pragmática, perante a devastação que atingiu Portugal, seriam as " receitas " meritórias que o político deveria abraçar, para escapar à, aparentemente, crítica que se almeja ser demolidora à sua postura perante o quadro político e físico que enfrentou.

" Será um homem sensato aquele que, para decidir se um homem está em paz ou guerra consigo próprio, liga mais às palavras do que aos actos? - Demóstenes

O apelo à Emoção à flor da pele, ao coração, aos instintos, à auto - compaixão será sempre a arma dos populistas tenham eles as cores que tiverem e os cargos que exercem.
Redenções, pedidos de desculpas confessionais, apelos sebastianistas foram a postura do faduncho a que respondeu a resistência da intervenção, que se impôs.

Não comungo, de maneira nenhuma, com o teor das críticas ao P.Ministro, para lá do seu carácter estritamente político e institucional, que acreditam criar uma maré de " estados de alma " que ofusque a racionalidade analítica do desempenho deste Governo.
O caminho populista, que com todas as " nuances " empáticas e talvez, inadvertidamente, o Presidente da República encabeça como referência voluntária ou não, na criação de " factos políticos " que estão marcar a agenda, mediática, por ora, é um mau sinal... Quem não está a entender isto não está a perceber o que se está a germinar pelo país pós - Pedrógão...


Vergonha, sim, toda a gente é livre de a sentir como sentimento banal, com ou sem sustentação e eu também a sinto por ter contribuído, pela parte que me toca, com o meu silêncio impotente, então, sobre o conhecimento que ia obtendo do " fogareiro " em que, inevitávelmente o país se transformaria um dia, na denúncia do tipo da mancha verde demoníaca que na época começava a nos encher de orgulho e... euros.

Porém, nunca lembrou a ninguém nos USA, com as Torres Gémeas, em Espanha com Atocha, em Londres com a Grenfell Tower e por aí fora, concluir, tão ligeiramente e envergonhado até à medula, pela incapacidade do seu país em defender o seu território e as suas gentes.
A incúria foi também e, na minha opinião, nossa e depois da casa arrombada as lágrimas de crocodilo inundam o país mediático num atroz cinismo pelo país que só nos últimos tempos lhes foi dado a conhecer.
E já que estamos numa de teleologia, estão eles, cuido que é tempo de um Nacional MEA CULPA e estarmos mais atentos.

E socorro - me ainda do velhinho Demóstenes para acabar - Parece - me que o bom cidadão deve preferir as palavras que salvam às palavras que agradam - disse ele e eu, entretanto, prefiro ouvir as palavras e acções do Governo e escrutiná - las, RACIONALMENTE.

sexta-feira, outubro 20, 2017

EUREKA!!!

DESCOBRI!!!!

PORTUGAL ESTÁ EM COMBUSTÃO ESPONTÂNEA






DOUTRA MANEIRA...

Como me explicam a deflagração de perto de 500 incêndios num Domingo às seis da manhã?
E dos perto de 200 em Pedrógão em Junho?

Que diabo, se foi do calor as estepes alentejanas e os pinhais e eucaliptos de Setúbal não arderam ESPONTÂNEAMENTE porquê?

O povo português, aquela gente que viu os incêndios, ou seja, nós, perdeu a confiança no Governo, decreta Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, ante o ar compungido e lacrimejante de Lopo Xavier perante a " frieza "do azougado Governo, vulgo António Costa, com tanto calor que por aí vai e que o Presidente Marcelo vai soprando por onde passa.

BULSHIT!

E porque é que isso aconteceria no wishful thinking desses dois comparsas da Direita? Porque, pelo que ouvi, o Governo não foi capaz, de Junho a Outubro, de limpar as Matas Nacionais, de mandar abater toda a roupagem verde com que as populações do interior enfeitam a zona circundante das habitações e fábricas, de não ter demitido toda a incompetência dos serviços dos Bombeiros, e do SIRESP mais as dos Serviços da Protecção Civil, e..., principalmente ter sido INCAPAZ de mimar o Presidente na sua campanha facebookiana pelo país. Longe de mim o cinismo mas tanta emoção e amor a rodos já me está a pôr de pé - atrás.
Sigamos pois o raciocínio orientador e pouco subtil dos anti - geringonça; se o povo perdeu a confiança no P.S e nos seus parceiros, de quem, com algum maquiavelismo, Marcelo exige a colagem responsabilizante das desgraças, não deverá votar neles nas próximas eleições. Um recado com cara de comentário e uma orientação política com cara de objectividade de análise.

Estaria a ser difícil à Oposição engolir a perspectiva longínqua de voltar ao Poder sem que houvesse uma alteração substancial à realidade respirável dos dias de hoje, pelo que será preciso deitar mãos, para além dos procedimentos transparentes como a moção de censura ao Governo apresentado pelo CDS, aproveitamento político mesquinho mas legal, a chamada à mobilização dos ilustres e... singularizar

500 focos de incêndio em simultâneo; COMO FOI POSSÍVEL?

ESSA TERÁ DE SER A PERGUNTA DOS PORTUGUESES, para além das responsabilidades a assacar ao Estado no apoio rápido e eficiente a todas as vítimas dessa barbárie.







quarta-feira, outubro 18, 2017

ATENÇÃO, ANTÓNIO!

A DIREITA ESTÁ EM DESESPERO...

... E QUER A TUA PELE

A semvergonhice da Direita portuguesa está a um passo do paroxismo e histeria emocional e está a tornar - se perigosa.
Sem tirar um vírgula ao que tenho dito sobre o assunto dos incêndios deste ano e lembrando - me do Verão Quente de 1975, constato um upgrade concertado de cerco a esta solução governativa por parte de todo o universo anti - geringonça.
Perante a impotência política e sem retórica contra os sucessos obtidos estão a dar formas concretas ao Diabo do Passos. NUNCA, mas nunca, os fogos estiveram tão próximos das populações e nunca, mas nunca a incompetência foi tão visível. Como não acredito em coincidências... aceito a teoria de conspiração de que o propósito de tudo o que está a acontecer no terreno é claro - enfraquecer o governo e fazer - nos esquecer dos seus sucessos.

Ora, aí está a cavalgagem da desgraça das populações, atingidas miserável e asquerosamente, pela infâmia e pouca -. vergonha do PSD e do CDS.
Para já, e eu tinha avisado, deram razões ao Marcelo, como se disso precisasse, para mostrar a face num discurso cheio de ambiguidades e solicitações à guerrilha. A posição, aparentemente ambígua do P.C.P. também está a ajudar à festa e disso terá de ter consciência, não desfalecendo na segurança do Governo contra a Oposição.

Para já, conseguiram a demissão de uma ministra do Governo. Se políticamente, para o Governo, que não como resposta aos gritos dos Media, do Presidente e da Oposição, seria um passo a dar dada a fragilidade política exposta da Ministra, por outro deu esperança a que se atreva hoje a pedir a demissão do Governo por parte do PSD, de uma moção de censura encorajada, entrelinhas pelo Presidente da República por parte do CDS e a um, oh céus! acabrunhamento do ex - primeiro - ministro, P. Coelho, a morrer de vergonha pelo país...

Os dados estão lançados e a parada da Direita é alta e não hesitará nos passos que serão necessários - se o tempo quente e seco continuar e aproveitando a " ameaça " de Marcelo, voltaremos a ter uma desgraça que lhe dará o alibi para dissolver a Assembleia da República.

Posto isto, António, põe - te a pau!

terça-feira, outubro 17, 2017

D' O IMAGINÁRIO SOCIAL

... E... PROJECÇÕES INTERESSEIRAS OU...

... POUCO AVISADAS,...

... PELO QUE...

... " DEIXAREMOS O MUNDO TÃO TOLO E PERVERSO COMO O ENCONTRAMOS " - VOLTAIRE


Ganhou -se o hábito da confrontação de opiniões pretéritas e contextualizadas sobre realidades analisadas por personagens da vida pública e publicável da sociedade política e intelectual portuguesa ( a coisa vai mais além... ) com as actualizações que a realidade de hoje impôs nos novos contextos históricos, políticos ou sociais, pelo silêncio ruminativo ou verve desbragada.

O desmerecimento que a " falsidade " pretérita e, ou, a interpretação errónea dos factos, a par da sua permanência temporal como valor ou desperdício opinativo, não acrescenta, para a esmagadora maioria dos casos, consoante a importância factual ou projectado do assunto ou personagem em análise sobre os quais se emitiram pareceres e opiniões, nenhuma desvalorização de carácter para a maioria esmagadora dos casos, nem para os visados, nem para os factos.

Dito isto, que não passa de uma, quiçá, presunção, e reportando - nos, saindo do geral para o particular, à Política e aos seus sujeitos e predicados, a banalidade acima referida de juízos desavisados não passa senão da aplicação inferida de um comportamento... humano.
Não se trata aqui da relativização de uma Verdade mas de uma hermenêutica sincrética de reflexão que é comum a cada um de nós.

A posse de todos os dados, melhor, a ausência dessa acumulação de informação, obriga, necessáriamente, à falha parcelar que outros, entretanto, e por outros caminhos, vão preenchendo, empírica ou racionalmente e sobre isso fazem o seu juízo. Senso Comum, é o derivativo imaginário daí resultante.
Como todo o Conhecimento é, ABSOLUTAMENTE, parcelar, como parcelares e singulares as organizações mentais de tratamento de informações para cada um de nós perante as nossas vivências memorizadas, interesseiras e invocadas à medida das nossas necessidades projectáveis, os juízos que a cada FACTO formulamos será sempre pessoal e único.

" O que escreveste num tweet passado " ou.... " Em tempos dizias que... " enquadra - se no âmbito desta reflexão, para concluir que a coerência temporal é, terá de ser uma anormalidade, não só intelectual como vital, no nosso posicionamento racional e biológico para com os FACTOS. E se levada a extremos conduzirá à extinção da espécie, de todas as espécies, as racionais e às outras.

Uma inteligibilidade de " achados " marca o nosso percurso - Eu acho, tu achas... - , não só os da Ciência como os do racionalismo biológico, vulgo Senso Comum, e massifica o carácter da espécie.

DERIVANDO...

Nada, como a crónica de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso último, sob o título - O julgamento de Sócrates - para exemplar, pretensamente, o meu juízo.
Para o caso, juízos feitos de achados a que a singularidade de um encontro ocasional, fortuito e de interpretação facial sincrética, PESSOAL, acrescenta toda uma caracterização justificativa de um trajecto, na linha das negatividades, então pressentidas.

Acontece, que no " caso " Sócrates, como em qualquer outro, numa Democracia, o " achar ", a referência do Senso Comum, não pode, num Estado de Direito, estar presente num julgamento. A verosimilhança de Verdade, intuída pelo S.C. ( leia - se Senso Comum ) é e terá de ser uma treta e como tal assim tratada por qualquer Juíz ou Juízes que sobre o caso venham a deliberar sobre a culpabilidade ou inocência do ou dos arguidos.

Ou isso ou então... será, de facto, TODO O REGIME que estará a julgamento.

segunda-feira, outubro 16, 2017

TERROR(ISMO) INCENDIÁRIO

" VIVER E DEIXAR MORRER "?


Tem sido essencialmente por esta perspectiva dramática que o Director do " Expresso ", Pedro Guerreiro, tem abordado a problemática dos incêndios que, desde Pedrógão, em Junho, tem lavrado em Portugal.
A sistematização que, aliada às condições objectivas das suas deflagrações e propagações e o sucesso devastador dos seus efeitos exige, para além das humaníssimas e necessárias indignações, exige olhares mais alongados do que o apontar de dedos a A,B ou C.
Mal sabia, mas poderia perfeitamente ter previsto, dada a manutenção das condições estruturais acima objectivadas que levaram à morte de dezenas de cidadãos então, o que aconteceu este Domingo pelo país.

Estaria lá tudo, no dramatismo visceral da denúncia da incúria do Estado extrapolada por P.S.Guerreiro, nas palavras do presidente da República e do P. Ministro do país, para além das incompetências já assacadas a todos os intervenientes no fracasso. se não se desse o caso da obliteração das nossas culpas e cumplicidades em todo o processo que nos conduziu a isso, excepto nas condições climatéricas, na seca extrema que assola o país.
Durante décadas fomos pondo tijolos sobre tijolos no edifício que agora nos ameaça mortalmente.

O regresso à competência, dos Bombeiros, dos Serviços de Protecção Civil, dos guardas - florestais, do ordenamento do território, dos políticos, do Estado na redefinição de uma normalidade outra dantes percebida como tal que não este terror permanente também ela levará décadas. E terá pela frente toda a Corporação dos Incêndios, todos os interesses instalados à volta do negócio dos fogos. que darão uma luta sem tréguas e serão tão sorrateiros como o estão a ser hoje.

Por mim acredito pia e fortemente que " há uma organização terrorista a atear os fogos em Portugal "; competente e contumaz. Faço, por isso, minhas, as palavras do Presidente da Liga dos Bombeiros portugueses, Jaime Mata Soares.
Com toda a magistratura atrás do Sócrates torna - se evidente que estiveram e estão à rédea solta. Estará na forja algum outro mega - processo de décadas quando e se for descoberta?

Entretanto, o País arde e as pessoas morrem.

sexta-feira, outubro 13, 2017

SÓCRATES, UM MESTRE DO CRIME?...

... UMA VÍTIMA KAFKIANA?


A " teia " mafiosa que o Ministério Público, pretensamente, nos traz ao conhecimento e que teria como cabecilhas mais mediáticas o ex - P. Ministro de Portugal, José Sócrates e o presidente do ex - BES, Ricardo Salgado, teve a sua " apresentação " numa das mais estranhas entrevistas a que tive oportunidade de assistir.
De um lado, um jornalista de guião acusatório em riste, debitando pretensões e julgamentos moralistas atribuíveis ao senso - comum, manipulado durante quatro anos de fugas de informação ( falsas ou verdadeiras, é o que se verá... ) enquanto se mantinha em prisão preventiva um pretenso criminoso sem culpa formada e do outro lado, assertivo e completamente pronto a se defender de um processo que, repetidamente, considera ser político.


Nada de novo sobre as acusações já bastamente dadas à luz durante estes anos, exceptuando as contra - provas do arguido contra as " insinuações " da Acusação.
Não poderá haver num julgamento desta natureza NENHUMA VEROSIMILHANÇA DE VERDADE e certamente que o julgamento da rua não passará disto mesmo.

Singularmente, desconfio que quem estará em julgamento, pelo que tenho visto e sabido até agora, será a Magistratura e o Ministério Público.

Sócrates, parece estar preparado para a luta...