sexta-feira, junho 03, 2016

D' a GLOBALIZAÇÃO...

...EM DIAS SOMBRIOS


A compreensão do que se passa hoje, a nível planetário dos efeitos da Globalização, mormente no alargamento, interacção e partilha de, conhecimento para uns e informação para outros, e na livre interpretação suscitada pelo, conhecimento para uns e informação para outros, tem sido, globalmente, ÍNFIMA, tanto para o especialista como para o curioso.

A reorganização do espaço/tempo sobre contínuas alterações globais, à luz dos pressupostos que uma visão, também ela pretensamente global, pretenderia apreender, remeter - nos - à, necessáriamente, ao EMPIRISMO, como processo analítico do real.
A verdade, porque conceptualmente relativizada pela contemporaneidade, volteia em voos de colibris à volta da flor BURROCRÁTICA indiferente a todas as referências que a Tradição, um elo histórico de continuidade entre o passado e o futuro, foi cimentando e PASMA - SE com a ausência de imaginação que hoje suscita.
A Utopia platónica, um desafio criativo - Governai as vossas vidas. A maior parte das coisas que vos dominam, podeis derrubá - las... - encontrou pela frente o choque da realidade sistematizada em Aristóteles - Conheçamos primeiro um pouco mais da Vida e entretanto sirvamos o rei.
O rei, o PODER, hoje encontra - se, passados 2500 anos no organizador do CAOS, no Dinheiro e nas suas representações simbólicas, como entidade, já não económica mas de representação do trono.

Toda a esperança humana de ser dona do seu destino vai morrendo connosco, nos desertos islamitas, nas águas do Mediterrâneo, nas florestas africanas, na deliquescência amoral europeia, no paradoxo de crescimento norte - americano, na venalidade política sul - americana e no barbarismo asiático.

A irredutibilidade fatalista, predestinada, adquirida, de um CAOS, cujo movimento escapa ao controlo da Ciência do Humano, torna - nos depositários do Destino.
De humilhação em humilhação, onde ainda brilham, breves, sobressaltos científicos, e sem saber voltar, de novo, a si, esgotada que é a Filosofia após a morte dos deuses, a espécie ocupa - se, especializa - se em sobrevivência, planetária, nacional, individual, pessoal e rende tributo a Prometeu.

Uma serena decepção pontua, quase vencida, uma geração de combate, a minha, O rock morreu, o amor é um lugar estranho e a Paz uma bofetada diária.
Sinais de decadência, a minha e um turvo olhar de velho, poderá opôr - se - lhe a Esperança, a virtude dos aflitos que os factos supliciam, diáriamente. E o ciclo de retorno fechar - se - á, até que, livre das correntes, Prometeu roube segredos novos aos deuses e nos ache dignos de partilha.

segunda-feira, maio 30, 2016

AINDA EM PLANAÇÃO...

EXPRESSOANDO

O director do Expresso, Ricardo Costa, a seu modo descobriu uma nova vaca voadora de seu nome PCP do qual não vê, não, não é a vaca, que essa viu - a, nenhuma preocupação com o desemprego, " que escapa(ndo) quase em absoluto às prioridades do Governo ", não provoca nenhuma reacção fracturante no apoio parlamentar que dedica à Coligação de Esquerda.

Costa, o Ricardo, não o António, diz que cabe ao Governo a responsabilidade do coma induzido ao empreendedorismo que tarda em abalançar - se em novos investimentos. Abrindo um pequeno espaço paralelo, lembramo -nos do que está a acontecer na Venezuela, o novo alvo do Liberalismo predador. Também aí o coma induzido pelas empresas, de distribuição, de importação e de transportes e comércio, tem sido a estratégia capitalista de pôr o ónus do despautério da fome e da humilhação nacional sobre um governo de Esquerda de um " desclassificado " sindicalista. No Brasil a estratégia foi outra e parece que está a resultar.
Voltando ao R. Costa, o cego Governo do irmão - talvez sem o perceber - diz ele, estaria a favorecer quem tem ( daí a acoplagem do P.C.P ) e nada faz por quem nada tem.
Francamente não sei e li o comentário até ao fim, de que é que ele estaria a falar, já que, causticando um programa em andamento operacional de cujos resultados nem o mais ilustre guru económico, meu Deus como abundam... tem, para já os resultados, é, no mínimo... esotérico.

" ESTAMOS TODOS FRACTURADOS "...

... OU TURBINADOS, como diria a cantora

... Alerta - nos numa deliciosa e kínica prosa, como diria Sloterdijk, Miguel Sousa Tavares, a respeito da fracturação dos Costumes que uma minoria, convicta de que todas as Ideias victoriosas, hoje, foram históricamente minoritárias, persegue com denodo. ( A propósito, para ofensa dos animalistas, eu abateria sem pestanejar o gorila americano que " brincava " com o puto de 4 anos que inadvertidamente e por desleixo dos sapiens papás se pôs ao seu alcance... )
Voltando ao assunto, não houve desvio, esta desconstrução da Tradição, que, a meu ver, se está a apoiar na mais imbecilizante narrativa do políticamente correcto que não em nenhuma pressão colectiva que uma mudança estruturada no tempo urgiria, está a ter mais audiência do que deve e como assunto de agenda pública, um abuso lobista inaceitável..
Remeto - vos à prosa bem humorada e... séria do cronista no Expresso último.

PAIRANDO SOBRE UM NINHO DE...


A " LUTA " DOS COLÉGIOS SUBVENCIONADOS

Só tenho mais uma coisa a acrescentar à pouca vergonha desta manif na arregimentação, em prol de interesses corporativos, dos pais e dos alunos frequentadores eventuais e temporários dessas instituições de classe - INDECOROSO!


OBAMA, the fake eraser

Uma enorme nódoa moral e humanitária protagonizada pelos USA com a complacência, se não com o apoio do Ocidente contra o Eixo militar composto pela Alemanha, Itália e o Japão e que não por acaso levou uma hecatombe ao Extremo - Oriente, com a deflagração de duas bombas nucleares, sobre Hiroshima e Nagasaki, tentou o actual presidente dos USA, apagar digo tentou, já que não se desculpou perante as vítimas civis dizimadas em circunstâncias atrozes.
O não ter pedido desculpas e sem ser abusivo e cínico perante os seus apelos de contenção no uso de tal armamento só poderá ser interpretado de uma só maneira - Se as circunstâncias que provocaram o dilúvio nuclear se repetirem, ( quem as avaliará? ) voltará a acontecer.
DE QUE SERVIU, ENTÃO, O CERIMONIAL E A SUA INTENCIONALIDADE NÃO- EXPRESSA? 

Uma vénia ao António pela caricatura que inspirou a prosa...


quarta-feira, maio 25, 2016

NÃO É DE HOJE...

... O sentimento íntimo, já não tanto assim indefinido, de perda de um rumo e de um querer, misto de Utopia, esse objectivo imbatível no espírito do sapiens, e de pragmatismo na construção colectiva há tanto tempo adiada. 
Uma Europa assim ansiada só cumprirá o seu humanismo quanto mais definidas estiverem as identidades que a formataram. Portugueses cada vez mais retintamente tugas, espanhóis furiosamente espanhóis,  alemães cada vez mais rigorosamente alemães, os italianos, caóticos e apaixonados e por aí fora...
 Esta soberana e insuperável riqueza cultural, hoje sob o impiedoso ataque de uma predistinação imbecil e imbecilizante, terá de prevalecer por sobre todas as burrocracias do Pensamento e da Acção, ou então...

Dizia, em 1992, Virgílio Ferreira...
" Europa, Europa, minha aflição, meu desespero. Capital do mundo ainda o és, porque tens, mesmo na velhice, os sinais, para os outros, de como terão de envelhecer. A Grécia esplende no fundo dos tempos e da humilhação. Esplende. A Grécia, ó Europa inteira. Tens o vírus do contágio no ar que o mundo inteiro respira. Que é que significa a falada " Crise ", fora da crise que és? Se amanhã fores submersa pelos pretos e amarelos e ismaelitas e a tropa dos computadores, o teu germe continuará no fundo das trevas e é daí que continuarás a iluminar. Europa, amada Europa, terra da minha condição. Eu te saúdo na tua doença ou agonia. E te quero.E te quero. "... em Pensar 451

terça-feira, maio 24, 2016

BALANÇOS...? NOT YET...

NHIC - NHAC...

...Vai caminhando a geringonça, seguida da caranguejola neste Portugal de Maio. Logo atrás, agoirento e ameaçador o " PAPÃO " da Manela, vigia.

BORING!!!! Nem o bicho - carpinteirismo loquaz do Presidente e os ajustamentos modistas dos Media e, principalmente, dos gurus da opinião, nos animam.

Que venha o Verão, JÁ!

domingo, maio 15, 2016

BENFICA TRICAMPEÃO


ESTÁ - SE BEM!...

O BENFICA É TRICAMPEÃO, TEMOS UM GOVERNO DE ESQUERDA E O MARQUÊS FICA MELHOR DE VERMELHO...

CARREGA, BENFICA!

quinta-feira, maio 12, 2016

CONSUMMATUM EST


DILMA ROUSSEFF

A presidente do Brasil foi vítima da mais feroz sanha política que os meus olhos assistiram até hoje. Para mim, foi um GOLPE político orquestrado, à boleia da corrupção que, como presidente, não soube atalhar e combater. A desfaçatez com que a Corrupção, política e não só a abateu, por ora, denuncia a profundeza icebérgica que ela representa na sociedade brasileira e a sua repartição por todos os estratos políticos representados nos órgãos do Poder e, aparentemente, com o conformismo militante dos seus cidadãos para com uma realidade abjecta e desprezível que mina a credibilidade de qualquer democracia que se dê ao respeito.

quarta-feira, maio 11, 2016

DO PAÍS...


                                                                  António Costa

CLAREZA, TRANSPARÊNCIA...

...E uma voz audível no meio da cacofonia histérica pela qual se pontuam os Me(r)dia nacionais desde que o dirigente socialista passou a dirigir o governo do país.
Acabo de o ouvir na entrevista que deu ao ministro das Finanças, perdão, ao Gomes Ferreira na SIC.

Acho que, plagiando Vieira da Silva, não foi preciso fazer um desenho para que os portugueses percebam o que está por trás da guerra dos colégios e os ataques concertados contra o Ministro da Educação. 
Costa não o disse mas digo - eu. O belíssimo negócio dos colégios subsidiados pelo Governo no sentido de colmatar,TEMPORÁRIAMENTE, as deficiências no parque escolar secundário do país foi, entretanto interiorizado pelos principais interessados como um direito adquirido, o que, pelas contratualizações feitas, e do conhecimento dos pais e proprietários dos colégios, está longe de corresponder aos factos. Nunca houve da parte do Ministério de Educação a intenção de rasgar os contratos ou de penalizar os alunos como a Oposição sabe. O que interessava, políticamente para uns e económicamente para outros era o BARULHO, para o qual os alunos foram desprezívelmente aliciados.
Todas as matérias com que o barulho tem alimentado uma fauna insaciável de bate -bocas, os gli intelligenti, os papagaios, e as opiniões encomendadas, foram limpidamente desmontadas e... sem barulho, da Banca a Bruxelas, do déficit aos planos de estabilidade, da geringonça ao interesse nacional.

domingo, maio 01, 2016

EXPRESSOANDANDO...

...PELAS QUESTÕES, MÚLTIPLAS,...

...que a leitura do semanário EXPRESSO, através das opiniões e comentários aì formulados me suscitam e com a ignorância  do especialismo dos doutos, dou - me comigo a pensar alto, por vezes...

Se, a propósito de uma matéria que tem feito florescer tanta cabecinha, ou não fosse também ela nebulosa , por vezes esotérica,  de que toda a gente descobriu - se lettatore, bem podia eu tentar estimular essa capacidade ímpar de, tautológicamente, sobressair conclusões, tantas consoante os meus dados de partida. Por razões que outros, mais sábios, poderão descortinar, acabo sempre, como o outro, por ficar com as questões.
Em Portugal, quase todos os jornalistas botam faladuras sobre questões orçamentais e debitam o economês com a mesma desenvoltura com que poderiam ler uma pauta de Beethoven. Um mimo.

Eu cá pergunto - Se se quiser um plano de controlo da margem orçamental, por que diabo preciso de uma " margem orçamental " a provar que esse controlo é possível, é exequível?
Se os parâmetros, " incontroláveis ", da definição desse plano se encontram alhures, ou seja, fora de controlo estrito da sua aplicação nas equações definidoras do processo de controlo, por que a admiração Mediática e Merdiática com as " oscilações "  não concretizáveis de curto e médio prazo a definir em qualquer Plano de Estabilidade, ou outro?
Se há uma situação que requer táctica política quase global por que exigir estratégia globalizante? Um néscio político fá - lo - ia, certamente e tivemos exemplo disso e suas consequências fracturantes e descredibilizadas.
O plano CSVACEO ( cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas... ) congeminado por Ricardo Costa, editorialista do semanário, e atribuído, por osmose de espelhamento exemplado pelo ex - Presidente Cavaco ( Se duas pessoas... blá, blá, blá...) que aos desafios políticos de curto - prazo,  económicos de médio e financeiros de longo prazo, só pode ser visto, numa interpretação de outra polaridade que não a insinuada, como, a existir, a mais correcta políticamente, o mais adequado económicamente e o mais sensato financeiramente.
Lá está, uma questão de perspectiva que as questões costumam enquadrar. A mobilização PRUDENCIAL que parece ter atacado os Media e os Merdia não parece afectar muito as perspectivas esperançosas e pouco impressionadas do ZÉ, apesar da séria situação de entrave que a Europa reaccionária e ovelhizada insiste em impôr aos anti - TINA.

Para já a concertação à cabeça do Estado prova que a inteligência política não é para todos. Aos Burrocratas politizados, nem por isso. Outros nomes terão, seguramente...

Muitas outras questões pôs - me o jornal... e voltarei a elas

quinta-feira, abril 28, 2016

SÓ POR PUDOR...

... E ESTUPEFACÇÃO...


...AINDA NÃO EMITI OPINIÃO SOBRE O QUE SE ESTÁ A PASSAR NO BRASIL.
É - ME DIFÍCIL CARACTERIZAR UM PAÍS TOMANDO A SUA CLASSE POLÍTICA COMO EXEMPLO E REFERÊNCIA, ASSIM COMO O POVO QUE A ESCOLHE.

SÓ O PODERIA FAZER ATRAVÉS DO CONHECIMENTO DA PULSÃO ÉTICA DA SUA CIDADANIA, JÁ QUE DA SUA POLÍTICA, DA SUA ECONOMIA, DO SEU RACISMO, DA  SUA DESIGUALDADE SOCIAL, JÁ TUDO FOI DITO E, CURIOSAMENTE, NÃO POR ELES, COM A ATENÇÃO E INDIGNAÇÃO QUE MERECERIAM.

SIGO COM ATENÇÃO A MARCHA DOS ACONTECIMENTOS...

AINDA com GASSET...

...E O IMPASSE CIVILIZACIONAL

" Ao usá - los, nunca se manteve acima deles, como qualquer homem responsável deve fazer, conservando o domínio do seu funcionamento, dono assim do seu próprio destino e, portanto, do porvir histórico. Não vale a desculpa de que não se podia ver do interior desse século o quie lhe faltava, porque as individualidades verdadeiramente superiores daquela idade - uns quantos homens de esquina, meditabundos - o previram com toda a clareza e o declararam com todo o rigor.

Um raciocínio simplíssimo levava a essa antecipação. O instaurador da democracia não fora educado em democracia mas no " antigo regime " ou no resíduo ainda persistente da sua atmosfera ética. O iniciador do especialismo não era, por seu lado, especialista, antes possuía ainda a enciclopédia da sua ciência. A indústria triunfante não se alimentava do ar público por ela criado, antes se beneficiava de quanto na sociedade ainda sobrevivia do abiente pré - industrial. O século XIX, pois, juntava as vantagens dos novos princípios às sobrevivências favoráveis do anterior. Ele não era filho de si mesmo. O que de inovação radical havia na sua obra - a nova organização da vida - não reactuava ainda na sua vida. Mas era evidente que se evaporavam, geração após geração, os restos do século XVIII e ficavam em seco, isolados, os novos princípios. O Homem nascido para a vigência plena destes, e só destes, era o filho da Revolução, o novíssimo Adão.
Porque não interrogar - se automáticamente se esse novo tipo de Homem tinha condições para continuar o plano histórico que o século XIX inicia? Porque não interrogar - se se o educado na pura democracia será capaz de ser democrata carecendo de ética complementar? Se o especialista nato poderia ser na verdade « homem de ciência » ou antes perderia todo o contacto com as raízes mesmas do saber? Enfim, se o industrialismo abandonado à sua própria gravitação não se anularia - por causas múltiplas - a si mesmo?

O século XIX não quis responder a estas perguntas e por isso as respostas andam agora na reua caminhando pelos seus próprios pés. São o problema gigantesco, ímpar na História, que aquela centúria tão gloriosa nos legou. O filho da democracia liberal é de intenção anti - liberal e, com rigor, anti - democrata ( sendo ao mesmo tempo uma coisa e outra ). O filho do especialismo científico não sente entusiasmo pela ciência. O industrialismo filial daquele triunfante começa a perder a própria cabeça. E tudo isto é - o o homem - novo galantemente, cínicamente, futilmente. Porque não mostra sequer a pretensão de ter superado todas essas coisas num novo sistema de normas vitais mais acutilantes e exactas. Parece disposto a viver em seco, sem normas, sem projectos de nenhuma classe ".

Este poderoso e lúcido lamento do filósofo do " vitalismo ", apesar de datado, em circunstâncias penosas para o Ocidente, então, remete - nos a um eterno retorno historicista que o dealbar do século XXI ressoa em cristalina constatação. Nunca como agora o planeta se viu servido de tão extraordinários instrumentos, que marcam uma evolução a que a Razão obriga. Só o seu portador - HOMEM - permanece irredutível às mudanças que as suas descobertas, em todos os campos do Conhecimento, o urgiriam.
Simplesmente aterradora a visão de um futuro em impassante GESTÃO BU(R)ROCRÁTICA a que já nem o Pensamento escapa...

terça-feira, abril 26, 2016

RELEMBRANDO GASSET


                               



                                                                ORTEGA  Y  GASSET

E DO PORQUÊ DAS COISAS SEREM O QUE SÃO, HOJE...


" A glória do século XIX foi a implantação de certos princípios que criavam uma vida pública radicalmente nova e oposta, no essencial, à de todos os tempos. O homem que governa esse século não teve de inventar esses princípios nem sequer as formas primeiras, embrionárias da sua aplicação.
Educado no século XVIII, recebe dele todo esse tesouro e, além disso, o impulso ideal que move internamente o seu ânimo. Não tem, pois, grande mérito o ter - se lançado enérgicamente na execução de tão magnífico programa vital. Só numa coisa podia esse homem do século XIX ter mostrado a sua genialidade, a sua relevação de alma: no cuidado que poria ao realizar o empreendimento, a vigilância e sentido de responsabilidade que presidiria à sua marcha. Três séculos - na verdade toda a história europeia - se tinham esgotado para desafiar esse maravilhoso projecto que foi posto nas suas mãos. Nada mais fácil do que lançar - se a ele. Apenas iniciada a sua instauração comreça a produzir efeitos fabulosos.
O homem do século XVIII não viu funcionar em plena vigência nem a democracia, nem a experimentação, nem o industrialismo que inventara. Ignorava, pois, as repercussões do seu funcionamento sobre a natureza humana. Ficava para o século XIX o compromisso de completar aquele sistema de princípios com um sistema de correcções e complementos inspirados na prática.
Pois bem, é curioso notar a constância com que o século passado falta a esse compromisso. Não compreende que ao educar os homens em novo regime de democracia é também preciso ensinar - lhes algo mais do que democracia, isto é, algo mais do que os seus direitos, a saber, as suas obrigações. Não compreende que a Ciência, ao tomar o caminho experimental, tendia inexorávelmente a dissociar - se num especialismo mecânico que era forçoso compensar de alguma maneira para manter a própria substância da Ciência, que é a sua unidade. Não compreende que o industrialismo abandonado à sua própria índole torna a humanidade escrava da produção, dando assim à economia um  predomínio na vida pública e na privada que significa uma deformação monstruosa do organismo humano. Ou melhor: compreende tudo isto, como não podia deixar de ser, mas não cumpre os deveres que essa compreensão automáticamente lhe define..
Quanto mais se analisa o século passado mais claro se vê que quase tudo o que nbele é bom, não é dele mas do século anterior e que apenas uma tenaz prevaricação histórica é totalmente dele. Faltou conscienciosamente a quanto na sua missão histórica implicava dever de inventar. Não acrescentou nada essencial ao já recebido, antes se deixou deslizar pela encosta que os princípios herdados indicavam.

( continuaremos... )

terça-feira, abril 19, 2016

O OVO, O GALO, A GALINHA, O CAPÃO, O BLOCO e o resto...


- De que género é aquilo? pergunta um galo ao outro. Depende, pá...Põe ovos? Não parece uma galinha mas também não é como nós. Deve ser um capão. ou está à espera de fazer dezasseis anos para decidir se o fará ou não. Disparate, disparou o primeiro. Pôr ovos ou não não define , hoje, o que aquilo quer ser. Agora é - se it e dentro disso cabem eles, elas e uma fornada de alternativos à la carte. Quem quer chocar, choca... quem quer galar, gala e quem quer chocar às segundas, quartas e sextas e galar às terças, quintas e sábados e deixar os domingos para mamar tem o menu completo e a felicidade total. O que vale é fugir à classificação troglodita do antigamente.
- Agora confundiste - me de vez. Queres dizer - me que já não nos classificamos em galos e galinhas? Bem, vamos lá perguntar àquilo de que sexo é. Pode ser que nos elucide, a mim pelo menos.

- Olha lá, pá... Tu és o quê, afinal? Não és galo, não pareces ser uma galinha... És uma espécie nova?
- Percebo a tua confusão. Acontece que sou um género diferente, apesar de também ser um galináceo, percebes? Não galo e nem choco, não me agacho nem galo. Sou um capão.
- Então, não pões ovos e não galas!!!??? - Não, isso são - me funções que morrerei sem exercitar porque, sabes, a minha imaginação não é muita e o meu tempo de vida curto. Uma lástima! Nem me posso dar ao luxo de escolher entre tantos ou, ou, ou, ou, ou, de que os humanos parecem ser capazes. Sabes o que acho? Penso que estão todos em vias de ser capões e ainda não se deram conta disso. Ao menos entre nós, sem ofensa, ainda brilham as vossas penas orgulhosas e as galinhas não são disfuncionais, por lá brilha o orgulho capão, perdão, gay. O macho é um ser anómalo e as suas companheiras seres confusas que ainda não se libertaram do seu atavismo, da sua armarianização educativa.

- Isto tudo é infernal, bufou o seu interlocutor. E como é que pensam resolver essas naturalidades junto dos trânsfugas?
- Segundo ouvi, pela desarticulação gramatical. Não haverá géneros no futuro mas sim uma  transcendência em processo para a demolição dos calamatches.
- E eles estão a aceitar este tipo de dessexualização genérica? E não bastava aos alternativos serem o que são ser chatear o pagode?
- Olha que não sei... Se calhar, as alternâncias estão a revelar - se uma seca e um fiasco. Uma neura, vá - se lá saber...

domingo, abril 10, 2016

BCE e PANAMA RAPERS, pardon, PAPERS

BANDO DE HIPÓCRITAS!

Quando oiço a U.E., a Comissão Europeia, o B.C.E. e o Conselho Europeu, exigir REFORMAS, REFORMAS aos mais débeis países da sua União!!!??? e a tecer lôas ao desempenho do servil governo de Passos Coelho que deixou Portugal com meio milhão de jovens desempregados ou precários, com um aumento brutal de impostos sobre a sua classe média reduzindo uma grande percentagem à sobrevivência aflita, um enorme fosso alargado entre os ricos e os pobres, ao mesmo tempo que pôs os seus cidadãos a capitalizar um bando de facínoras que estiveram à frente da Banca PRIVADA, cuja falência e revenda a desbarato a interesses estrangeiros, os cidadãos pagaram com língua de palmo, pergunto de que PÔRRA de reformas está a Burrocracia instalada em Bruxelas a falar?

MENTIRA!!!

" A importância dos « Panama Papers » é ser um golpe profundo nos offshores. Golpe que apenas a liberdade e a democracia permitem. " - Henrique Monteiro, Expresso 9/4 /2016

Confesso que o inefável H.Monteiro é, para mim, um caso sério de manipulação jornalística, que, pairando " afectuosamente " por sobre os fundamentados juízos críticos sobre a decadência democrática, hoje refém de interesses plutocráticos e venais, tece, invariávelmente, uma reprodução silogística entre o crédito e o débito históricos dos OUTROS regimes, sobre o que foi e o que é, para, no fim sossegar - nos com They are bastards, but ours.

Da impossibilidade de negar o lixo que se vai acumulando oscila no sim... mas condescendente com a porcaria numa cínica avaliação compensatória para concluir que a grande IMPOSTURA da Globalização Financeira existe, não há como não encarar a evidência monstruosa, existe, e devemos conviver com ela, assim como o fazemos com os micróbios, porque é, no Pensamento Único actual, da natureza das coisas. Brilhante conformismo, já que NÃO HÁ ALTERNATIVAS, não há outros caminhos a seguir.
Acontece que, desmentindo o comentador, NÃO é o regime que tem permitido, pelo contrário PUNE, as denúncias das malfeitorias que ele alberga no seu seio e que minam a sua credibilidade; são os cidadãos, INDIVIDUALMENTE, como no PRISM e, agora no escândalo das offshores, ou os GREEN ou os partidos políticos apodados de radicais que encabeçam a luta pela higienização do regime, deste ou os dos OUTROS. São eles os adversários incansáveis da PLUTOCRACIA que os conformistas instalados, quais necrófagos, se vão alimentando dos restos do festim.
Assacar o mérito destas " descobertas" e a sua denúncia pública ao mainstream, ao status, é no mínimo, indecoroso e uma falácia gritante.



JOÃO SOARES


PARA COMEÇAR...,

A minha solidariedade com a demissão do ex - Ministro da Cultura é total.
As " bofetadas " prometidas, e aspeio para enquadrar o que a nabice, intruja ou ignorante, fingiu não reparar nas palavras de J. Soares, foram, para uma sociedade histérica e efeminada, agora sem aspas, em que, a coberto de uma impunidade fruste de que a livre expressão se arroga, mais importantes de que os levianos insultos vertidos pelos críticos visados, nomeadamente o sr. Seabra.

A face da crítica, mordaz ou supinamente sarcástica, quando existe e se expõe corre sempre o risco de retaliação. Ora, escolher a forma e o conteúdo, a palavra er o modo da retaliação é, no mínimo, abusivo, arrogante e caricato.
Numa coisa concordo com os adversários de João Soares, que não com o coro hipócrita que os acompanhou que prefere insultos mais subtis e " civilizados " - João Soares não tem perfil para Ministro da Cultura e tampouco paciência para o ser numa sociedade que gosta de meias - tintas como marcador comportamental. A sua frontalidade iria obrigá - lo a um exercício insano na frequência da pretensiosa e provinciana elite intelectual lusa, prenhe de vacas sagradas inchadas de auto- suficiência.

... FEZ MUITO BEM!

sexta-feira, abril 08, 2016

O " LAGARTO ", ou é o " DRAGÃO ", FALANTE


                                                                    Octávio Machado

O COMUNICADOR

Não sei das ferramentas do sr. Machado que o habilitam ao cargo que exerce no S.C.P. mas sei do seu uso instrumental no cargo que detém. Vocês sabem do que estou a falar...

A psicologia invertida, que a matreirice saloia e chico - esperta faz uso e abuso junto aos incautos leitores e ouvintes que os Media dão a conhecer e que com o sr.actual Director do S.C.P. atingiu um traço caracteriológico assaz definidor do personagem, que do espelho retém uma referência comparativa e projectada dos outros a quem é suposto dirigir - se, já atingiu o nível de insulto aos neurónios dos sportinguistas e... dos outros.
A brincadeira, tipo teste de avaliação intelectual, com que costumo brincar com as minhas netas de 9, 7 e 5 anos que já só tem como resposta um franzir do sobrolho como devolução perplexa, tipo - Estás a brincar, não é avô? , não passa disto mesmo...

Ora, com o sr. Octávio, e outros espertalhões da nossa praça, que nas suas tácticas de rasteira psicologia manipulatória querem fazer deste exercício de cretinismo intelectual brilhantes achados estratégicos a justificar as suas remunerações, isso acontece porque é levado a sério, por eles e por alguns idiotas aparentados.
O sr. Director do S.C.P. ainda não se deu conta que os novos árbitros já não são os tótós do antigamente e que os seus êrros já só poderão ser julgados técnicamente, que não moralmente dada a sua, acredito, verticalidade ética.
Do ditado - O macaco é esperto porque é velho - só se pode inferir da velhice do primata, mais nada...

segunda-feira, abril 04, 2016

EXPRESSOANDO 2

AI ANGOLA!

Assim, não dá! Muito grato deveria estar o regime por ter, em sobressaltos reflexivos sobre a Democracia que lhes foi prometida, os jovens que, num processo, no mínimo, surrealista, em democracia, acaba de mandar para a prisão.
Só as ditaduras assim procedem perante a opinião crítica dos seus cidadãos.
Passo a lidar, assim, com uma Ditadura, que no seu processo de consolidação como nação me manteve expectante e esperançado na criação de uma burguesia que, formada, iria exigir mais liberdade aos seus líderes. Era, históricamente, um dado adquirido.
A esperança de não ver Angola seguir os passos de corruptas democracias africanas que nos envergonham tinha a ver com a convicção íntima de que José Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola era um líder moderno e civilizado.
Enganei - me, redondamente, Todo o prestígio interno de que gozava se foi. Resta a ameaça exemplada pela condenação de quem não se contentou com o estado do país a manter, agora por muito menos tempo, em sossêgo os cidadãos, cujas exigências democráticas sobre a governação se irão fatalmente acelerar.

Para já, o regime indicou - lhes os futuros novos líderes do país...

CONGRESSO DO PSD

O narcisismo pedante e presumido, reeleito líder de um " lindo partido " com uma votação à Coreia do Norte, reafirma, no Congresso da entronização, o pensamento que Cavaco Silva disponibilizou aos seus próximos, embevecidos, e à estupefacção geral - Nunca me engano e raras vezes tenho dúvidas - , pelo que a governação que tornou Portugal num protectorado do PPE e um dos mais débeis países da Europa, com uma geração perdida para o progresso do país que não para os que a recebem de braços abertos, foi, na cegueira conformista e servil do líder do PSD e ex - chefe do Governo, uma bênção que ficou a meio.
Um bouquet de narcisos a que outros desavindos não quiseram emprestar o fulgor unanimista e o tom da discórdia.
Foi pena!

sábado, abril 02, 2016

EXPRESSOANDO...

CASO SÓCRATES

O sr. Amadeu Guerra, director do DCIAP  alargou sine die o prazo da investigação de Sta. Engrácia sobre o ex - primeiro ministro, José Sócrates, indiciado, há séculos, por corrupção e lavagem de dinheiro, até Setembro do ano em curso e com a possibilidade explícita de um novo alargamento.


De uma afronta democrática aos mais elementares direitos de justiça devido a qualquer cidadão da República passou - se para o campo da imoralidade, incompetência e abuso de poder sobre um cidadão, ao qual não só lhe seria devido o respeito pelos elevadas funções que exerceu, que não suscitou, que se sente suspenso dos seus direitos constitucionais enquanto cidadão.

Para quando uma reforma profunda nos trâmites legais de investigação em Portugal que acabe de vez com o exercício miserável que, desde que Sócrates chegou ao poder se declina das fugas de informação e do " controlo " dos MERDIA e dos MEDIA decalcados da cartilha de Aldo Moro, à supressão dos direitos de plena cidadania aos " indiciados "?

O ODIOSO VERMELHO

O patrão dos lagartos teima, nas suas pulsões de soba clubístico, que temporáriamente exerce, em tratar os simpatizantes e sócios do S.C.P. como lagartixas, a mando dos três metralhas que compõem a sua Direcção.
Agora, segundo o Expresso, proibiu o uso, dentro das instalações da SAD, I presume, o uso do VERMELHO, no vestuário dos funcionários. Piramidal acto de gestão, este. Só falta proibir aos adeptos que demandem Alvalade, a mesma indumentária.
Na minha santa terrinha a gente diz que à vista do VERMELHO os bois embiam...

P.S. - Embiar é, na língua lusa, marrar.

PORTUGAL e o TERROR

( a prosa terá de ser cuidada, pelo que fica para depois; confesso que estou confuso com o que leio e intuo ser uma fraqueza inaceitável perante o Terror em nome do ISLÃO. )


quinta-feira, março 24, 2016

IMPOTÊNCIA?...

... OU INCOMPETÊNCIA...


... NO atalhar disto e na origem DISTO.

Essas são as questões que os cidadãos europeus tardam em esclarecer junto dos seus responsáveis políticos, exigindo a montante e projectivamente no exigir da sua segurança, dentro e fora do espaço europeu.
O não ter medo falacioso com que enfrentam ( enfrentarão!!!??? ) cada golpe terrorista nunca será uma resposta activa às agressões. Distraídos com a política interna, o dia - a - dia rotineiro do combate à exploração, à precariedade, ao desemprego, ao fim - do - mês, nunca se escrutina a política externa, o tipo de relações que, hoje, outros interesses estabelecem entre as nações.
O assombro do PORQUÊ e de como é possível não substituirá jamais as reflexões que urgem,ESTRONDOSAMENTE, tão estrondosamente como o deflagrar de cada bomba assassina.

A nossa tristeza não chega e tampouco a nossa convencional solidariedade com as vítimas.

É PRECISO MAIS!

quinta-feira, março 17, 2016

LULA e DILMA

AMBIGUIDADE MORAL?...



TALVEZ!, mas se numa situação, até ver, políticamente dramática como a que enfrentam tenham ouvido de GUSDORF a proclamação da assumpção da sua liberdade expondo - a " a todos os riscos da existência " , no caso também política, a Presidente do Brasil e o ex - Chefe do Estado resolveram " qualificar " as decisões sobre o seu futuro imediato remetendo - as, com a posse de Lula como Ministro da Casa Civil, para o Supremo Tribunal Federal.

GOLPE? Não o creio!
Legítima defesa? Absolutamente!
Só com muita ingenuidade não é descortinável neste processo uma demanda política anti - P.T. e, em corredio, a escalada naturalmente cúmplice por espelhamento, ou não, das relações inter - arguidos e suspeitos que o processo Lavajato permitiu INFERIR.
CONSPIRAÇÃO? O tempo que o P.T. vai ganhar na promoção e esclarecimento anti - (R)DIA, que lá como cá têm sido um veículo dos seus mandatários na demolição de qualquer projecto político que cheire a Esquerda, ajudará à reflexão sobre o seu posicionamento, não só político, programático e ético sobre a sua estrutura como sobre a " descoberta " pela Direita brasileira da Ética tout - court .

O que está em causa hoje no Brasil é uma violenta e decidida acção do reaccionarismo político da Direita brasileira contra o Partido dos Trabalhadores no poder. A tentativa do impeachment da Presidente, num impasse, suscitou um novo rumo de ataque à cúpula do Partido através de um tema fortíssimo no imaginário do país e, ainda hoje, na sua vida concreta - a Corrupção.
Tudo bem!
Façam - no com o respeito devido a TODO o cidadão da República e, se a coragem da presidente Dilma decidiu que só o Supremo daria dignidade às investigações, tirando o protagonismo aos Media e os títulos soezes aos MÉRDIA...
... POR MIM, TUDO BEM. Para mim, Lula é inocente das acusações até prova em contrário e não é vê - lo agriolhado, numa exaltação vingativa e mesquinha e simbólica, como pretenderiam certos intérpretes judiciais, sobre o P.T. que me faria mudar de opinião. Julgamentos populares induzidos por profissionais da intriga? Estou farto!

Prendê- lo para quê? Fugiria para onde? O Brasil?

P.S.
Um sintomático paralelismo da independência judicial exercida por puras vestais em templos consagrados de Democracia quando o assunto releva de substância política, concreta ou projectada, dá- nos o líder da maioria republicana no Senado, McConnell ao adiar até à posse do novo presidente dos USA a entrada em funções do juíz Merrick Garland, nomeado por Obama.
As razões? Políticas, naturalmente! E de prerrogativas, também! Obama tem o direito de fazer a nomeação e o Senado republicano, maioritário, de recusar. Ninguém andou fugido à Justiça, lá, como no Brasil ou em Portugal... 

Eu, se estivesse no lugar e circunstância da Dilma, faria o mesmo. S. Beauvoir aplaudiria...
A sua legítima defesa e directamente do partido de que é a mais alta representante é - lhe um dever que só uma Ética corporativa, instrumental ou muuuuito falsamente ingénua, desdenharia.

domingo, março 13, 2016

MARIA, MARIA...

MAIS UMA VEZ...



                                                                       Q.E.D.

" Nego rotundamente que exista hoje em qualquer recanto do Continente grupo algum enformado por um novo ethos que tenha laivos de moral... " - GASSET - século XX

Gasset referia - se a uma entidade nova parida por uma burguesia deslumbrada na sua escalada a um poderio de que não mais perdeu, representada por um  carácter a que apelidou de homem - massa.
Quase um século decorrido sobre essas reflexões sociológicas tão certeiras essa realidade impôs - se em todo o seu esplendor exactamente num espaço onde imperam as decisões que (des)orientam as ambições da diferença -o  da elite, da nata minoritária do comando e do mando tão glorificado pelo filósofo.

À medida em que a Ética se vai objectivando a todo o natural humano no seu relacionamento com o Outro e com o exterior representado pela natureza e os bichos, pelo menos ao nível da sua auto - representação e exposição política, assiste - se, na prática e onde não deveria acontecer, ao triunfo do solipsismo moral individual.

Sem querer focar - me especialmente nas incidências éticas que a situação despoletada pela ex - ministra das Finanças e a sua contratação pela Arrows, não posso deixar de me interrogar sobre qual o lugar da República onde se faz o julgamento ético sobre o que o ordenamento jurídico considera como isento de juízo, a não ser legal; naturalmente, não será a sub - Comissão de ética(!!!!???), já que ela não aprecia, portanto não julga incompatibilidades éticas mas sim legais.
A propósito, para quê essa designação? 
É que o sentido do que se quer julgar na sua percepção ética e que eufemísticamente é chamado de incompatibilidades é claramente desvirtuado, anulado, pela ausência de um JUÍZO formal e público, numa protecção incompreensível ( será? ) em casa própria que se abeira da hipocrisia mais fruste e do cinismo descarado.

Nada de mais, para sermos injustos como a matéria exige. Que a Política nada tenha a ver com a moral ( não terá? ) de cada um não é a mesma coisa que a abrangência comportamental estruturante que foi caldeada NO seu habitat durante séculos, essa coisa insignificante chamada Ética e que, quero crer, permite à Lei a sua soberania.

Fingir, ou procurar um conforto junto de quem, aparentemente, não enxerga a inconveniência sugere uma cumplicidade formativa evidente, por pura lógica comparativa.



                                                                  

quinta-feira, março 10, 2016

NOVO CICLO?

SUA EXCIA. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA


                                                         Marcelo Rebelo de Sousa

Tomou ontem posse como presidente da República um dos mais notáveis protagonista da política portuguesa.
No seu discurso de posse na Assembleia da República saudou a nação portuguesa e lembrou - lhe a sua História de grandeza que, palavras minhas, uma persistente safra de mediocridade educativa, política e ética tem estado, diligentemente, a apagar da memória da sua nova geração.

Um discurso formal, abrangente e adequado ao espaço da sua expressão.

Não gostei da falta de respeito institucional, político até, com que foi recebido pelos deputados do Bloco e do PCP.
Não foi um bom exemplo de quem enche a boca de democracia a atitude sectária contra um Chefe de Estado eleito com 70% de votos e um personagem político apreciado pelos cidadãos e que VAI COMEÇAR a exercer as suas funções.

segunda-feira, março 07, 2016

« O ÓBVIO ULULANTE »

ECONOMIA, CLARO! QUAL?

Socorri -me da criação de Nélson Rodrigues a pontuar o título deste post, na constatação de uma nova moda que está a brotar no mundo mediático e merdiático ( oi, Clara! ) do país.
Ela tem - nos trazido uma enxurrada de " especialistas " em economês a debitar bitaites por tudo o que é televisão, jornais e rádio de Portugal, de comentadores a jornalistas, de pés - de - microfone a serventuários encartados ao Poder do dinheiro - uma ternura...

A boca de Clinton - It's economy, stupid - pôde ser sempre declinada..

                                                              Assim...


como óbvio ululante que é, ou...

                                                          Assim...



Em Portugal, tornou - se hoje, quando a Política quer recuperar o que lhe pertence através de um governo de Esquerda, uma trombeta apocalíptica, soprada não só pelos " especialistas leitores de folhas - de - chá " nacionais como pela Burrocracia ingente de Bruxelas mais os aprendizes de feiticeiro dos Media.
E porquê este estardalhaço?
De Bruxelas sabe - se que há um Pensamento Único que se quer esgotar na T.I.N.A. e no conservadorismo tristonho do norte e centro da Europa, cúmplice histórico de uma Alemanha hegemónica, pelo que o boicote a-priori da evolução de um Orçamento anti - austeridade será um desígneo da U.E mormente face à indefinição governamental em Espanha onde um partido de esquerda progressista - o Podemos - está a condicionar fortemente as alternativas tinescas que estão a ser ensaiadas na tentativa de o manter longe das decisões sobre a política espanhola.

Economia, evidentemente! QUAL?
A DO ÚLTIMO SÉCULO FOI DEMENCIAL e ameaça, sem cura visível, o novo.

Alguém disse que o ser social só é transformado através e pela consciência. Será uma luta árdua contra um condicionamento que, até ver, desgraçadamente, funcionou.

sexta-feira, março 04, 2016

ECOS...

O QUE É ISTO?


GRATUITIDADE. PORQUÊ? PORQUE SIM..., 

...dirão os fracturantes que assolam o Bloco de Esquerda face ao cartaz provocatório e celebração, de maneira grosseira de uma lei que concede a possibilidade de adopção de crianças (também gays? ) por parte de gays em comunhão de perspectivas de vida e de tecto, I presume...

Foi uma bicada deplorável, por desnecessária, imbecil, pelo presumido efeito reflexivo, a uma ideologia consagrada em todas as paragens do planeta por milhões abastados de seres humanos. Há outras do mesmo cariz mas no Ocidente o Cristianismo, apesar dos ataques ainda ilumina muitos crentes.
Não sou católico nem professo nenhuma crença religiosa e, definitivamente, não sou estúpido; reconheço - lhe, sim, os trâmites e a definição dos seus contornos, que neste infeliz episódio ( ou era para ter graça? )  brilhou intensamente - na Lei e no cartaz.

quinta-feira, março 03, 2016

WAS IST DASS?


PORQUÊ ALI?


E QUAL FOI A MENSAGEM QUE O PODEMOS QUER TRANSMITIR?

SIMPLESMENTE A GRATUITIDADE DO GESTO E... PORQUE SIM?
NO SEGUIMENTO DESSA ESPONTANEIDADE UMA REFLEXÃO, QUE NÃO ABONA A TOMADA DE POSIÇÃO ILUSTRADA PELO GESTO.

terça-feira, março 01, 2016

MAIS UMA AUSÊNCIA...

...E DESTA VEZ, LONGA.

Fiquei sem a máquina, avariou - se.
Aproveitei para dar ordem aos meus livros e reencontrar - me com alguns autores que marcaram a minha geração, nomeadamente os existencialistas, tema de acesos debates e provocações - Sartre, Kierkegaard, Heidegger - numa época libertária, revolucionária, generosa, onde a possibilidade utópica marcou profundamente toda uma geração - a minha, a dos sexagenários de hoje.

O Homem é radicalmente livre e o único criador dos seus valores - pontuávamos, inebriados pelos sucessos contra as opressões que a Ordem, social, económica, colonial, política e moral estruturou até então - a Ordem burguesa - contra a qual se uniram as elites estudantis de então, os operários e... a Filosofia. Um choque epistemológico, diria Foucault, o desabar de velhas estruturas,os estruturalistas, com a nova abertura da Educação e da Ciência às massas, na ressaca da onda que varreu o Ocidente.

Apesar do pessimismo cínico com que hoje nos revemos na infindável Burrocratização do Pensamento no Mundo, no Ocidente, que dos anos sessenta, enquanto glorificávamos a Liberdade, as obreiras utilitaristas iam reestruturando, dos manuais escolares às Academias e às fábricas à boleia de um liberalismo oportunista que, cavalgando a abertura democrática contrabandeou - um choque de realidade - pragmatizam enfáticos, toda a generosidade humanista de uma geração.

Desgraçadamente, estão a ganhar. As consequências? Estão à vista de todos. A vingança está a ser cruel, já que são os nossos filhos os veículos e os protagonistas na nova Ordem[ !!!!??? ] mundial.

sábado, fevereiro 20, 2016

A SEMANA EM REVISTA

 OS VÍDEOS DO P. MINISTRO

António Costa, perante um panorama mediático dominado pelos MERDIA e por uma classe de " jornalistas " e comentadores declaradamente hostis ao governo e aos desenvolvimentos políticos que encetou,  decidiu - se por uma comunicação directa com os cidadãos através de vídeos explicando e enumerando os fundamentos de cada decisão que, no arranque da legislatura, terá de tomar ou já tomou.
 O barulho ensurdecedor terá sempre um contraditório por parte do P.S. e ajuízado seria e políticamente relevante que o P.C.P. e o Bloco de Esquerda fizessem, sempre que necessário, coro com um governo que apoiam na Assembleia da República. A tentação oposicionista, num reflexo de protecção partidária, terá de ser controlada, diáriamente. Um pé dentro e outro fora só em equilíbrio sustentável; a pé - coxinho torna - se difícil.

PERPLEXIDADES, OU TALVEZ, NÃO...

Há comentadores políticos e não só, que aprendi a respeitar durante toda a história democrática em Portugal, independentemente das proclamações partidárias de que a sua credibilidade pudesse sofrer numa análise crítica às críticas que pontuam o seu discurso. Nem sempre o meu respeito intelectual, é disso que se trata, acompanhou a adesão às análises por si efectuadas.
Últimamente, sejamos claros, desde que se perspectivou a mudança política histórica protagonizada por António Costa, chamando para o espaço de apoio a uma politica governamental o P.Comunista Português e o Bloco de Esquerda. adversários históricos  da mesma área política da Esquerda, que registo uma subtil mudança na análise política de muitos deles e que se caracteriza, hoje, por uma peculiar distribuição salomónica, tipo pau e cenoura, uma no cravo e outra na ferradura, das pancadas sobre o pecado capital que Costa cometeu e que contaminou, aos seus olhos, todas as suas acções futuras. 
A honestidade intelectual que não os abandonou e que, por respeito próprio e por quem os segue, continuam a exercitar não permite o desdém pelo que é política e racionalmente virtuoso nas decisões já tomadas pelo Executivo e com o apoio dos partidos de Esquerda, mas... permite, no balanço textual ou verbalizado, fixar um posicionamento idiossincrático bem definido.
Enfim...., curiosidades que uma filtragem de águas turvas deste novo tempo histórico me permitiu descortinar.
Consequências? Nenhumas, a não ser um afinamento de atenção...

BANCO DE PORTUGAL

( fica para amanhã... )

Desisti, depois de ler - Os bancos que nos sugam - de Miguel Sousa Tavares no Expresso

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

UMA AULA POLÍTICA ( 2 )

ANTÓNIO COSTA, em entrevista ao Expresso

Uma realpolityk que, oh céus! apeou a Direita, uma necessidade não só programática como também e principalmente ideológica, interrompendo a consolidação no tecido social do país de idiossincracias tinescas durante mais tempo.
As outras faces de estranhezas estão retratadas nas questões que se seguiram, às quais o primeiro - Ministro " limpou " com sabedoria e... transparência. Habituem - se!

Nenhum Estado que se preze deixa - se governar pelas agências de rating e pela mistificação económica que é o Mercado o que é diferente do que ignorar a sua existência em prol do Capital, dos seus patrões.
Investidores foram e são os fazedores de riqueza industrial, comercial e social; não são eles os protegidos pelas agências de rating mas sim a diletância predadora e venal, pelo que o respeito que merecem na sua actividade é ZERO, é LIXO. E, sim, deveriam ser os Estados a controlar as suas actividades e nunca, mas nunca o contrário.
Foi lastimável ouvir, de novo o ministro alemão Shaubble a tecer considerações sobre as opções políticas de Portugal quando não deu a cara perante Cameron e as suas exigências. O Deutchbank ainda não lhe tira o sono?

Só uma pequena lembrança - A escola de Frankfurt denunciou, no princípio do século XX, o contrabando que se infiltrava, através do seu braço económico e académico, nas democracias europeias pela criação de uma naturalidade elitista tida como necessidades ideológicas. Tal como agora, a Europa estava sobre as consequências de mais uma crise do Capitalismo e a resposta da elite foi o autoritarismo exercido através dos meios de controlo financeiro e económico. Hoje, abundam esses meios, desde as instituições da U.E nas mãos do P.P.E. ao Mercado, às agências de rating, à Academias de Economia e Gestão. 
É altura da Política explicar toda a construção que nos trouxe à TINA e não se ficar apenas pelas explicações de gestão económica. É que há ouvidos atentos que convém iluminar.

UMA AULA POLÍTICA


                                                              ANTÓNIO COSTA
                                                  ( Primeiro- Ministro de Portugal )

EM PORTUGAL MANDAM OS PORTUGUESES,

NA EUROPA, NÃO! SO...

" PRIMEIRO ESTRANHA - SE, DEPOIS ENTRANHA - SE "

Nada como um juízo popular para definir, primeiro, o estranhamento com uma prática da qual a democracia se alimentou em sua definição, como a negociação em torno da formação de uma maioria, formal ou efectiva, que sustente, tradicionalmente ou jurídicamente, um governo, dando - lhe estabilidade para, face às minorias, implementar o seu programa, seja de que natureza for.
Não é de hoje, mas a Direita, como expressão do conservadorismo " elitista ", levou a sério o formalismo representativo e, sem tibiezas, usou - o em seu proveito, no " sacrifício " das suas convicções em prol de um Bem -  maior que passa pela conservação dos seus privilégios de classe e fá - lo em todas as paragens do planeta com todos os que seguem as suas linhas, ia dizer programáticas, biológicas, as do individualismo, básico e radical, intuitivamente virtuoso e ética e socialmente deficiente bordejando, a espaços, a sociopatia, pura e simples.

Qual foi, portanto a estranheza que o compromisso governativo entre o P.S e os partidos à sua esquerda, nomeadamente o Bloco de Esquerda e o P.Comunista Português mais os Verdes e o PAN provocou à Direita política e Mediática? Foi a derivada de uma convicção que uma mitologia histórica pós - PREC alimentou das confrontações políticas de Soares e Cunhal e que se prolongaram por quase 40 anos - a impossibilidade de diálogo político com incidência governamental.
Quarenta anos se passaram sobre essa certeza, da qual a Direita portuguesa hábilmente se serviu, num país maioritáriamente de Esquerda, para, apelando ao pragmatismo do voto enquanto esvaziava o conteúdo político escrutinável, governar Portugal.
António Costa derrubou o mito, na ressaca da mais daninha governação conservadora das últimas décadas e lançou as bases de uma governação nacional mais consentânea, formal, social e políticamente, com o sentir da população portuguesa e que se tiver continuidade, em termos negociais e políticos nas autárquicas de 2017, o País sofrerá uma mudança séria e, para mim, virtuosa, no regime contrabandeado de hoje.

Estamos a ler a entrevista que A. Costa deu ao semanário Expresso de sábado último e a singularidade ainda não entranhada pelos MEDIA ( e nomeadamente por esse jornal que, em relação à Coligação derrubada era um sério apoiante através dos seus comentadores, jornalistas e opinadores criteriosamente escolhidos, dos quais, como prova de abrangência redactorial surgem Nicolau Santos e Daniel de Oliveira... ) reflecte - se nas questões tomadas como embaraçantes levantadas pelos entrevistadores, como esta - O P.Socialista e o Governo correm o risco de ficarem dominados pelas esquerdas? 
Desta pergunta também se infere que o Partido Socialista que já não era visto como  um partido de Esquerda e que, aliado ao P.C.P e ao Bloco de Esquerda só pode mesmo ter - se tornado radical.

( a continuar... )

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

CONTABILIDADE ou POLÍTICA ( 2 )

POLÍTICA, pois claro!

Nenhum país do mundo poderá garantir hoje, (dadas as expectativas não projectáveis do universo financeiro Global, à sua turbulência, diagnosticada já pela Reserva Federal Americana, que a queda bolsista chinesa encabeçou e pelas perspectivas de crescimento económico dos países emergentes ), a credibilidade das suas projecções orçamentais no curto prazo.

As críticas, que dos leitores de folhas de chá mediáticos às luminárias técnicas do exterior, nomeadamente das agências de rating, vulgo, sociedade de protecção aos investidores e dos crânios da troyka que montaram o tecido económico-financeiro do resgate a Portugal, de quem eles vão tecendo, provincianamente, loas, estão eivadas de má - fé intelectual, quando não de pura hipocrisia científica na leitura, não só ideológica quando não puramente matemática que fazem às escolhas políticas que orientam qualquer Orçamento de Estado, em Democracia. Bastava ter presente o resultado saído das suas receitas de resgate, hoje criticados pelo Tribunal de Contas Europeu.

As equações de deltas, tetas, betas e ómegas são instrumentos de controlo e acompanhamento do funcionamento das economias sustentadas pelas escolhas políticas. Será preciso um milagre para fazer funcionar um Orçamento, não fazendo o que o anterior governo fez e que qualquer comerciante faria e... sem deixar fugir os fregueses, no ajustamento dos imponderáveis que a própria dinâmica económica e social vai tecendo?

É evidente, para aqueles que seguiam a carroça do - Não há alternativa -  num barranco de cegos, a possibilidade de mudança nas equações das variáveis que para eles eram fixas e definitivas é, também ela, uma impossibilidade. A gente percebeu...

Acabo de saber que as linhas gerais do Orçamento para 2016 recebeu luz verde do Comissário europeu das Finanças, P. Moscovici e passa para o crivo do Colégio dos Comissários.

HAJA BOM SENSO!

terça-feira, fevereiro 02, 2016

CONTABILIDADE ou POLÍTICA

SOBERANIA ou REALPOLITIK?

Dir - me - ão que essa é uma falsa questão, melhor, uma falsa alternância que é negada pelos conceitos eux - mêmes.

Vejamos: Portugal esteve,  durante quatro anos sobre resgate financeiro por parte da Comissão Europeia, do FMI e do BCE, portanto, credor dessas Instituições. As condições do resgate impunham decisões políticas de extrema dureza para o país.
 Apesar de uma canina subserviência do governo anterior no cumprimento sobrelevado dos ditâmes da troyka, nada de substancial mudou, a não ser o quase desaparecimento da classe média, um aumento brutal dos impostos, uma emigração forçada de milhares de jovens cidadãos qualificados,  que uma economia debilitada exponenciou, que o Primeiro - ministro de então, Passos Coelho, apontou como uma oportunidade. A qualidade de TODOS os serviços do Estado piorou dramáticamente ao mesmo tempo que as relações de trabalho iam sendo dinamitadas pela ganância burrocrática e o país foi vendido, acéfalamente, ao retalho. Uma estupidez política que só os seus projectistas e os seus acólitos, embrenhados nas folhas de Excel e na segurança de quem se foi enchendo com a dívida soberana, poderia ser considerado um sucesso.

No entanto, débeis lamentos por parte da Troyka, findo que foi o período do desfalque nacional, fizeram - se ouvir em lágrimas de crocodilo. Tinha sido, também, um fracasso sócio-político e... não se fala mais nisso.

Hoje, a Política está a fazer- se lá fora, outra vez, nos corredores e nos salões onde se cozinhou a alarvidade contabiloburocrática que arruinou Portugal. Correm negociações entre a Política, representada pelo governo socialista no poder e o Conselho Europeu. Aparentemente, pelo que se vai sabendo das declarações da Burrocracia, nenhuma lição se tirou da experiência passada por parte dela, zero. A cassete é a mesma - É preciso cumprir as regras - Não há alternativa - .

À primeira vista, supõe - se que é o draft, o esboço do Orçamento do Estado que está em discussão ( convém não esquecer que um Orçamento de Estado é um programa político, que define uma orientação política que não contabilístico, sendo esta vertente um indicador projectivo...), quando, na verdade, se pretende, através de imposições financeiras que uma maioria conjuntural de Direita que hoje detém o poder de decisão na U.E. a conjugação de TODOS os programas políticos nacionais no mesmo modo - o definido pelo Pensamento Único, conservador e reaccionário.

( a seguir...)

domingo, janeiro 31, 2016

d' O CAOS


Odeio bagunça, abomino a Ordem Burrautocrática e prefiro a organização em racionalidade ( Razão + Ética ) do Caos, o estado permanente da espécie e das suas Instituições.

Achar, convir, que o Estado seja uma necessidade, um estádio evolutivo na busca dessa ordenação que não a submissão impossível, não fará do Homem um incondicional dos poderes de que ele se outorga que extravasem a promoção da sua eficácia na coordenação harmoniosa e equilibrada dos interesses biológicos e ou corporativos com o Bem Comum.

Essa realidade de que todos têm consciência do que seja e do que poderia ser, remete - nos a Zizek, que nos nega a possibilidade dessa consciência, que existindo, foge à nossa interpretação simbólica ou utópica dada a sua profunda abstracção, em compreensão e extensão.
Uma torre de Babel que se vai trepando sem um sânscrito unificador que permita a sua interpretação numa inteligibilidade redentora.
Nos andares dessa Torre estabeleceram - se unidades linguísticas e a possibilidade de uma visão unificada sobre um real estrito - a delas e todo um cortejo simbólico e narrativo moldado por uma história comum. Ordenamentos casuísticos ocupando um nicho estabilizado no Caos - são as nações e os estados que física e jurídicamente as estabiliza ou procura a sua estabilização.

Quando e sempre que haja uma perturbação provocada por uma intrusão forasteira, as consequências, como ondas de maré, vão ficando maiores, à medida que se afastam da origem precurssora deixada ao oblívio.
O mundo de hoje, como o de ontem, está a reflectir o alcance que decisões políticas tomadas ao arrepio da consagração desse ordenamento racionalizado podem fazer.

E as borboletas nada tiveram a ver com isso...

segunda-feira, janeiro 25, 2016

CAVAQUISTA, EU!!!!???

E ESTA, HEIN?

Então não é que agora que o Homem está de saída me descubro, pela primeira vez, um apoiante de uma decisão sua? Querem ver, que afinal sou um " reaccionário " disfarçado de progressista?
Eu explico. Já botei por aqui a minha opinião sobre o tema que suscitou esta reflexão e, em princípio, nada mais teria a dizer a não ser no âmbito de um debate, o que não é o caso, pelo que, mesmo assim, dada a relevância, vamos ao assunto.

O presidente da República devolveu à Assembleia os diplomas sobre a adopção de crianças por casais do mesmo sexo e sobre as alterações à lei da IVG ( interrupção voluntária da gravidez ) aí votados.
No primeiro caso, a da adopção, Cavaco Silva considerou e bem que o interesse da criança sobreleva o dos casais proponentes à adopção, já que, acrescento eu, ao seu papel passivo tem de corresponder uma protecção adicional criteriosa de uma, sim, normalidade existencial, que as rupturas emuladas por algumas franjas da sociedade não configuram.

Quanto ao segundo diploma, que afasta os médicos objectores de consciência do aconselhamento clínico, psicológico e, porque não, reflexivo, sobre a decisão das pacientes, que não aos militantes da discriccionariedade abortiva das mulheres, é por si uma estupidez legislativa, uma batota jurídica e. sim, merece o veto presidencial.

Cavaquista? Nem por isso. 

domingo, janeiro 24, 2016

PRESIDENCIAIS EM PORTUGAL

FINIS


                                                    MARCELO REBELO DE SOUSA...

... Será o novo Presidente da República Portuguesa ao vencer umas eleições às quais esvaziou de carga política sustentando - se numa notoriedade nacional que a presença de anos nos canais televisivos como comentador político exponenciou, e, paradoxalmente, numa inteligência política notável.
Todo o mérito desta eleição pertence - lhe, por inteiro, pela ligação empática que conseguiu estabelecer como merecedor de confiança junto dos seus eleitores.

PARABÉNS!


quarta-feira, janeiro 20, 2016

PRESIDENCIAIS

Da reunião dos candidatos, numa avaliação mediática, que se pretendeu ser psicossocial, onde a componente política das eventuais proclamações emitidas, pela redundância inconsequente do que neste campo se poderia dizer, vingou, a indignação assertiva de Marisa Matias, contra a reposição dos subsídios vitalícios a ex-servidores do Estado.

DA CRÍTICA ( II )

" Valerá a pena analisar críticamente este « e ». Será que, em si mesmo, é já cínico? Como pode uma cópula lógica ser cínica? Um homem « e » uma mulher; garfo « e » faca; sal « e » pimenta. Que há aqui a criticar? Tentemos outras ligações - senhora « e » puta; ama o próximo « e » mata - o; morrer de fome « e » comer caviar ao pequeno - almoço. Aqui o » e » parece ter - se inserido entre opostos que transforma em vizinhos imediatos, de forma que os contrastes se invectivam.

O « e » terá algo a ver com isto? Não foi ele que criou os opostos, apenas desempenhou o papel de alcoviteiro entre pares díspares. Com efeito, nos Media, o « e » mais não faz do que justapor, fundar vizinhanças, acasalar, contrastar - nem mais nem menos. O « e » tem a capacidade de formar uma série ou uma cadeia linear cujos membros individuais só se tocam por intermédio do alcoviteiro lógico; este último não diz nada sobre a natureza dos elementos que enfia numa fileira. É nessa indiferença do « e » a respeito das coisas que justapõe que desponta o germe de um desenvolvimento cínico. Com efeito, pela simples justaposição e pela relação sintagmática externa entre todas as coisas, ele produz uma uniformidade que afecta as coisas justapostas. Eis porque o « e » não permanece um « e » puro, antes desenvolve a tendência para se tornar um é - igual - a. A partir desse momento, pode desenvolver - se uma tendência cínica. Com efeito, se o « e » que pode colocar - se entre tudo significa simultaneamente « é - igual - a », tudo se torna igual a tudo e cada coisa vale tanto como outra coisa qualquer. Da uniformidade da série dos « e » nasce insidiosamente uma equivalência das coisas e uma indiferença subjectiva. "

( continuaremos, com Sloterdijk )

terça-feira, janeiro 19, 2016

EI - LOS QUE PARTEM...



                                                                  Almeida Santos


... E em cada partida vão - me deixando mais órfão de uma geração que marcou políticamente a História portuguesa.

Almeida Santos, um dos mais distintos lutadores pela Democracia morreu ontem, aos 89 anos.
Deixará muitas saudades aos amigos com quem, no Partido Socialista de que foi Presidente, o acompanharam.

As minhas condolências à família e homenagens e solidariedade ao P.Socialista pela perda de um seu líder histórico.

DA CRÍTICA...

... E DA SUA MICROLOGIA...

" Néscios os que deploram o declínio da Crítica. É que a sua hora há muito está ultrapassada. A crítica faz - se a uma distância adequada. Está à vontade num mundo em que o que contam são as perspectivas e as ópticas e em que ainda é possível adoptar um ponto de vista. Entretanto, as coisas caíram sobre a sociedade humana de modo demasiado escaldante. A " imparcialidade ", o " olhar objectivo ", tornaram - se mentiras, ou até expressão perfeitamente ingénua de uma banal incompetência. " - Walter Benjamin, 1928

...  NOS MEDIA

" O « e » é a moral dos jornalistas " - Peter Sloterdijk in Crítica da Razão Cínica

" Os mass media foram os primeiros a desenvolver uma capacidade que nenhuma enciclopédia racionalista, nenhuma obra de arte e nenhuma filosofia de vida conheceram nessa medida: com uma compreensão imensa, dirigem - se para aquilo com que a grande filosofia nunca conseguiu sonhar - a síntese total - no ponto zero da inteligência, é certo, sob a forma de uma adição total. Com efeito, admitem um empirismo caótico universal, podem falar de tudo, tocar em tudo, meter tudo na memória, justapor tudo. ( o facto de não apresentarem « tudo » é efeito da sua selectividade sempre considerável. A mentira por selecção? ). Com isso, são mesmo mais do que a Filosofia - são os herdeiros simultaneamente da enciclopédia e do circo.


A inesgotável capacidade de « ordenamento » dos mass media assenta no seu estilo aditivo. Só por se terem instalado no ponto zero da penetração intelectual podem tudo dar e tudo dizer, e tudo sempre repetido e instantaneamente. Têm um único elemento inteligível - o « e ». Com este « e » , tudo se torna literalmente vizinho de tudo. Assim se criam encadeamentos e vizinhanças que racionalistas e estetas estavam longe de esperar: medidas de economia - e - primeiras representações teatrais - e - campeonato do mundo de motos - e - imposto para as prostitutas - golpes de estado, etc. Os media podem dar tudo por terem abandonado completamente a ambição da Filosofia, que era também compreender o dado. Englobam tudo porque não apreendem nada; falam de tudo, não dizem nada...
... O « e » é a moral dos jornalistas., De certa maneira, têm de prestar um juramento deontológico que os obriga a, quando fazem uma reportagem sobre um acontecimento, aceitarem que esse acontecimento e essa reportagem sejam colocados por meio do « e » entre outras coisas e outras reportagens....
O jornalista é alguém cuja profissão obriga a esquecer como se chama o número que vem após o um e o dois. Quem ainda o sabe já não é, provávelmente, democrata - ou então é um cínico.

E, partiremos, com Sloterdijk, à análise desse « e »...


segunda-feira, janeiro 18, 2016

AUSÊNCIAS

ANDA MUITO BARULHO PELO AR....

... DEMASIADA INFORMAÇÃO, POUCA LUCIDEZ E REFLEXÃO E... MUITA, MAS MUITA MÁ - FÉ.

VOU - ME RESGUARDAR, POR ORA...

segunda-feira, janeiro 11, 2016

sábado, janeiro 09, 2016

MARCELO / NÓVOA

DAS PRESIDENCIAIS

Seria anti - democrático a definição prévia da importância das mensagens que os candidatos às eleições presidenciais queriam emitir junto aos eleitores, pelos Media. Felizmente o bom - senso imperou e tivemos debates de todos contra todos.
 A curiosidade de ver putativos chefes de Estado a definir projectivamente medidas inadiáveis de política interna e externa num quadro constitucional que atribui decisões nesses domínios ao governo em exercício, teve a vantagem de, perante o exemplo dado pelo presidente cessante, fazer JÁ a triagem sobre os candidatos a excluir nas nossas preferências. Para uma presidência de facção, de conflito, majestáticamente imbuída de poderes de guardião dos supremos interesses nacionais por si interpretados como representados por uma classe restrita de cidadãos da República, chegou e sobrou a experiência.

Sampaio da Nóvoa enfrentou Marcelo R. de Sousa com uma troca renhida de argumentos desmascarantes sobre as suas posições políticas passadas, enquadradas num campo definido de posição política - o da Direita -, recusando - lhe a condição com que se apresenta, como independente e supra - partidário, tendo como contra - ataque do M.R.Sousa a sua cidadania política com opiniões que toda a gente foi conhecendo ao longo de décadas, enquanto o seu oponente tem o vazio político que ele quer preencher numa promoção surpreendente de soldado raso a general.

A sua exacta noção, de ambos, sobre os poderes presidenciais evitou - lhes as " gaffes " que outros candidatos vão somando, num processo peteresco de auto - eliminação.

Aí está! Em Democracia quem, sobre as mensagens transmitidas ou a transmitir por candidatos a qualquer cargo público electivo, decide sobre a sua relevância mobilizadora somos nós.
Eu, por mim, reduzi as candidaturas a duas. E o pragmatismo teve tudo a ver com isso. Por razões bastamente substantivas e também ideológicas, votarei Sampaio da Nóvoa, na primeira e na segunda volta das eleições.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

DO SISTEMA FINANCEIRO

                                                         
                                                               Pedro Santos Guerreiro

OBRIGADO, PEDRO!...

...Pelo muito que me tens ensinado na " decifração " de como as coisas acontecem, como acontecem e porque acontecem no mundo da BANCA, nacional, para o caso, e internacional.
Embora não seja completamente um " tótó " nessa matéria, o que me tem permitido acompanhar as suas intervenções no " Expresso ",  e a síntese do fim - de - ano com " O DIABO QUE NOS IMPARIU ", agradeço - lhe o trabalho que juntamente com os seus colaboradores e colegas tem trazido ao nosso conhecimento...

BOM - ANO!