quinta-feira, março 03, 2016

WAS IST DASS?


PORQUÊ ALI?


E QUAL FOI A MENSAGEM QUE O PODEMOS QUER TRANSMITIR?

SIMPLESMENTE A GRATUITIDADE DO GESTO E... PORQUE SIM?
NO SEGUIMENTO DESSA ESPONTANEIDADE UMA REFLEXÃO, QUE NÃO ABONA A TOMADA DE POSIÇÃO ILUSTRADA PELO GESTO.

terça-feira, março 01, 2016

MAIS UMA AUSÊNCIA...

...E DESTA VEZ, LONGA.

Fiquei sem a máquina, avariou - se.
Aproveitei para dar ordem aos meus livros e reencontrar - me com alguns autores que marcaram a minha geração, nomeadamente os existencialistas, tema de acesos debates e provocações - Sartre, Kierkegaard, Heidegger - numa época libertária, revolucionária, generosa, onde a possibilidade utópica marcou profundamente toda uma geração - a minha, a dos sexagenários de hoje.

O Homem é radicalmente livre e o único criador dos seus valores - pontuávamos, inebriados pelos sucessos contra as opressões que a Ordem, social, económica, colonial, política e moral estruturou até então - a Ordem burguesa - contra a qual se uniram as elites estudantis de então, os operários e... a Filosofia. Um choque epistemológico, diria Foucault, o desabar de velhas estruturas,os estruturalistas, com a nova abertura da Educação e da Ciência às massas, na ressaca da onda que varreu o Ocidente.

Apesar do pessimismo cínico com que hoje nos revemos na infindável Burrocratização do Pensamento no Mundo, no Ocidente, que dos anos sessenta, enquanto glorificávamos a Liberdade, as obreiras utilitaristas iam reestruturando, dos manuais escolares às Academias e às fábricas à boleia de um liberalismo oportunista que, cavalgando a abertura democrática contrabandeou - um choque de realidade - pragmatizam enfáticos, toda a generosidade humanista de uma geração.

Desgraçadamente, estão a ganhar. As consequências? Estão à vista de todos. A vingança está a ser cruel, já que são os nossos filhos os veículos e os protagonistas na nova Ordem[ !!!!??? ] mundial.

sábado, fevereiro 20, 2016

A SEMANA EM REVISTA

 OS VÍDEOS DO P. MINISTRO

António Costa, perante um panorama mediático dominado pelos MERDIA e por uma classe de " jornalistas " e comentadores declaradamente hostis ao governo e aos desenvolvimentos políticos que encetou,  decidiu - se por uma comunicação directa com os cidadãos através de vídeos explicando e enumerando os fundamentos de cada decisão que, no arranque da legislatura, terá de tomar ou já tomou.
 O barulho ensurdecedor terá sempre um contraditório por parte do P.S. e ajuízado seria e políticamente relevante que o P.C.P. e o Bloco de Esquerda fizessem, sempre que necessário, coro com um governo que apoiam na Assembleia da República. A tentação oposicionista, num reflexo de protecção partidária, terá de ser controlada, diáriamente. Um pé dentro e outro fora só em equilíbrio sustentável; a pé - coxinho torna - se difícil.

PERPLEXIDADES, OU TALVEZ, NÃO...

Há comentadores políticos e não só, que aprendi a respeitar durante toda a história democrática em Portugal, independentemente das proclamações partidárias de que a sua credibilidade pudesse sofrer numa análise crítica às críticas que pontuam o seu discurso. Nem sempre o meu respeito intelectual, é disso que se trata, acompanhou a adesão às análises por si efectuadas.
Últimamente, sejamos claros, desde que se perspectivou a mudança política histórica protagonizada por António Costa, chamando para o espaço de apoio a uma politica governamental o P.Comunista Português e o Bloco de Esquerda. adversários históricos  da mesma área política da Esquerda, que registo uma subtil mudança na análise política de muitos deles e que se caracteriza, hoje, por uma peculiar distribuição salomónica, tipo pau e cenoura, uma no cravo e outra na ferradura, das pancadas sobre o pecado capital que Costa cometeu e que contaminou, aos seus olhos, todas as suas acções futuras. 
A honestidade intelectual que não os abandonou e que, por respeito próprio e por quem os segue, continuam a exercitar não permite o desdém pelo que é política e racionalmente virtuoso nas decisões já tomadas pelo Executivo e com o apoio dos partidos de Esquerda, mas... permite, no balanço textual ou verbalizado, fixar um posicionamento idiossincrático bem definido.
Enfim...., curiosidades que uma filtragem de águas turvas deste novo tempo histórico me permitiu descortinar.
Consequências? Nenhumas, a não ser um afinamento de atenção...

BANCO DE PORTUGAL

( fica para amanhã... )

Desisti, depois de ler - Os bancos que nos sugam - de Miguel Sousa Tavares no Expresso

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

UMA AULA POLÍTICA ( 2 )

ANTÓNIO COSTA, em entrevista ao Expresso

Uma realpolityk que, oh céus! apeou a Direita, uma necessidade não só programática como também e principalmente ideológica, interrompendo a consolidação no tecido social do país de idiossincracias tinescas durante mais tempo.
As outras faces de estranhezas estão retratadas nas questões que se seguiram, às quais o primeiro - Ministro " limpou " com sabedoria e... transparência. Habituem - se!

Nenhum Estado que se preze deixa - se governar pelas agências de rating e pela mistificação económica que é o Mercado o que é diferente do que ignorar a sua existência em prol do Capital, dos seus patrões.
Investidores foram e são os fazedores de riqueza industrial, comercial e social; não são eles os protegidos pelas agências de rating mas sim a diletância predadora e venal, pelo que o respeito que merecem na sua actividade é ZERO, é LIXO. E, sim, deveriam ser os Estados a controlar as suas actividades e nunca, mas nunca o contrário.
Foi lastimável ouvir, de novo o ministro alemão Shaubble a tecer considerações sobre as opções políticas de Portugal quando não deu a cara perante Cameron e as suas exigências. O Deutchbank ainda não lhe tira o sono?

Só uma pequena lembrança - A escola de Frankfurt denunciou, no princípio do século XX, o contrabando que se infiltrava, através do seu braço económico e académico, nas democracias europeias pela criação de uma naturalidade elitista tida como necessidades ideológicas. Tal como agora, a Europa estava sobre as consequências de mais uma crise do Capitalismo e a resposta da elite foi o autoritarismo exercido através dos meios de controlo financeiro e económico. Hoje, abundam esses meios, desde as instituições da U.E nas mãos do P.P.E. ao Mercado, às agências de rating, à Academias de Economia e Gestão. 
É altura da Política explicar toda a construção que nos trouxe à TINA e não se ficar apenas pelas explicações de gestão económica. É que há ouvidos atentos que convém iluminar.

UMA AULA POLÍTICA


                                                              ANTÓNIO COSTA
                                                  ( Primeiro- Ministro de Portugal )

EM PORTUGAL MANDAM OS PORTUGUESES,

NA EUROPA, NÃO! SO...

" PRIMEIRO ESTRANHA - SE, DEPOIS ENTRANHA - SE "

Nada como um juízo popular para definir, primeiro, o estranhamento com uma prática da qual a democracia se alimentou em sua definição, como a negociação em torno da formação de uma maioria, formal ou efectiva, que sustente, tradicionalmente ou jurídicamente, um governo, dando - lhe estabilidade para, face às minorias, implementar o seu programa, seja de que natureza for.
Não é de hoje, mas a Direita, como expressão do conservadorismo " elitista ", levou a sério o formalismo representativo e, sem tibiezas, usou - o em seu proveito, no " sacrifício " das suas convicções em prol de um Bem -  maior que passa pela conservação dos seus privilégios de classe e fá - lo em todas as paragens do planeta com todos os que seguem as suas linhas, ia dizer programáticas, biológicas, as do individualismo, básico e radical, intuitivamente virtuoso e ética e socialmente deficiente bordejando, a espaços, a sociopatia, pura e simples.

Qual foi, portanto a estranheza que o compromisso governativo entre o P.S e os partidos à sua esquerda, nomeadamente o Bloco de Esquerda e o P.Comunista Português mais os Verdes e o PAN provocou à Direita política e Mediática? Foi a derivada de uma convicção que uma mitologia histórica pós - PREC alimentou das confrontações políticas de Soares e Cunhal e que se prolongaram por quase 40 anos - a impossibilidade de diálogo político com incidência governamental.
Quarenta anos se passaram sobre essa certeza, da qual a Direita portuguesa hábilmente se serviu, num país maioritáriamente de Esquerda, para, apelando ao pragmatismo do voto enquanto esvaziava o conteúdo político escrutinável, governar Portugal.
António Costa derrubou o mito, na ressaca da mais daninha governação conservadora das últimas décadas e lançou as bases de uma governação nacional mais consentânea, formal, social e políticamente, com o sentir da população portuguesa e que se tiver continuidade, em termos negociais e políticos nas autárquicas de 2017, o País sofrerá uma mudança séria e, para mim, virtuosa, no regime contrabandeado de hoje.

Estamos a ler a entrevista que A. Costa deu ao semanário Expresso de sábado último e a singularidade ainda não entranhada pelos MEDIA ( e nomeadamente por esse jornal que, em relação à Coligação derrubada era um sério apoiante através dos seus comentadores, jornalistas e opinadores criteriosamente escolhidos, dos quais, como prova de abrangência redactorial surgem Nicolau Santos e Daniel de Oliveira... ) reflecte - se nas questões tomadas como embaraçantes levantadas pelos entrevistadores, como esta - O P.Socialista e o Governo correm o risco de ficarem dominados pelas esquerdas? 
Desta pergunta também se infere que o Partido Socialista que já não era visto como  um partido de Esquerda e que, aliado ao P.C.P e ao Bloco de Esquerda só pode mesmo ter - se tornado radical.

( a continuar... )

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

CONTABILIDADE ou POLÍTICA ( 2 )

POLÍTICA, pois claro!

Nenhum país do mundo poderá garantir hoje, (dadas as expectativas não projectáveis do universo financeiro Global, à sua turbulência, diagnosticada já pela Reserva Federal Americana, que a queda bolsista chinesa encabeçou e pelas perspectivas de crescimento económico dos países emergentes ), a credibilidade das suas projecções orçamentais no curto prazo.

As críticas, que dos leitores de folhas de chá mediáticos às luminárias técnicas do exterior, nomeadamente das agências de rating, vulgo, sociedade de protecção aos investidores e dos crânios da troyka que montaram o tecido económico-financeiro do resgate a Portugal, de quem eles vão tecendo, provincianamente, loas, estão eivadas de má - fé intelectual, quando não de pura hipocrisia científica na leitura, não só ideológica quando não puramente matemática que fazem às escolhas políticas que orientam qualquer Orçamento de Estado, em Democracia. Bastava ter presente o resultado saído das suas receitas de resgate, hoje criticados pelo Tribunal de Contas Europeu.

As equações de deltas, tetas, betas e ómegas são instrumentos de controlo e acompanhamento do funcionamento das economias sustentadas pelas escolhas políticas. Será preciso um milagre para fazer funcionar um Orçamento, não fazendo o que o anterior governo fez e que qualquer comerciante faria e... sem deixar fugir os fregueses, no ajustamento dos imponderáveis que a própria dinâmica económica e social vai tecendo?

É evidente, para aqueles que seguiam a carroça do - Não há alternativa -  num barranco de cegos, a possibilidade de mudança nas equações das variáveis que para eles eram fixas e definitivas é, também ela, uma impossibilidade. A gente percebeu...

Acabo de saber que as linhas gerais do Orçamento para 2016 recebeu luz verde do Comissário europeu das Finanças, P. Moscovici e passa para o crivo do Colégio dos Comissários.

HAJA BOM SENSO!

terça-feira, fevereiro 02, 2016

CONTABILIDADE ou POLÍTICA

SOBERANIA ou REALPOLITIK?

Dir - me - ão que essa é uma falsa questão, melhor, uma falsa alternância que é negada pelos conceitos eux - mêmes.

Vejamos: Portugal esteve,  durante quatro anos sobre resgate financeiro por parte da Comissão Europeia, do FMI e do BCE, portanto, credor dessas Instituições. As condições do resgate impunham decisões políticas de extrema dureza para o país.
 Apesar de uma canina subserviência do governo anterior no cumprimento sobrelevado dos ditâmes da troyka, nada de substancial mudou, a não ser o quase desaparecimento da classe média, um aumento brutal dos impostos, uma emigração forçada de milhares de jovens cidadãos qualificados,  que uma economia debilitada exponenciou, que o Primeiro - ministro de então, Passos Coelho, apontou como uma oportunidade. A qualidade de TODOS os serviços do Estado piorou dramáticamente ao mesmo tempo que as relações de trabalho iam sendo dinamitadas pela ganância burrocrática e o país foi vendido, acéfalamente, ao retalho. Uma estupidez política que só os seus projectistas e os seus acólitos, embrenhados nas folhas de Excel e na segurança de quem se foi enchendo com a dívida soberana, poderia ser considerado um sucesso.

No entanto, débeis lamentos por parte da Troyka, findo que foi o período do desfalque nacional, fizeram - se ouvir em lágrimas de crocodilo. Tinha sido, também, um fracasso sócio-político e... não se fala mais nisso.

Hoje, a Política está a fazer- se lá fora, outra vez, nos corredores e nos salões onde se cozinhou a alarvidade contabiloburocrática que arruinou Portugal. Correm negociações entre a Política, representada pelo governo socialista no poder e o Conselho Europeu. Aparentemente, pelo que se vai sabendo das declarações da Burrocracia, nenhuma lição se tirou da experiência passada por parte dela, zero. A cassete é a mesma - É preciso cumprir as regras - Não há alternativa - .

À primeira vista, supõe - se que é o draft, o esboço do Orçamento do Estado que está em discussão ( convém não esquecer que um Orçamento de Estado é um programa político, que define uma orientação política que não contabilístico, sendo esta vertente um indicador projectivo...), quando, na verdade, se pretende, através de imposições financeiras que uma maioria conjuntural de Direita que hoje detém o poder de decisão na U.E. a conjugação de TODOS os programas políticos nacionais no mesmo modo - o definido pelo Pensamento Único, conservador e reaccionário.

( a seguir...)

domingo, janeiro 31, 2016

d' O CAOS


Odeio bagunça, abomino a Ordem Burrautocrática e prefiro a organização em racionalidade ( Razão + Ética ) do Caos, o estado permanente da espécie e das suas Instituições.

Achar, convir, que o Estado seja uma necessidade, um estádio evolutivo na busca dessa ordenação que não a submissão impossível, não fará do Homem um incondicional dos poderes de que ele se outorga que extravasem a promoção da sua eficácia na coordenação harmoniosa e equilibrada dos interesses biológicos e ou corporativos com o Bem Comum.

Essa realidade de que todos têm consciência do que seja e do que poderia ser, remete - nos a Zizek, que nos nega a possibilidade dessa consciência, que existindo, foge à nossa interpretação simbólica ou utópica dada a sua profunda abstracção, em compreensão e extensão.
Uma torre de Babel que se vai trepando sem um sânscrito unificador que permita a sua interpretação numa inteligibilidade redentora.
Nos andares dessa Torre estabeleceram - se unidades linguísticas e a possibilidade de uma visão unificada sobre um real estrito - a delas e todo um cortejo simbólico e narrativo moldado por uma história comum. Ordenamentos casuísticos ocupando um nicho estabilizado no Caos - são as nações e os estados que física e jurídicamente as estabiliza ou procura a sua estabilização.

Quando e sempre que haja uma perturbação provocada por uma intrusão forasteira, as consequências, como ondas de maré, vão ficando maiores, à medida que se afastam da origem precurssora deixada ao oblívio.
O mundo de hoje, como o de ontem, está a reflectir o alcance que decisões políticas tomadas ao arrepio da consagração desse ordenamento racionalizado podem fazer.

E as borboletas nada tiveram a ver com isso...

segunda-feira, janeiro 25, 2016

CAVAQUISTA, EU!!!!???

E ESTA, HEIN?

Então não é que agora que o Homem está de saída me descubro, pela primeira vez, um apoiante de uma decisão sua? Querem ver, que afinal sou um " reaccionário " disfarçado de progressista?
Eu explico. Já botei por aqui a minha opinião sobre o tema que suscitou esta reflexão e, em princípio, nada mais teria a dizer a não ser no âmbito de um debate, o que não é o caso, pelo que, mesmo assim, dada a relevância, vamos ao assunto.

O presidente da República devolveu à Assembleia os diplomas sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo e sobre as alterações à lei da IVG ( interrupção voluntária da gravidez ) aí votados.
No primeiro caso, a da adopção, Cavaco Silva considerou e bem que o interesse da criança sobreleva o dos casais proponentes à adopção, já que, acrescento eu, ao seu papel passivo tem de corresponder uma protecção adicional criteriosa de uma, sim, normalidade existencial, que as rupturas emuladas por algumas franjas da sociedade não configuram.

Quanto ao segundo diploma, que afasta os médicos objectores de consciência do aconselhamento clínico, psicológico e, porque não, reflexivo, sobre a decisão das pacientes, que não aos militantes da discriccionariedade abortiva das mulheres, é por si uma estupidez legislativa, uma batota jurídica e. sim, merece o veto presidencial.

Cavaquista? Nem por isso. 

domingo, janeiro 24, 2016

PRESIDENCIAIS EM PORTUGAL

FINIS


                                                    MARCELO REBELO DE SOUSA...

... Será o novo Presidente da República Portuguesa ao vencer umas eleições às quais esvaziou de carga política sustentando - se numa notoriedade nacional que a presença de anos nos canais televisivos como comentador político exponenciou, e, paradoxalmente, numa inteligência política notável.
Todo o mérito desta eleição pertence - lhe, por inteiro, pela ligação empática que conseguiu estabelecer como merecedor de confiança junto dos seus eleitores.

PARABÉNS!


quarta-feira, janeiro 20, 2016

PRESIDENCIAIS

Da reunião dos candidatos, numa avaliação mediática, que se pretendeu ser psicossocial, onde a componente política das eventuais proclamações emitidas, pela redundância inconsequente do que neste campo se poderia dizer, vingou, a indignação assertiva de Marisa Matias, contra a reposição dos subsídios vitalícios a ex-servidores do Estado.

DA CRÍTICA ( II )

" Valerá a pena analisar críticamente este « e ». Será que, em si mesmo, é já cínico? Como pode uma cópula lógica ser cínica? Um homem « e » uma mulher; garfo « e » faca; sal « e » pimenta. Que há aqui a criticar? Tentemos outras ligações - senhora « e » puta; ama o próximo « e » mata - o; morrer de fome « e » comer caviar ao pequeno - almoço. Aqui o » e » parece ter - se inserido entre opostos que transforma em vizinhos imediatos, de forma que os contrastes se invectivam.

O « e » terá algo a ver com isto? Não foi ele que criou os opostos, apenas desempenhou o papel de alcoviteiro entre pares díspares. Com efeito, nos Media, o « e » mais não faz do que justapor, fundar vizinhanças, acasalar, contrastar - nem mais nem menos. O « e » tem a capacidade de formar uma série ou uma cadeia linear cujos membros individuais só se tocam por intermédio do alcoviteiro lógico; este último não diz nada sobre a natureza dos elementos que enfia numa fileira. É nessa indiferença do « e » a respeito das coisas que justapõe que desponta o germe de um desenvolvimento cínico. Com efeito, pela simples justaposição e pela relação sintagmática externa entre todas as coisas, ele produz uma uniformidade que afecta as coisas justapostas. Eis porque o « e » não permanece um « e » puro, antes desenvolve a tendência para se tornar um é - igual - a. A partir desse momento, pode desenvolver - se uma tendência cínica. Com efeito, se o « e » que pode colocar - se entre tudo significa simultaneamente « é - igual - a », tudo se torna igual a tudo e cada coisa vale tanto como outra coisa qualquer. Da uniformidade da série dos « e » nasce insidiosamente uma equivalência das coisas e uma indiferença subjectiva. "

( continuaremos, com Sloterdijk )

terça-feira, janeiro 19, 2016

EI - LOS QUE PARTEM...



                                                                  Almeida Santos


... E em cada partida vão - me deixando mais órfão de uma geração que marcou políticamente a História portuguesa.

Almeida Santos, um dos mais distintos lutadores pela Democracia morreu ontem, aos 89 anos.
Deixará muitas saudades aos amigos com quem, no Partido Socialista de que foi Presidente, o acompanharam.

As minhas condolências à família e homenagens e solidariedade ao P.Socialista pela perda de um seu líder histórico.

DA CRÍTICA...

... E DA SUA MICROLOGIA...

" Néscios os que deploram o declínio da Crítica. É que a sua hora há muito está ultrapassada. A crítica faz - se a uma distância adequada. Está à vontade num mundo em que o que contam são as perspectivas e as ópticas e em que ainda é possível adoptar um ponto de vista. Entretanto, as coisas caíram sobre a sociedade humana de modo demasiado escaldante. A " imparcialidade ", o " olhar objectivo ", tornaram - se mentiras, ou até expressão perfeitamente ingénua de uma banal incompetência. " - Walter Benjamin, 1928

...  NOS MEDIA

" O « e » é a moral dos jornalistas " - Peter Sloterdijk in Crítica da Razão Cínica

" Os mass media foram os primeiros a desenvolver uma capacidade que nenhuma enciclopédia racionalista, nenhuma obra de arte e nenhuma filosofia de vida conheceram nessa medida: com uma compreensão imensa, dirigem - se para aquilo com que a grande filosofia nunca conseguiu sonhar - a síntese total - no ponto zero da inteligência, é certo, sob a forma de uma adição total. Com efeito, admitem um empirismo caótico universal, podem falar de tudo, tocar em tudo, meter tudo na memória, justapor tudo. ( o facto de não apresentarem « tudo » é efeito da sua selectividade sempre considerável. A mentira por selecção? ). Com isso, são mesmo mais do que a Filosofia - são os herdeiros simultaneamente da enciclopédia e do circo.


A inesgotável capacidade de « ordenamento » dos mass media assenta no seu estilo aditivo. Só por se terem instalado no ponto zero da penetração intelectual podem tudo dar e tudo dizer, e tudo sempre repetido e instantaneamente. Têm um único elemento inteligível - o « e ». Com este « e » , tudo se torna literalmente vizinho de tudo. Assim se criam encadeamentos e vizinhanças que racionalistas e estetas estavam longe de esperar: medidas de economia - e - primeiras representações teatrais - e - campeonato do mundo de motos - e - imposto para as prostitutas - golpes de estado, etc. Os media podem dar tudo por terem abandonado completamente a ambição da Filosofia, que era também compreender o dado. Englobam tudo porque não apreendem nada; falam de tudo, não dizem nada...
... O « e » é a moral dos jornalistas., De certa maneira, têm de prestar um juramento deontológico que os obriga a, quando fazem uma reportagem sobre um acontecimento, aceitarem que esse acontecimento e essa reportagem sejam colocados por meio do « e » entre outras coisas e outras reportagens....
O jornalista é alguém cuja profissão obriga a esquecer como se chama o número que vem após o um e o dois. Quem ainda o sabe já não é, provávelmente, democrata - ou então é um cínico.

E, partiremos, com Sloterdijk, à análise desse « e »...


segunda-feira, janeiro 18, 2016

AUSÊNCIAS

ANDA MUITO BARULHO PELO AR....

... DEMASIADA INFORMAÇÃO, POUCA LUCIDEZ E REFLEXÃO E... MUITA, MAS MUITA MÁ - FÉ.

VOU - ME RESGUARDAR, POR ORA...

segunda-feira, janeiro 11, 2016

sábado, janeiro 09, 2016

MARCELO / NÓVOA

DAS PRESIDENCIAIS

Seria anti - democrático a definição prévia da importância das mensagens que os candidatos às eleições presidenciais queriam emitir junto aos eleitores, pelos Media. Felizmente o bom - senso imperou e tivemos debates de todos contra todos.
 A curiosidade de ver putativos chefes de Estado a definir projectivamente medidas inadiáveis de política interna e externa num quadro constitucional que atribui decisões nesses domínios ao governo em exercício, teve a vantagem de, perante o exemplo dado pelo presidente cessante, fazer JÁ a triagem sobre os candidatos a excluir nas nossas preferências. Para uma presidência de facção, de conflito, majestáticamente imbuída de poderes de guardião dos supremos interesses nacionais por si interpretados como representados por uma classe restrita de cidadãos da República, chegou e sobrou a experiência.

Sampaio da Nóvoa enfrentou Marcelo R. de Sousa com uma troca renhida de argumentos desmascarantes sobre as suas posições políticas passadas, enquadradas num campo definido de posição política - o da Direita -, recusando - lhe a condição com que se apresenta, como independente e supra - partidário, tendo como contra - ataque do M.R.Sousa a sua cidadania política com opiniões que toda a gente foi conhecendo ao longo de décadas, enquanto o seu oponente tem o vazio político que ele quer preencher numa promoção surpreendente de soldado raso a general.

A sua exacta noção, de ambos, sobre os poderes presidenciais evitou - lhes as " gaffes " que outros candidatos vão somando, num processo peteresco de auto - eliminação.

Aí está! Em Democracia quem, sobre as mensagens transmitidas ou a transmitir por candidatos a qualquer cargo público electivo, decide sobre a sua relevância mobilizadora somos nós.
Eu, por mim, reduzi as candidaturas a duas. E o pragmatismo teve tudo a ver com isso. Por razões bastamente substantivas e também ideológicas, votarei Sampaio da Nóvoa, na primeira e na segunda volta das eleições.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

DO SISTEMA FINANCEIRO

                                                         
                                                               Pedro Santos Guerreiro

OBRIGADO, PEDRO!...

...Pelo muito que me tens ensinado na " decifração " de como as coisas acontecem, como acontecem e porque acontecem no mundo da BANCA, nacional, para o caso, e internacional.
Embora não seja completamente um " tótó " nessa matéria, o que me tem permitido acompanhar as suas intervenções no " Expresso ",  e a síntese do fim - de - ano com " O DIABO QUE NOS IMPARIU ", agradeço - lhe o trabalho que juntamente com os seus colaboradores e colegas tem trazido ao nosso conhecimento...

BOM - ANO!


sábado, dezembro 26, 2015

DO CAPITALISMO SELVAGEM...

...E O ROUBO ÀS NAÇÕES

Por onde param os 15 a 25 biliões de dólares nos U.S.A. e entre 13.5 a 22.5 biliões de dólares na zona Euro que se encontram fora do sistema bancário normalizado, referenciado e regulado?

Toda a gente atenta sabe que estes biliões, surripiados à economia das nações, em termos da sua introdução virtuosa e socialmente útil na sua economia,  encontra - se alhures em offshores e em Fundos de Investimento, num sistema bancário - sombra, segundo o FMI, fora dos sistemas de regulação nacionais. Um casino global que NENHUM estado quer desmantelar. Porquê? Por pura corrupção dos seus representantes, beneficiários da sua existência clandestina.


Esse Mercado paralelo de especulação financeira tem ameaçado o FMI, que vê fugir -lhe o controlo, que sobre as nações em dificuldades económico - financeiras, impunha, soberana, a sua agenda ideológica e económica, na linha dos estados e dos bancos que o financiam. Um caos venal, sem agenda e propósito que não o puro lucro, sem estremecimentos éticos ou mesmo morais, portanto imoral. Daí a preocupação, não inocente, com a concorrência desabrida.

A famigerada regulação, através dos Bancos Centrais, por ser, objectivamente, cúmplice do sistema regular, fez fugir para um pousio predador os outsiders financeiros, melhor, especulativos, atentos às debilidades que ela apresentava e por arrasto, a economia e as finanças das suas nações, debilidades essas que a sua inacção, quando não incompetência e , por vezes, venalidade, criavam.
Depois é só poisar sobre as presas debilitadas. Que o digam os estados intervencionados, resgatados financeiramente após intensa, e nem sempre subtil manipulação político-económica.

( continuaremos... )

terça-feira, dezembro 22, 2015

B.A.N.I.F.


                                                          Maria Luís Albuquerque...

... a ex -ESTRELA CINTILANTE do Governo da Coligação de Direita que foi deposto na Assembleia da República que detinha a função de Ministra de Finanças, continua a revelar - se uma política de verbo fácil mas desmemoriada e... manhosa.

NÃO TENHO INFORMAÇÃO - foi a expressão mais acabada que se lhe ouviu na entrevista que concedeu à TVI, sobre mais um caso de aldrabice generalizada na Banca portuguesa.

" Apresentámos oito planos de reestruturação ( à gestão do BANIF que tinha como accionista maioritário o Estado português representado pelo Governo de que fazia parte e à Comissão Europeia... ), o último foi entregue em Setembro passado, o que revela um grande esforço do Governo no âmbito da reestruturação do banco. Ao mesmo tempo havia um processo paralelo para que fosse feita a venda "., palavras da ex - Ministra...

Vejamos - oito planos de reestruturação - OITO! E, todos foram rejeitados. Por quem? Quais foram os critérios de rejeição sucessivamente apresentados pelos decisores? De duas uma, ou os planos foram de uma completa incompetência ou a ideia subjacente nas suas apresentações foi a procastinação irresponsável e com dolo na resolução do que, em potência, então, se deflagrou nas mãos do novo Governo, agora.

DERIVANDO...

Por mim, a decisão governamental de proteger os investidores em desfavor dos contribuintes está éticamente errada e, políticamente, será um golpe sério, a arquivar no somatório das incongruências que os alibis da salvação do sistema financeiro, farão aparecer no futuro, com consequências das quais o P.S. não se poderá furtar à responsabilidade política em eventuais e sérias fracturas com os partidos que, hoje, o apoiam.
Este governo em funções será ideológicamente diferente nas soluções dos problemas ou será uma farsa sobre a qual cedo cairá o pano.