sábado, janeiro 21, 2012

PURA CHANTAGEM



A ex - Presidente do PSD congratula - se com o que ela chama de responsabilidade, patriótica, claro, da UGT, pela assinatura da chamada Concertação Social. Eu daria outro nome ao desfecho protagonizado previsívelmente pela UGT;  já nos habituou a essas responsabilidades patrioteiras em nome de males maiores...


" É melhor o mal inevitável em paz do que a guerra em troca de coisa nenhuma " , diz Manuela F. Leite e com ela TODOS os amorais pragmáticos deste mundo. Acontece que os danos provocados pelo pragmatismo escorreito dos Zés do planeta a braços com a sobrevivência tout - court, nem de longe se assemelham à amoralidade programática do Poder - são coisas completamente diferentes e metê - los no mesmo saco do entendimento prosaico é hipocrisia.
Tenho por mim que nenhum mal é inevitável a não ser as amorais manifestações da Natureza nos cataclismos e na mortalidade inexorável do humano.
Tudo o resto é evitável , até a Guerra, vista do ponto de vista da M.F.Leite, apesar de ela ter sido a catalizadora, em épocas de impasse e decadência intelectual, de mudanças evolutivas nas nações, como a História ocidental e mundial têm testemunhado.
Por outro lado, NENHUMA conquista social foi obtida de ânimo leve pela racionalidade governativa mas sim pelas necessidades, essas sim justificadamente pragmáticas, sociais das comunidades e sempre contra as reacções dos instalados, dos comodamente instalados em histórias acabadas por falta de alternativas que os debilitados, envelhecidos e conformistas neurónios demissionaram.
Essa dança patética à volta do umbigo na salvação de um sistema sem cura é deplorável, intelectualmente deplorável, por mais que os novos áugures da economia e finanças, substitutos rapaces da Política, estrebuchem com os números, deixando de fora das equações o factor humano.


É preferível a acção em troca de coisa nenhuma , que é o estado actual de resignação ao retrocesso civilizacional, que o mal maior do vérmico conformismo imbecilizante com que nos querem tatuar.

UMA HOMENAGEM...

... sincera de um bloguista ao senhor jornalista que reiteradamente me dá cabo dos posts, numa antecipação certeira, e para mim perturbante, na análise das coisas que nos acontecem. A razão de tanta coincidência no desmascaramento, fundamentado, racionalizado, històricamente enquadrado ( eu tento, pelo menos...) das acções políticas e não só, dos poderes da nossa praça, é - me uma desconcertante interrogação.
Eu não conheço o MST de parte alguma e ele nunca me viu mais gordo, nunca frequentámos as mesmas tertúlias e até ver, nunca me leu por aqui.
Suponho que a coincidência geracional e eventualmente as leituras e vivências pessoais que formataram a sua identidade terão tido o mesmo efeito em mim. Só pode ser isso... uma coincidência ambiental e cultural, justificada até pela ferocidade desportiva com que defende o seu FCP e eu o GLORIOSO.


A minha homenagem pelo seu trabalho como jornalista não é um afago narcísico e megalómano ( o contraditório ficará a cargo dos especialistas... ) por uma projecção oportunista do autor deste blogue; o meu ego está em paz comigo, a projecção da minha humanidade nos actos dos meus semelhantes é que não e daí a eventual megalomania, nas consciências conformistas, de que padecem os meus e definitivamente os seus reparos à narrativa comodista, conformista, decadente, irracional e por vezes estúpida que tem sido construída à volta e sob o alibi democrático e sem alternativas das soberanias actuais na Europa e no planeta em geral.
É que está TUDO em causa, nomeadamente a nossa Liberdade. Se isso não for razão válida de exigência de mudança o que será mais importante do que ela?


No arquivo ficam as minhas perguntas com que, já escritas, ia transpôr ( prefiro a pena antes do teclado...) para este espaço - ALGUÉM ACREDITA QUE...?

quarta-feira, janeiro 18, 2012

O CONFORTO E O COMODISMO...

... do primeiro ministro Passos Coelho incomodam - me. Essas duas palavras novas no léxico político do Governo e nomeadamente do seu responsável máximo têm aparecido com invulgar recorrência a pontuar o à - vontade de um político europeu ( deve ser caso único... ) a braços com uma crise sem perspectiva de saída, contida, manipulada pelas tautológicas equações dos rácios das agências de rating.


Conforto e comodismo a caracterizar uma burocrática subserviência a uma gestão exterior com laivos de desfasada aplicação taylorista no melífluo discurso parabenizante à responsabilidade e espírito de sacrifício dos que " abandonaram o espaço de conforto da reivindicação " em nome de um mal menor, de um pragmatismo insultuoso para o luxo dos idealistas, dos não - conformistas.


Paternalismo, Caridade, para os submissos e mão - forte para os dissonantes para quem a Crise não tem sido uma, na cínica avaliação dos danos colaterais, uma Oportunidade, mas sim um afunilamento inaceitável do Futuro, do progresso.


Passos Coelho é um político perigoso, com um homem- de - mão mais perigoso ainda - o sr. Relvas; o resto do Governo é formado por administrativos e alunos de sebenta. O seu parceiro da coligação, Paulo Portas, ocupado no enchimento do seu ego, deixou a Política a gestores de empresas e aos seus lacaios. Foi uma desilusão enorme...


Para quando o transporte desse desassossego que nos aflige, afligirá, já não sei, a maioria dos cidadãos para o conforto e comodismo daqueles para quem a crise tem sido uma oportunidade e não um travão às suas aspirações temporais, pelo contrário...

domingo, janeiro 15, 2012

A TACANHEZ CONSTRANGE - ME

Irresistível e incontrolável a marcha da mediocridade que atravessa hoje, verticalmente, as nações.


 Descobrir, na pegada, também ela imparável, da Globalização moderna, os traços de carácter responsáveis por essa decadência civilizacional e nos veículos transportadores dessa uniformidade, anti - natural, anti- racional, anti - humana e dar - lhes um novo significado, uma outra interpretação, uma ética abordagem, à luz das " descobertas " que sobre os Outros hoje se tornou possível, será inevitàvelmente uma tarefa para a próxima geração, que só do caos hoje protagonizado por uma racionalidade infectada pela cupidez, conformismo, manipulação, niilismo e principalmente Estupidez, há - de surgir; e surgirá como contraponto a essa racionalidade  por encomenda que hoje vigora triunfante nas esferas do Poder.


À Racionalidade ateia só uma religiosidade fundamentalista a poderá substituir, em triunfo, como ideia - não há outro posicionamento tão imune à corrupção racionalista, como reacção, do que este, pela suprema negação lógica transportada pela FÉ.
Longe de mim qualquer profetizante contaminação apocalíptica. Basta seguir os sinais que  o rastreio histórico das civilizações triunfantes, hoje memórias, ( e foram quantas???...) deixaram na marcha do Sapiens sobre o planeta.


A Tacanhez deprime - me...
Portugal entristece - me... como só me poderia acontecer com um espaço que amo e habito em exigência...

quinta-feira, janeiro 12, 2012

UM ACTO DE BARBÁRIE

A espécie humana, de pólo a pólo, de meridiano a meridiano é deveras singular e extraordinária na sua luta titânica entre os seus condicionalismos culturais e a sua razão biológica.


Anda na Internet um vídeo no qual se vêem quatro soldados americanos a urinar por cima de quatro cadáveres de guerrilheiros talibãs.


" Um acto de barbárie " - clama a chefia talibã, responsável pelo morticínio de milhares de inocentes através dos seus bombistas suicidas na sua luta contra a ocupação e pela manutenção da sua cultura.
 " Qual o problema ? " - perguntará o cínico, se eles já estavam mortos...


Bem, no Ocidente e até ver no resto do planeta, a vandalização, a profanação de cadáveres, é TABU e condenável moral e juridicamente. Menos respeito há genèricamente pelos vivos; basta anexar - lhes um rótulo ao qual as nossas idiossincracias e os nossos ódios reajam em consonância. EXTRAORDINÁRIO!


É claro que a nossa moralidade exigirá a condenação dos culpados por esse acto " exposto " de algo que à nossa consciência foi ensinada a repudiar.
Não creio que do lado de lá surja alguma condenação parecida em situações similares...
E... sejamos honestos, as chefias militares e políticas americanas e a nossa consciência só condenaram ou espera - se que condenem os factos devido à sua EXPOSIÇÃO pública; caso contrário ficar - se - iam por outras considerações que deixo à imaginação...


Isto tudo deixa - nos aonde? No campo universal da Hipocrisia que se tornou uma característica definidora do humano. Quanto mais refinamento menos a carga simbólica da aversão que provocava outrora...

quarta-feira, janeiro 11, 2012

O MEU É MAIOR QUE O TEU...



IDIOTAS!


O Golfo Pérsico e... quem sabe, todo o Médio Oriente, ameaça abrir mais uma frente de guerra. 
A fanfarronice iraniana ainda vai acabar muito mal para toda a região e para o Ocidente, que das coordenadas que lhe marcaram a designação e o desígnio lançou um novo olhar globalizante para o Oriente.
Irresistível, a provocação ao gendarme global e ao seu poderoso lobby político - militar, a possibilidade de  baixar as calças e exibir os seus argumentos, marcando, desta vez definitivamente, mais um território com o crivo do CAOS, mortandade e cínica reconstrução. ZAZ! PAZ! CATRAPAZ!, que a racionalidade, a inteligência na procura de compreensão da natureza do Outro e lidar com ela civilizadamente, é uma chatice pegada.
Time is money e está - se a perder tempo demais, correcto?

O EVANGELHO DA DESGRAÇA

Vivemos em clima de guerra civil não declarada?
Essa parece ser a perspectiva de ontem do jornal " I ", a fazer jus aos seus títulos de primeira página.


AMEAÇA de CAOS no estado - bastonário dos médicos ATACA revisão da lei contra o fumo - 600 estivadores ATACAM exportações - João Jardim com a CORDA NO PESCOÇO  - A Europa está a MATAR  a sua galinha de ovos de ouro -


Para dizer a verdade, acho que é falta de imaginação, a que um bom dicionário de sinónimos daria soluções; mas ao abrir o jornal descobri que era o dia editorial do impagável sr. Ferreira. Estava tudo explicado... Por outro lado, não pude deixar de honestamente concordar genèricamente com o seu texto contra os chamados higieno - fascistas, que só poderia sair da pena de um fumador, como eu o sou, com toda a irracionalidade assumida sobre o que faço ao MEU corpo.
Um dia destes estão a tratar - nos como párias e apoderar - se - ão também do espaço da nossa liberdade, não só a formal como também a efectiva.


A Burocratização, a uniformização mental e comportamental, caminha, nas mãos de formiguinhas diligentes em passo acelerado pelo regresso à estúpida mentalidade de colmeia. Pôr o fumo, num planeta motorizado pela queima de combustíveis fósseis ao nível da poluição ambiental e castigá - lo socialmente, é demasiada cretinice, mesmo para os burrocratas. A sua preocupação com o mau estado eventual da minha saúde é - lhes uma OBRIGAÇÃO exigível por qualquer cidadão que contribui para ela. A preocupação com a minha saúde, assim como ao resto da minha vida é - intransmissível. Os decretos que aos poucos me querem, em detalhe, gerir a minha responsabilidade com os outros atribuem - me, em extensão e compreensão, as características dos seus autores. Como não faço parte dessa manada, sinto - me ofendido.


DON'T FUCK WITH MY JOB! - dizia em letras garrafais um colete de um estivador em greve.
Lamento, aviso, ameaça, seja o que, em essência  foi dito aos decisores alerta - nos para a realidade PESSOAL de cada um dos cidadãos perante a complacência do resto do país que se está borrifando, com o eventual " É a vida... " com que sacudimos os ombros aliviados perante a desgraça alheia.
É que nenhum discurso patrioteiro, como agora está na moda, a pontuar a perda de milhões, a necessidade de sacrifícios em nome de um Bem Comum demoverá o sentimento dessa, agora sim, AMEAÇA individual que paira por cima da cabeça do cidadão trabalhador.


POR OUTRO LADO,
difícilmente veríamos o sr. Catroga com esses conflitos existenciais... Falou - se de um presumível conflito ético na sua nomeação como presidente do Conselho de Supervisão da EDP,  uma empresa de cuja privatização se encarregou enquanto ministro - conselheiro e negociador com a troika no seu desmantelamento como empresa pública.
Conflito ético? Que raio de coisa é essa? Talvez o perceba melhor o estivador na sua obrigação assumida de prover a família em segurança e bem estar, em risco hoje, assim como aos milhares de compatriotas afastados dessa manada amoral para quem não há espaço para esta treta de Ética, reduzida a um livro de cheques.

sábado, janeiro 07, 2012

SOBRE AS RELIGIÕES...

Recebi, em eco ao meu último post " EU PENSO QUE... " um e-mail/vídeo anónimo, contrapondo com o peso do academismo do Dr. Thomas Woods Jr., bacharel católico da Universidade de Harvard, os meus pontos de vista, muito soft, por acaso, sobre a incompatibilidade a prazo, dentro de um estado religioso ( a Lei religiosa como condutora política do estado ) entre a democracia e o fundamentalismo dogmático atrelado a qualquer religião expansionista, casos da religião católica e da religião islâmica.


A resistência do Islão perante a democratização prende - se exactamente com a consciência, não só histórica, ( testemunhada pela decadência irreversível do cristianismo, sim, os ritos permanecem assim como a superestrutura... ) mas também com a incontornabilidade de uma liberdade de culto ou ateísmo militante, filosófico ou prático, que a Democracia tem de, NECESSÁRIAMENTE, consagrar.
Em traços gerais, foi o que se pensou e se escreveu...


Qualquer confronto de ideias sobre as religiões, ( continuo a pensar enquanto escrevo, sem o coturno de uma cátedra, só com as minhas celulazinhas cerebrais... ) peca à partida pela introdução no debate de personagens paralizantes chamadas  DEUS, ALLAH, IAVÉ, QWETZCOATL, MANITU, ORIXÁ, ODIN, BAAL, ZEUS, BUDA, KAHLI que matam logo aí, numa mistificação atroz a que os crentes chamam Fé, a discussão sobre os contributos, definitivamente importantes, que professantes, como Homens, trouxeram em TODOS os campos de evolução do SAPIENS. A Racionalidade e mesmo o bom-senso bem que tentaram afastá- los, debalde, do mundo dos humanos.


A lista dos NOTÁVEIS das superestruturas religiosas, DE QUALQUER UMA, é tão extensa como a dos seus DEMÓNIOS.


O bom senso aconselharia a não irmos por aí nessa discussão... que nenhum desses deuses provávelmente apadrinharia, SOB O RISCO DE DESCREDIBILIZAÇÃO.
Daí, quem sabe?

DO ACORDO ORTOGRÁFICO

A ESTRUTURA ESTABELECIDA NOS MEUS NEURÓNIOS NÃO O ACEITA, PONTO FINAL!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

QUEM DIRIA...

                                                 

                                                       D. Manuel Clemente, bispo do Porto 



        " O fanatismo próximo do fantasmagórico toma o imaginário pelo real  as fantasias pela verdade... "





                                                       Barão de Holbach ( 1723 -1789 )

" Se derivarmos as nossas ideias de Deus da natureza das coisas, onde se encontra uma mistura de bem e de mal, este Deus, conforme o bem e o mal que experimentamos, naturalmente nos parece caprichoso, inconstante, umas vezes bom, outras velhaco, e desta forma, em vez de inspirar o nosso amor, pode apenas gerar suspeição, medo e incerteza nos nossos corações. Não há diferença alguma entre a Religião natural e a mais sombria e servil superstição. Se o Teísta apenas vê Deus pelo lado bonito, o supersticioso olha - O pela face mais medonha. A loucura de um é alegre, a do outro é lúgubre: mas ambas delirantes... "

De que Real falarão esses dois senhores? E de qual verdade? A do obscurantismo teológico,  a da natureza humana? Aonde pára a fantasia?

quarta-feira, janeiro 04, 2012

EU PENSO QUE...

Qualquer tipo de democracia a nascer no Islão, como espaço de fé religiosa, terá como modelo a república iraniana.
Qualquer compatibilização, que de boa ou má- fé se tente criar entre uma religião expansionista como o foram a cristã outrora ou o islamismo de então e hoje, e a democracia, acabará mal.
A História ocidental lembra - nos a sua época das trevas do domínio da Cristandade sobre os povos e as nações e a sua posterior libertação em dignidade, liberdade e racionalidade pelos iluministas. Hoje o cristianismo sobrevive por força da separação imposta pela liberdade de culto pelos Estados democratizados e ao seu deliberado low profile na arregimentação das almas sob o risco de se reduzir a um epifenómeno social.


Não poderá haver compatibilidade entre o Islão e a Democracia. O seu funcionamento a par, a existir, levará fatalmente ao desaparecimento de um ou outro por um processo natural de bom senso pela parte do lado democrático ou violentamente por parte do Islão, sempre que as evoluções caminhem no sentido adverso aos seus dogmas.
O Islão consagra a repressão das mulheres, dos não - crentes e dos infiéis. A Democracia é liberdade para todos os cidadãos, do culto e do ateísmo.
A ilusão do Poder ocidental que tem reduzido a democracia à sua expressão mais simples, traduzida em eleições, acredita que esta fórmula de controlo das suas nações e as dos Outros liberalizará as suas relações comerciais com o Islão, melhor, com o seu petróleo, na vã esperança da maleabilidade dos moderados que fatalmente chegarão ao poder, esquecendo - se que o islamismo é um elemento essencial de unidades nacionais entre os milhares de tribos que compõem o mundo islamizado e que prevalecerá sempre que os Guardiões da Fé tiverem de decidir. E como se vê no Irão DECIDEM, ANTES E APÓS AS ELEIÇÕES, que as há para TODOS os órgãos do Poder. Não poderá haver, aparentemente, nada mais democrático. As diferenças com as democracias ocidentais seriam de pormenor  se não se desse essa circunstancialidade de que eles decidem em nome de Alá e nós já matámos o nosso Deus e o seu substituto - a Racionalidade - não tem sido iluminada por NADA a não ser a Ciência. O resto é escuridão, no Ser, do Ser e para o Ser.
Mais vale acreditar em Deus, não vá dar - se o caso de ele se chamar Alá...

domingo, janeiro 01, 2012

2012

Começa hoje um novo ano e a ESTUPIDEZ de uns caminha a par com a leonina e predatória boçalidade de outros.
A mudança só acontecerá quando as vítimas, cansadas de tanto " correr ", resolverem enfrentar com a sua força - o Número, a multitude, os predadores. Essa é a lição da Natureza quando se reduz o real à SOBREVIVÊNCIA. Os artificialismos culturais apoderados e manipulados pelos poderes valem NADA perante a VIDA, pessoal e intransmissível, quando as regras do contrato social que permitiram o respeito à liberdade e à propriedade do Outro são contrabandeadas por uma lógica de dominação aberrante e irracional. 
É que não há NENHUM PAÍS NO MUNDO, melhor, nenhum poder instalado, que não possa ser removido quando, à bovina resignação se oponha a exigência do cumprimento das regras que permitiram a existência do social, da comunidade, equilibrada pela distribuição justa dos ganhos que esse impasse civilizacional permite.


A falência civilizacional prende - se à batota manipuladora das consciências por parte de uma venal apropriação do Poder em vigência, em qualquer parte do mundo, de uma negatividade individual, biológica, de cada um de nós perante o colectivo, produto de uma herança milenar a que se tentou opôr -se racionalmente com os conhecimentos então adquiridos.


A demissão, burguesa e elitista, que num espaço globalizado pelo (re)conhecimento dos Iluministas do planeta como o Real habitável de TODAS as teorias do Ser e do Ter, tem sido traduzida pela nova (!!!!????) Ordem, numa estúpida arregimentação das diferenças que a Terra criou nos seres que a habitam, numa interpretação provinciana, patética, criminosa, ( pelas consequências...) e tem sido a marca de água  de uma decadência intelectual que impotente perante a imperfeição interpretada do Homem, redu -lO à sua condição primeva.
Não interessa o nome com o qual se irá classificar estes tempos; o prenúncio de uma nova interrogação já aí está, inscrito nos astros...


Viva o Futuro!

terça-feira, dezembro 27, 2011

NARCISO DO MEU ÓDIO...


... E VÓS TAMBÉM, NOJENTOS DA POLÍTICA
que explorais, eleitos, o Patriotismo!
Maquereaux da Pátria que vos pariu ingénuos
e vos amortalha infames!
E vós também, pindéricos jornalistas
que fazeis cócegas e outras coisas
à opinião pública!
E tu também rebento fardado:
Futrifica - te espantalho engalonado,
apeia - te das patas de barro,
larga a espada de matar
e põe o penacho no rabo!
Ralha - te mercenário, asceta da Crueldade!
Espuma - te no chumbo da tua valentia!
Agoniza - te Milhafoles armado!
Desuniversaliza - te da doutorança da chacina,
da ciência da matança!
Groom fardado da Negra,
pária da Velha!
Encaveira - te nas esporas, luzidias de seres fera!
Despe - te da farda,
desenfia - te da Impostura, e põe - te nu, ao léu
que ficas desempregado!
Acouraça - te de senso,
vomita de vez o morticínio, 
enche o pote de raciocínio,
aprende a ler corações,
que há muito mais a fazer
do que fazer (TRAVAR , perdoa - me Almada!...) revoluções! ( é que os tempos são outros... )


... E tu, meu rotundo e pançudo - sanguessuga,
meu desacreditado burguês apinocado
da rua dos bacalhoeiros do meu ódio
co'a Felicidade em casa a servir aos dias!
tu tens em teu favor a glória fácil
igual à de outros tantos teus pedaços
que andam desajuntados neste Mundo,
desde a invenção do mau cheiro,
a estorvar o asseio geral.
Que mais penso em ti, mais tenho fé e creio
que Deus perdeu de vista o Adão de barro
e com pena fez outro de bosta de boi
por lhe faltar o barro e a inspiração!
E enquanto este Adão dormia
os ratos roeram - lhe os miolos,
e das caganitas nasceu a Eva burguesa!
...
... Olha para ti!
Se te não vês, concentra - te, procura - te!
Encontrarás primeiro o alfinete
que espetaste na dobra do casaco,
e depois não percas o sítio,
porque estás decerto ao pé do alfinete.
Espeta - te nele para não te perderes de novo,
e agora observa - te!
Não te escarneças! Acomoda - te em sentido!
Não odeies ainda que ainda agora começaste!
Enjoa - te no teu nojo, mastodonte!
Indigesta - te na palha dessa tua civilização!
Desbesunta - te dessa vermência!
Destapa a tua decência, o teu imoral pudor!
Albarda - te em senso! Estriba - te em Ser!
Limpa - te do cancro amarelo e podre!
Do lazareto de seres burro!
Desatrela - te do cérebro-carroça!
Desata o nó cego da vista!
Desilustra - te, descultiva - te, despole - te,
que mais vale ser animal que besta!
Deixa antes crescer os cornos que outros adornos da civilização!...


Almada Negreiros - excertos, abusivamente retirados, do Narciso do meu Ódio de Almada Negreiros


Que querem? Não estou nos meus dias...

sábado, dezembro 24, 2011

O " Almeida - Mor do Reino "





" Portugal precisa de uma boa vassourada " - tal é a exigência do sr. António Ribeiro Ferreira ontem, hoje, no " I ", como anteontem, como sempre, nos jornais que lhe sustentam a prosa reaccionária, salazarenta e bafienta. 
Para esse senhor, Portugal ainda vive prisioneiro dos sindicatos e de mitos ( sic ) como o da concertação social..., cito, e que essa ralé sindicalizada deveria ser toda arrebanhada ( ai que saudades do Velho, não é Ferreira? ) e posta a trabalhar numa democrática requisição civil.


Para o sr. Ferreira, as greves não deveriam  incomodar ninguém, nomeadamente o seu nariz aristocrático e o espaço entre as suas orelhas e se pudesse acabava com elas numa decidida vassourada.


É pena que tanto zelo faxineiro não possa ser aproveitado por nenhuma Câmara municipal, nomeadamente nos dias em que os seus empregados de limpeza, incomodados com tanto mau cheiro com que certas luminárias empestam o ar, se afastam por umas horas do seu trabalho.


Fica aqui a sugestão da sua requisição civil para quando necessário...
É gente desta fibra patrioteira que o País precisa, não é?

quinta-feira, dezembro 22, 2011

ONDE PÁRA O CINISMO?



A Coreia do Norte chora em prantos a morte do seu líder mui amado e provoca no Ocidente uma vaga de  cepticismo sobre a possibilidade de em qualquer outra parte do mundo acontecer tão inacreditável manifestação de pesar pela morte do principal responsável da governação...

Do que isso nos diz sobre a nossa circunstancialidade desafectiva de incapacidade de compreensão empática dessa , para nós, despudorada manifestação pública de pesar pelo desaparecimento de um líder político, sem a referenciar como uma ópera bufa, também ela despudoradamente ensaiada, um reflexo contundente de como se manifesta sobre os povos o poder da lavagem cerebral e o medo induzido pela repressão, seja ela fascista, comunista, religiosa, cultural, financeira, económica ou...DEMOCRÁTICA, quando ela se nos apresenta, não necessáriamente com a face da Morte como em outras paragens, mas com a desconjuntividade oclusa de NÃO HÁ ALTERNATIVAS no OU...., OU reaccionário e tendencialmente autocrático que nos marca hoje o percurso histórico, é que há uma reflexão a fazer, sobre nós e sobre os outros.

Claro que seria impossível, ensaiada ou não, assistir, por enquanto, nas sociedades ocidentais esse tipo de pranto, por razões óbvias...

terça-feira, dezembro 20, 2011

RESERVAS...



Muito DIFICILMENTE comentarei o que diz, pensa e faz este senhor, a quem nunca compraria um carro usado, sem cair nos braços da Justiça. 
Se alguma vez tiver de comentar o que ele diz, pensa e faz, terei de usar de toda a minha civilidade para não cair no insulto.
Daí a ausência forçada de opiniões sobre ele...
Virá tempo...







PAZ COM A HISTÓRIA?







O ministro da Defesa, José Aguiar Branco, afirmou ontem, segundo o jornal " I ", que, cito, " Portugal vive mal com o tema da guerra colonial... e que é preciso fazer a paz com a História "


Eu quero crer que ele se refere à estória em vez da História, coisas completamente diferentes. É que a História regista os factos;  os historiadores e os interpretadores trazem à nossa memória a sua visão racionalizada, quero crer, se não seriam meras opiniões, do que, na mais das vezes, conheceram em segunda ou terceira mão.
Só as estórias do conflito continuam ainda a alimentar em desassossego algumas almas. A História, essa, registou um passado, cujas recordações traumáticas atira aos que como eu, lá estiveram, para outro campo de análise.
 Ora, isso é o campo da Psicologia e, ressalvando as consequências que sobre fracas almas provocou, tudo isso já é PASSADO. Basta perguntar aos angolanos, aos guinéus e aos moçambicanos e, eventualmente a alguns caboverdianos que ou de um lado ou doutro lá estiveram o que pensam da angústia existencial ( cinismo à parte...) do Ministro - a resposta seria uma gargalhada bem - disposta.


É também a minha...

segunda-feira, dezembro 19, 2011

PAULO BENTO



O actual seleccionador nacional da equipa portuguesa deu uma entrevista à " ÚNICA "  do Expresso e falou, de si e dos outros.


Sobre o seu perfil psicológico desvendou, ou melhor, reforçou o que, leigos ma non troppo, como eu já sabiam...
" Dou máxima liberdade, exijo máxima responsabilidade " - diz ele... Acontece que essa máxima EDUCATIVA tem as suas virtudes no relacionamento pais/filhos e é completamente improcedente e releva de uma arrogância e autoritarismo evidente na relação entre adultos pela projecção pessoal e  impertinente de um cargo hierárquico na interpretação do que é liberdade e responsabilidade para o Outro.


Sem renegar o papel de gestor/organizador que lhe cabe no funcionamento, TÉCNICO e não formador, de um grupo de homens adultos e responsáveis ( chegaria a maneira como geriram as suas carreiras profissionais...), não lhe devia caber, por uma questão de respeito, o papel de mestre-escola com que ele costuma pontuar a sua posição de TREINADOR TÉCNICO E... MAIS NADA.


A discordância, a queixa, o arrufo, as birras, a competitividade, dentro de uma equipa de futebol faz parte do seu normal funcionamento, mormente com as escolhas do seu técnico.
Saber gerir, sem juízos de carácter, os campeões na sua profissão, não é para qualquer um. Poucos o sabem fazer e Paulo Bento, se não fossem os circunstancialismos que rodearam a sua formação como homem, deveria sentir isso.
A questão que se põe quando se confunde o falar claro e ser frontal com falsas consciências não tem nada a ver com verdades e mentiras; o insulto, o autoritarismo, a ignorância,o ressabiamento, a mentira, as más decisões, por exemplo, também podem ter essas características, aparentemente virtuosas para Bento, sem deixarem de ser condenáveis, em juízo.


VIVA A SELECÇÃO NACIONAL! FORÇA RAPAZES!

domingo, dezembro 18, 2011

Da História moderna...

... após o decreto terminal da morte das Grandes narrativas resta um olhar apaziguador, comprometido, com o seu fim, de que a derrocada do experimentalismo soviético deu um grande empurrão com a incapacidade de conciliação da liberdade política com a construção de um estado TENDENCIALMENTE justo, afrontando os seus representantes com o cumprimento do compromisso que esteve na matriz da construção das comunidades, nações, estados - o equilíbrio das forças em presença em vez da lei - do - mais - forte.


Sobre o papel conformista e demissionário, pelo menos no que à sua componente científica diria respeito, dos historiadores modernos, após a derradeira tentativa falhada na ex- URSS, diz Peter Sloterdijk in Palácio de Cristal - .... por fim torna -se necessário pôr em prática um pensamento com uma configuração totalmente diferente - um discurso sobre as coisas históricas discreto, polivalente, não totalizador, mas, antes do mais, ciente da circunstancialidade das suas perspectivas.... E conclui ...- Nesta concepção, tudo é correcto, até à conclusão final, que quase sempre aponta para a direcção falsa, de RESIGNAÇÃO. ( sublinhado meu...)


O perigo do que ele chama precipitação na análise, necessáriamente circunstancial do historiador que escreve sobre a pressão dos factos e do calendário é evidente, pela distorção, quase sempre anexada a uma visão pessoal e comprometida com os factos decorrentes e a funcionar em velocidades tão pouco históricas.
Tudo isso veio - me à lembrança e como leigo deixo a minha apreciação sobre o desapreço do historiador moderno Dr. Rui Ramos sobre a escolha por parte da revista TIME, do Protester ( contestatário ) como personalidade do Ano.


O historiador faz uma distinção apressada entre o contestatário da chamada Primavera árabe e o contestatário europeu com uma, também denunciada linearidade por parte de Sloterdijk, distinção legitimada ( fantástica a nuance...) dos contestatários árabes, que na visão do historiador afrontam uma ditadura em nome de uma democracia ( vulgo, eleições... ) enquanto o contestatário europeu, já a viver uma democracia, só tem de se resignar às consequências incontroladas do seu voto e ponto final e não per der o seu tempo a tentar MELHORAR o que nítidamente fede por todos os lados, num mero hedonismo de protesto, útil para alimentar os circos mediáticos ocidentais  ( cito ), quando o que se pretende é discrição absoluta na estratégia do derrube e demolição de uma conquista civilizacional - o Estado Social.


Confesso que não soube exactamente como lidar com o texto e de quem estava a discordar, se do político, do comentador ou do historiador. O que eu sei é que o medo é muito grande e há razões para isso. Por enquanto, os sindicatos estão a fazer o papel controlador que lhes está na matriz..., porém não me admirava que da desobediência civil pacífica que tarda, se parta para uma escalada menos hedonista...


Os conselhos paternalistas, amestrantes, dentro em pouco de nada valerão àqueles a quem se aponta o caminho do exílio, porque não terão nada a perder, pelo contrário...


CUIDEM - SE!

AOS ESQUECIMENTOS CONVENIENTES...

... Que aos portugueses desatentos foram trazidos à sua lembrança, por M.Sousa Tavares no Expresso de ontem, convém um cotejo comparativo com o que nesse mesmo semanário tem sido dito e redito por esse poço de ódio e manipulação rasteira que, ao mesmo tempo que esconde os factos, insiste em bolsar estados de alma sobre o carácter de quem o ignorou e ignora - José Sócrates.


Miguel S.Tavares escreve sobre factos e sobre a injustiça das aleivosias interpretativas que sobre eles se escondem nos ataques rasteiros que semanalmente o Sr.Crespo nos traz nesse jornal, como o faz o sr. Ferreira no " I ".


Da compreensão do que faz um e fazem outros como esses dois, está a diferença entre duas maneiras de encarar o papel de um jornalista.
Eu cá prefiro a honradez de M.S.T.