segunda-feira, setembro 25, 2017

CATALUNHA...

... E A MARCHA DA HISTÓRIA



À " estupidez " política em toda a linha com que o Governo da Espanha, através de Rajoy, responde às aspirações de liberdade e independência dos catalães, com a repressão militar contra o referendo do dia 1 de Outubro, sobrejaz uma normalidade histórica na marcha das nações.

Nada que, do passado aos dias de hoje, lembram - se da Síria, do Egipto, da Venezuela?, não faria qualquer Estado perante o que considerasse uma afronta constitucional e que na linha da suas obrigações teria de atalhar. Lá, cá, na Rússia, em Angola, na China, nos USA, essa " normalidade " constitucional foi, é e será sempre brandida como argumento da repressão no sentido da manutenção da sua coesão interna.

Nenhuma argumentação política sobre a bondade ou o malefício decorrentes da confrontação dos Estados com os seus cidadãos esconderá a normalidade dessa narrativa, que em paragens outras não alinhadas com os USA, leia - se Ocidente, atira - as para o campo da infâmia " democrática ".

Seguiremos os picos de hipocrisia que se formarão na análise do processo catalão.

Por mim, sou catalão, sou escocês, sou irlandês, sou curdo, fui ucraniano e fui cidadão da Crimeia, nas expressões maioritárias definidas democráticamente sobre a permanência numa associação política vista como inconveniente.

A compreensão racionaljzada e fácilmente projectável do efeito mimético que a " démarche " catalã poderá ter no resto da Espanha e um pouco por outras paragens, quebrando a monotonia da Nova Ordem Mundial, enferma dos mesmos pressupostos reaccionários de que comunga o Pensamento Único que o hipotético e fantasista Fim da História elaborou e que, outrora Hegel vergastou - A mais profunda lei política é a Liberdade - .

O ser do Estado a organização da Liberdade colectiva faz da aparente contradição com a liberdade dos seus cidadãos o espaço da autonomia contratual dos povos sempre que, defraudadas as suas expectativas, reclamam o protagonismo sobre a estrutura criada, no sentido de a reformular.
A isso chama - se evolução histórica.

VIVA CATALUNHA!


domingo, setembro 24, 2017

RELATÓRIO SOBRE TANCOS!!!???

EXPLOSIVO!


" RELATÓRIO DAS SECRETAS SOBRE TANCOS ARRASA MINISTRO E MILITARES "

Assaltou - me, num nítido reconhecimento,  um facto já antevisto últimamente e aqui dado ao post, que tem sido a tabloidização, tipo Correio da Manhã, dos títulos de primeira página do Expresso.

Fui ler, na esperança de que a coisa não contaminaria o trabalho sério de reportagem com que este leitor antigo foi habituado em décadas.
A abrir, espero pela identificação dos " serviços secretos militares " que elaboraram o dito relatório, que, em princípio, estava pendente da investigação do Ministério Público. Nada! Continuo a ler e, ALTO LÁ... - tráfico de armamento para África, em concreto (!!!???) Guiné - Bissau ou Cabo Verde (!!!!!?????)...
Nem precisava de ler mais para concluir que estaria perante um formidável exercício especulativo, já que logo a seguir caíram em turbilhão coloridos cenários à mistura com verdades, meias - verdades e... pura fantasia, num pitoresco e assustadoras e hiperbólicas tramas escatológicas.

Essas " hipóteses " também andaram de boca - em - boca nas conversas dos portugueses, não só dos jornalistas, como dos portugueses mais bem informados. Como a publicação de hipóteses é lixo informativo e os boatos das conversas de café não são notícia, ficou - se por aí... até agora e hora dessa " evacuação ", dessa deslavada e geral mistificação, secreta, claro!





segunda-feira, setembro 18, 2017

O ESTADO

DECLARAÇÃO DE INTERESSE

Nunca fui funcionário do Estado e ,sim, sei e conheci durante toda a minha actividade profissional as condições de trabalho " cá fora ".
Também sei que, sózinho, batalhei pela melhoria das condições salariais e de trabalho sem que, apodado de perigoso agitador, os meus colegas de profissão, veteranos, me acompanhassem nessa " guerra ". O que não os impediu de , uma vez saído com sucesso das minhas reivindicações, também delas tirarem proveito sem ter mexido uma palha.

Adiante...
Tem sido recorrente na coluna de M.Sousa Tavares uma " sanha " bizarra contra o Funcionalismo Público  que nem nas confederações representativas do Comércio ou Indústria se encontra assim estampada com tanta contundência.
Não sei, exactamente, em que é que se baseia essa hostilidade por uma das principais instituições do Estado, sem a qual ele pura e simplesmente não existiria como tal. Desconfio que não será por nenhuma pulsão anarquista, coisa que nem nós, anarquista céptico, que a Função Pública tem sido por ele assim vergastada. Como também não creio que será o " laissez faire, laissez passer " o suporte das suas contrariedades contra a F. P., a coisa terá uma base pessoal, o que não me impedirá de tecer juízos sobre o exagero crítico comparativo com a situação dos " privados ".

Que eu saiba, na Democracia Portuguesa, todas as actividades profissionais são representadas em organizações que têm como fundamento de existência a defesa dos seus associados, TODAS. Verdade se diga que NINGUÉM é obrigado a ser sócio na presunção de que, como indivíduo, será capaz de resolver os seus assuntos profissionais. Tudo bem e ninguém tem nada a ver com isso desde que se cale perante a capacidade da sua organização de classe profissional em proteger os interesses dos que por ela são representados.

Estranhamente, tem sido EXACTAMENTE essa capacidade reivindicativa na melhoria das condições salariais e relações de trabalho que as organizações de classe, os sindicatos, nomeadamente, assim como as Ordens e as Confederações Patronais, que M. Sousa Tavares, suponho que freelancer, tem criticado, semana sim, semana sim.

É evidente que os trabalhadores da Função Pública estão menos sujeitos aos " azeites " da chefia e às " reestruturações " privadas. Era o que faltava que não fosse assim. A própria estabilidade dos serviços assim o exige, até por uma questão de eficácia do seu funcionamento. Já bastariam os exemplos que a cada mudança governativa sacodem o topo das hierarquias.

" Governo, sindicatos e partidos de esquerda  não defendem quem mais precisa, mas quem mais reivindica ", proclama M.S.T. e exempla com os privilégios, que, convém não esquecer, não caíram do céu, do Funcionalismo Público versus Privados.
Quem não precisa não reivindica, como ele, o Passos ou a A.Crista, ou melhor, reivindicam no planos dos seus interesses de classe, ou não? Isso na democracia liberal, do mercado, do capitalismo em que vivemos.
Evidentemente que somos TODOS, dos nababos ao Zé, trabalhadores ou, como os famigerados, e hoje perseguidos, pensionistas já foram, para si e para os outros.

MAS...

..." Vai - se cavando um fosso entre os que trabalham e têm a protecção do Estado e os que trabalham para quem conseguem, sem a protecção de ninguém ", insiste M.S.T. e eu pergunto se não foi sempre assim ou se a culpa é só dos Governos de Esquerda?
É que, a abrir, lembrei da minha e a de muitos outros, condição em que exerci, no privado, a minha actividade profissional.
Só um reparo - tinha a " protecção " do Sindicato do sector e, curiosamente ou talvez não, era o ÚNICO trabalhador sindicalizado numa empresa de média condição.

Um conselho aos trabalhadores - Não oiçam o M.S.T.! A lamúria não leva a nada. Sindicalizem - se! E verão os vossos interesses tão bem defendidos como os da Função Pública.

sábado, setembro 16, 2017

SÁBADANDO...

GREVE DAS ENFERMEIRA(O)S



Apoio total, ponderadas, sopesadas e analisadas as razões da contenção do Governo e as disponibilidades financeiras tornadas possíveis e as reivindicações da classe.
Este Governo terá de responder às solicitações externas e às exigências nacionais. A maneira como o irá fazer, melhor, terá de fazer esse equilíbrio o distinguirá como de esquerda e não gestor das estruturas do capitalismo.
A gestão capitalista que, desde Blair, levou os socialistas e sociais democratas europeus à derrapagem política da qual procuram hoje reerguer - se, não poderá ser o êmulo de um partido que é de Esquerda. Para isso esteve lá a coligação PSD/CDS.

PROTECÇÃO CIVIL

O afastamento do presidente do comandante operacional da ANPC, Rui Esteves não poderá fechar as démarches sobre as responsabilidades tidas ou havidas sobre a condução das operações nos incêndios, nomeadamente de Pedrógão.
" Com uma situação muito pior, a dos fogos, não houve demissões e agora com uma licenciatura já há demissões? " - estranhava o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Couto e também este cidadão...
Condena  - se a " manha e falso prestígio " e não eventuais incompetências. No mínimo estranho a não ser que esse atavismo nacional seja já visto como uma segunda natureza dos nacionais.

JUNKERADAS

Habituados estamos já às junkeradas do Presidente da Comissão Europeia, Junker, mesmo antes de ocupar o lugar. Tem por hábito revelar muita ignorância histórica do espaço a que hoje preside naquela condição.
Agora resolveu redesenhar o mapa da Europa obliviando uma, se não a mais antiga nação da Europa na definição das suas fronteiras - Portugal - como se de um protectorado ou província espanhola se tratasse. Ofensivo, se demeritório do país e deplorável se de ignorância se trata, o que não acreditamos. 
Uma lástima, definitivamente!

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

O sr. Marques Guedes, quadro político do P.S.D., poderá não gostar do futebol mas desconhecer as falanges clubísticas e o amor que têm pelo jogo e pelas suas equipas de eleição, é, no mínimo um atestado de incompetência, política, claro, e um alheamento bizarro pela realidade nacional.
Teatros, cinemas e museus, todos juntos não aliciam, por ano, o que os " clássicos " fazem numa temporada em assistência, pelo que a " boutade " - Também vão proibir os cinemas, teatros e museus ", criticando a mudança do horário de um " clássico " tendo em vista eventuais abstenções aos deveres eleitorais, seria incompreensível se não se desse o caso da abstenção favorecer, eventualmente o partido a que pertence. Coisas...

P.S.

Ah.... e faltava a minha opinião sobre eventuais menorizações cívicas que eventuais proibições de " diversões de massas " em dias de eleições em estudo, diz - se....
Uma ESTUPIDEZ que espero marcará a intenção e que não passará disso. Só comparável com o famigerado voto obrigatório da " outra senhora "...

sexta-feira, setembro 15, 2017

COREIA DO NORTE & ZUGZWANG

ZUGZWANG


Citando Lenin, relembrado pelo Courrier no âmbito das comemorações do centenário da revolução bolchevique russa - " Nada se sobrepõe à controvérsia quando se trata de desenvolver pontos de vista " - a Política, vista à luz da sua programação instrumental, não estaria melhor definida.

Acontece que a controvérsia, que a projecção de qualquer ponto de vista sobre a realidade, por mais banal, inocente ou definitivo que possa ser, pode e deve ser equacionada e desmontada nos seus argumentos interpretativos à luz da eficácia ( leia - se resultados positivos ) de qualquer natureza que o contraditório possa contemplar em impassante paralisia.Tal é a situação, hoje, perante a Coreia do Norte.
A condenação global que ecoa face às continuadas provocações da sua liderança, onde pontua Kim Jung - un, associada a um desarmante zugzwang onde, suspensos, de um lado a China e o seu aliado e do outro a Rússia, os USA e a Europa, não prefigura nada de bom para o futuro.
As consequências, monstruosas, que a inacção e paradoxalmente a acção, possam daí advir, não só para a Ásia como para o Ocidente, clama pela acção diplomática com o dedo no gatilho.

A escalada, em caso de conflito armado seria inevitável e as suas consequências, apocalípticas.

Nenhuma solução, face à irracionalidade e megalomania delirante patentes do interlocutor, parece racionalizável perante uma liderança suicida a que só uma aniquilação piedosa parece ser a saída. O problema, dantesco, reside nos custos civilizacionais da barbárie a despoletar.
Uma fera acossada e sitiada tem sempre, como saída, a fuga para a frente.

Só a China terá a solução para isto e será o interlocutor com quem a diplomacia terá de forçar a capitulação do aliado. Pézinhos de lã e firmeza q.b.
Trump, se não for controlado pelo bom senso do seu povo, teria de ser afastado já que seria uma parte do problema e não a sua solução.

sábado, setembro 09, 2017

E... continuo...

... ainda com ANGOLA

Não terá sido assim porque se criaram condições mensuráveis de mudanças sócio - económicas malgré a resistência sistemática que propiciaram o despertar da cidadania e à adesão decisiva às reformas que as sociedades, temperadas, exigiam? A acomodação, o conformismo, em letargias aparentes, desembaraçadas, então, dão lugar à exigência, à urgência.

A Ordem sempre foi uma exigência da elite burguesa pelo que nunca liderou revoluções, prefere a evolução na continuidade; mas uma vez despoletadas pela insatisfação das classes mais atingidas pela desigualdade soube sempre, com pézinhos de lã e com competências, reorientá - las, domesticá -las e... reformá-las no sentido de mudar tudo para ficar tudo na mesma, com outros contornos, mais subtis, sujeitos a hermenêuticas abstractivas de reconhecimento das suas evoluções.

" Angola não evoluirá do capitalismo oligárquico para a Democracia, com uma nova classe média exigente e ansiosa por liberdade " proclama Daniel Oliveira e eu pergunto porquê?

O exemplo máximo de Oligarquia Financeira como forma de governo reside hoje nos U.S.A., com simulacros na China e na Rússia. A democracia liberal não passa dos rituais eleitorais, a democracia social ( haverá outra? ) é inexistente e mesmo as mais débeis tentativas de reformas sociais encontram pela frente toda a estrutura criada para a manter nos estreitos limites da votação, sempre manipuladas quando não aldrabadas, e na liberdade anárquica e irresponsável, socialmente, colectivamente. E perpetua, não os mesmos elementos mas o mesmo modo de fazer as coisas, com outros nomes na maior democracia do mundo, a par da bizarra democracia indiana. Um sistema de castas com nomes diversos - WASP nos USA e marajás na India.
QUEM PEDE SATISFAÇÕES?

Ah, os jovens, SIM, SÃO SEMPRE UMA ESPERANÇA, o futuro, desde que não captiváveis pelo status; se não forem eles a forjá - lo, outros o farão por eles.
Maio 68 representou uma tremenda evolução nas mentalidades conformistas de então e mostrou que, como catalisador, pôs na rua a massa operária explorada, a pequena burguesia sofredora e chafurdou no pasmo intelectual da elite fazedora do Pensamento Único conservador. Uma proeza que até hoje tem marcado a geração que a liderou nas reformas que marcaram a Europa e, em certa medida, o Ocidente.
Até lá, Angola ter(ia)á de esperar pelo seu Maio, fatalmente. Foram séculos de aculturação e isso, paga - se em menoridade cívica.

Por mim, não" ficou só o luxo e o lixo ", como diz D.Oliveira. É um diagnóstico tremendista que a História desmentirá. Ainda estará por cá para o emendar...

sexta-feira, setembro 08, 2017

ANGOLA, ainda ( 2 )

INSISTO!


                                                           QUADROS DO MPLA

A elite ( de qualquer natureza ) que detém o poder, em nenhuma circunstância conhecida o cedeu de mão beijada. Dada a sua característica conservadora, de manutenção dos privilégios, mesmo nas " reformas " que a racionalidade política exige dentro do sistema, autocrático ou democrático, há uma obstaculização que as estruturas criadas para a sua permanência exercem contra as mudanças.

Faz todo o sentido falar - se, ainda e sempre, de uma luta de classes, que terá de se configurar como um desafio permanente ao impasse histórico das nações, sob o risco de degradação social, política, económica e... dos costumes.
Quando essas condições de resistência não se verificam, pelo conformismo cívico, ou quando lhe são negadas nas suas expressões pelo poder, a revolução aberta e armada foi o caminho seguido por todos os povos do Ocidente e não só. Começou pelo derrube dos impérios e a domesticação das suas elites, alterando as distâncias que as separava do povo, até aí a condição sine qua non na manutenção do statu quo vigente. A liderança da marcha da história, individualmente representada ou como classe foi feita pela burguesia.

E eis - nos em Angola...

Por que será que, como nos diz Daniel Oliveira em " O lixo e o luxo " no último Expresso, num afloramento analítico sobre a marcha da Democracia em Angola... - " E como se vê na Rússia ou na China, as novas burguesias do mundo globalizado dispensam a democracia liberal. Pelo menos se ela implica mais do que uns rituais eleitorais que perpetuem os mesmos no poder " isso acontece?

Vejamos...
Durante mais de quarenta anos, o espaço não globalizado da Ibéria ( e fico por aí, como exemplo ) sustentou lideranças fascistas e quando, a Espanha pós - Franco reformou o seu regime e Portugal revolucionou o seu no 25 de Abril, criaram - se as condições que mutatis mutandis se sucederão, fatalmente, no suspense histórico, na Rússia e na China e... em Angola.
A questão que se me coloca é esta: - No que é que se constituem as diferenças que permitiram desenlaces similares em condições tão diversas na Ibéria em populações que se estavam  borrifando até então, para a democracia liberal e o impasse aparente na evolução político- social da China, da Rússia ou de Angola?

( continuarei ... )

quarta-feira, setembro 06, 2017

EM RUMINAÇÃO...

... NÃO COMO ESTA...



...MAS COMO ESTE...


quarta-feira, agosto 30, 2017

ANGOLA, ainda...

... UM ESTADO EM FORMAÇÃO

Que urgência é essa e que nostálgicos estremecimentos colonialistas por um país e um Estado em formação que, do século XV ao século XX não se soube FAZER e que, ainda jovem e à procura do seu destino, se admoesta assim, tão sem cerimónia?

Um Estado corrupto, diz - se, com uma convicção de virtuosos, por um país cuja corrupção, pequena, média, grande, faz, genéricamente, parte do seu modo de fazer as coisas, do aparelho do Estado ao empreendedorismo privado e que já leva mais de 900 anos de existência e mais de 40 anos de Democracia. 
No mínimo, um pouco de pudor e conhecimento da história da formação dos Estados, no caso, africanos pós - independência de séculos de dominação E... formação de carácteres, a que a formatura da veia corruptiva e corruptora, pelo exemplo da elite dominante, se tornou parte do seu imaginário político - social.

A evolução da Democracia, conta - nos a sua história, foi feita pela burguesia sobre pressão do povo em geral. As revoluções que a primarizaram foram todas marcadas por essa posse e por esse controlo na reposição da ordem após o caos.
Num país onde a primeira universidade data de 1962, no rescaldo das pressões da pequena e média burguesia assimilada e filhos de colonos com escassa representação nativa, Angola nunca chegou a ter uma elitização suficiente que propiciasse a formação de uma burguesia capaz de se tornar um respaldo da sua maioridade democrática. Com a saída dos colonos e dos filhos escolarizados a situação criou um vazio que as contingências históricas preencheram.
Entretanto,  os vencedores de quase trinta anos de guerra não descuraram, ainda que com timidez, a formação dessa elitização pela criação de instituições superiores de educação e ensino.

Enquanto o vazio, ocupado táctica e estratégicamente, pelo Poder - a estrutura política partidária do MPLA, vencedor da guerra civil contra a UNITA e FNLA - e pelos militares, seria de uma singularidade quase trágica o abandono dos despojos da guerra, permitam - me o desplante figurativo, da riqueza do país à predação internacional, com Portugal à cabeça. Não o fez e, na minha opinião, FEZ BEM.
Aconteceu o que tinha de acontecer, por uma questão de determinismo histórico e das condições político/sociais em presença. Querer ou exigir, em África ou em qualquer outra parte do mundo um figurino que o pensamento unificador, mistificador e falsamente ignorante, criou para os Outros é no mínimo,... uma presunção pouco respeitável.

A mudança está a decorrer, num país que passou de 7 milhões de almas para 15.000.000, com uma juventude ansiosa de conhecimento a aprender a rebeldia e o inconformismo e com uma classe média cada vez e bem, mais exigente no que ao desenvolvimento PATRIÓTICO e económico do país diz respeito, é uma questão de tempo histórico.

Por aqui, levou - se mais de 40 anos para afastar o provinciano fascismo luso, conquanto a limpeza do condicionamento ainda vá precisar de mais tempo.

PORTANTO, CALMA COM ANGOLA e... contenham as piedosas, predicativas e judiciosas bocas moralistas.

segunda-feira, agosto 28, 2017

NÃO PASSARÃO!

O CERCO ALTERNATIVO


                                                   
                                                                GRAÇA FONSECA...

... A secretária de estado da Modernização Administrativa " sai do armário ", para quem não a conhecia e assume - se como lésbica à Nação.

O QUE TEMOS NÓS A VER COM ISSO? Qual o interesse, a não ser para a comunidade dos gays, transgéneros e outras alternâncias saber das suas preferências sexuais?
Bem, como quero crer que a senhora não esteja em nenhuma serôdia campanha feminista e eventualmente a dar a cara pelas imaginárias perseguições a que a classe, no mínimo anómala e pitoresca a que já ninguém alimenta o desmesurado ego, só pode haver uma razão e , de certeza que não é pública, para a apresentação - uma satisfação intimista a alguém.

Adiante, que para este peditório já eu dei.... mas, como parece que essa aparente imbecilidade políticamente correcta de, em pleno século XXI, as mulheres ainda se fazem, estratégica e táticamente, passar por vítimas, no Ocidente, claro, que não em países ainda na Idade Média, e na ressaca de uma aparente palermice editorial em livros escolares com a aparente intenção distintiva e discriminativa ( para o p.c. ) dos meninos das meninas, para lá das pilinhas e xoxótas mas também nas tendências naturais de gosto posse e pose. Uma normalidade que hoje passa por uma enormidade. Um dia - a- dia das famílias que hoje passa por estereorótipos, enfim...

Dando de barato, e aqui não mora o duplipensar ou o unipensar mas o multipensar, que a normalidade, vá..., o estereorótipo predicativo, seja incontornável visto que a Natureza se encarregará de haver, no sapiens, machos e fêmeas sob o risco da extinção, que dar bonecas às miúdas e bolas aos rapazes seja visto como condenável e desviante, por propagar, MADRE MIA!!!, esteorótipos, pela comunidade sofredora dos... alternativos, apraz perguntar aonde pára o DESVIO.
Se, hoje, a heterossexualidade e os mecanismos educacionais que ela transporta e propaga em consonância com o seu imaginário e práticas sociais está a ser vista como uma ameaça preconceituosa à sanidade dos filhos daí resultantes, concluo que, na linha das abordagens imbecis ao tema, que o negócio de barrigas de aluguer está por detrás disto e, isso sim, é uma ameaça séria, que não esta minha paródia inofensiva.

Ninguém se preocupa, em aprofundar, para além da caricatura bem - pensante, esta desordem relacional e social a que se deu o nome idiota de guerra de sexos ( quais sexos? do galo, da galinha, do capão ou da minhoca? ) nas sociedades ocidentais, uma singularidade de milhares e milhares de anos que nos trouxe ao limiar das viagens espaciais.
Se guerra de poder se trata já sabemos como o filme vai acabar - em tragédia que não capitulação.

Eu cá continuo a jogar à bola com as minhas três netas, estimulo a sua actividade física a par da intelectual e dou - lhes, a par do tabuleiro de xadrez, bonecas para brincar. A feminilidade delas é - me uma graça que, a par da sua independência e liberdade não denegará a normalidade do seu género e as sua ESCOLHAS futuras de viver a sua sexualidade.

Etiquetas? Força aí que je m'en fou...

A desfaçatez crítica e mal orientada sobre os disparates cometidos, por inadvertência ou por pura sinceridade de género tem sido uma aldrabice intelectual para os incautos e... já fede.

domingo, agosto 20, 2017

BARCELONA

QUE DIZER?

A condenação mil vezes reiterada, a troca de mensagens de solidariedade e condolências, a procissão aos palcos da morte, a " euforia " mediática, o pânico dos sobreviventes e... as promessas de reforço de segurança, têm sinalizado uma anormalidade que aos poucos se vai entranhando no sentir colectivo como um dado adquirido da civilização.

Até hoje ainda não assisti a uma manifestação colectiva, continental, civilizacional, de repúdio e pressão sobre as soberanias vigentes, do Ocidente e do Oriente, no sentido de pôr um fim à barbárie fundamentalista religiosa. Se sobre ela paira um manto vergonhoso de hipocrisia ( sim, o DAESH e a al - QAEDA têm sido duramente atingidas na sua operacionalidade paramilitar... E...? ) e de utilização política instrumental do terrorismo e não faltam exemplos, como aceitar esta moleza global que faz disparar uma vaga migratória multinacional e a nossa resignação silenciosa que combate em modo dionísico a agressão assassina?

segunda-feira, agosto 14, 2017

A BLACKOUT...

FOR A...


                                                                    BLACK HOLE

BOAS FÉRIAS! E REGRESSEM INTEIROS...


domingo, agosto 06, 2017

D'OS REGIMES...

... E A SUA INTERPRETAÇÃO PELOS OUTROS


VENEZUELA, POIS CLARO!

Um país democrático com lideranças saídas de eleições democráticas, duas vezes referendadas nas suas alterações constitucionais no pressuposto do aprofundamento das políticas socialistas que defende.
A ruptura com o passado de alinhamento com a política e as práticas capitalistas do poderoso vizinho do norte pô - la na mira dos alvos a abater... democráticamente. Foi através das práticas democráticas, em sucessivas eleições que a maioria do povo reiterou a confiança na chamada revolução chavista, elegendo o actual presidente Nicolas Maduro para a chefia do Estado. E foi através das práticas democráticas que os U.S.A. elegeram o seu mais inconsequente e improvável líder para a chefia do Estado.
Em quase, se não na totalidade dos regimes democráticos o presidente da República tem a prerrogativa da dissolução dos seus parlamentos sob os mais variados argumentos políticos, de modo a reforçar a solidez do Estado. A História ocidental está prenhe dessas contingências, Portugal incluído.
A chefia do Estado venezuelano, mormente o seu presidente não o podem fazer, dada a Constituição do país mas o seu Tribunal Constitucional pode e fê - lo. Antidemocráticamente? E porquê só na Venezuela? Em toda a Europa e não só, os parlamentos dissolvidos tinham sido democráticamente eleitos e foram dissolvidos pelos seus presidentes sob o pretexto dos parlamentares. Três presidentes, na nossa curta história democrática fizeram - no, nomeadamente Eanes, Soares e Sampaio, sem se ouvir um pio das outras democracias. A França fá - lo sempre que há uma eleição presidencial e a maioria constituída na Assembleia, democráticamente, não corresponder à maioria que elegeu o presidente. 

Um dado adquirido - não há duas Constituições iguais em todo o planeta, pelo que, partindo do princípio que nelas se plasma a praxis que, no momento histórico da sua implementação configura o sentir maioritário dos cidadãos, são legítimas e são o resultado do compromisso político aceite. 
Em Democracia, na Venezuela, aconteceu ISSO e Maduro tem a legalidade e a legitimidade da maioria para, perante o " estado de sítio  social  " instigado pela Oposição nacional e internacional, reforçar o seu regime democrático e não alinhado com os U.S.A.,como o fariam e fazem TODAS as democracias do Ocidente. Aliás, esse é o pecado dos regimes que a CIA deita abaixo em quase todo o planeta com o beneplácito e cumplicidade da Europa,  se as suas fraquezas assim o permitam. 

É espantoso que ESTE FILME , com tantos remakes ainda consiga ser visionado, por sociedades que se dizem civilizadas e democráticas, onde se respeitam as diferenças de opinião e visões políticas dos seus cidadãos, sem repugnância.

Todos os erros políticos cometidos ( atire a primeira pedra o não pecador... ) pela liderança chavista não justificam tamanha falta de respeito e hipocrisia do Ocidente para com uma democracia que se pretende ser socialista.

Quanto aos Media, só tenho a deplorar o tratamento, no mínimo estúpido e mimético, da crise social venezuelana. A habitual leviandade e leveza de rebanho etiquetado...

quarta-feira, agosto 02, 2017

D'os IMAGINÁRIOS SOCIAIS ( cont. )

O MEU, NATURALMENTE...,

... NO SOMATÓRIO DO TODO

O racismo e a xenofobia, comum entre todos os povos em relação ao forasteiro e estimulado pelas diferenças não só físicas como culturais, uma banalidade social aos poucos em extinção pelo globo, assim como o machismo e um feminismo obsoleto que os seus resquícios ainda sustentam, a existir e existe, em franjas marginais da sociedade portuguesa, teve o seu tempo histórico e não é hoje sustentável em Portugal.

Se quisermos, por outro ângulo de incidência na criação desse imaginário, num plano hermenêutico de pesquisa de que Taylor chama de " expectações " no plano ético/moral e que eu reduziria à qualidade do civismo, num englobamento, chamemos - lhe ontológico, há um dado adquirido ao qual se atribui muitos nomes consoante o grau de depreciação agreste ou benévola. Ele é o " DESENRASCANÇO ", uma auto - assumida, pretensiosa mas aplicável genéricamente às gentes lusas, capacidade de contornar, no sentido lato, instrumental, ético ou mesmo moral, as contrariedades da vida.
A diferença, em relação ao que se poderia chamar de iniciativa, comum à racionalidade, está no atrevimento e desfaçatez normalizados como prática do dia - a -dia em todos os campos de actividade, mesmo a especialização. ( esta prosa não é uma teorização social, avisa - se, é o meu imaginário... expresso )
Essa evolução, que desde a Revolução de Abril se foi cimentando na nossa modernidade e que pela rapidez com que, no espaço de uma geração, se impôs no imaginário moderno português, atesta o alcance que o condicionamento fascista, repressor, do Estado Novo de Salazar tinha num imaginário que, liberto das amarras, se expôs em toda sua glória.
A autoflagelação, a auto - crítica feroz recorrentemente vem à superfície como resquícios dessa vil tristeza a que Portugal esteve submetido durante o que hoje nos parece uma eternidade, uma eternidade que também foi o reflexo da ideia que Portugal tinha, então, de si.

terça-feira, agosto 01, 2017

UM RAPOSO reaccionário...

...ATÉ MAIS NÃO

ATAQUE AOS MEDIA!!!???


Desconhecia até há poucos dias essa capacidade directa e dirigida dos partidos de controlara Comunicação Social em Portugal. Fico de sobre-aviso...

O upgrade, assim para o desmiolado da caracterização do Partido Socialista, para não falar das transmontanas diatribes contra o Bloco de Esquerda e o acirrado ódio ao P.C.P., estão a atingir um nível preocupante dentro da Direita portuguesa.
A leitura, em desconcerto, da última prosa de Henrique Raposo no Expresso, a par das histórias de cadáveres, dos suicídios, dos ciganos, de ameaças inconsequentes de moções de censura, puseram - me os cabelos em pé.
Utilizar o Expresso, o meu jornal, para isso, é inadmissível. O Expresso não é o Correio da Manhã; sempre se pautou, globalmente, pela distanciação objectiva e inteligente, não isento de críticas, óbviamente, nas suas análises, que nem mesmo o mais empedernido sectarismo conseguia abalar na credibilidade dos seus colaboradores. A inteligência crítica sempre foi por mim saudada, a emotividade rasteira e manipuladora nunca aí se tinha denunciado, até agora.

Raposo cita Trump, a despropósito, sobre pretensos fake news instigados pelo P.S. e parte para uma teoria de conspiração delirante, enquanto despeja estados de alma pungentes para cima do leitor a passar por análise racional.
De que fala ele? Confesso que não percebi. Se de uma conspiração do P.S. no sentido de controlar os Media, propriedade da Direita, já agora, com o, hoje, insidioso contrabando do nome Sócrates a credibilizar as pretensas denúncias, entra - se no campo da infâmia ( não, a ingenuidade não mora por aqui... ) e já estamos a entrar no campo da erosão... ética.

E... fico - me por aqui, até porque quero crer que será uma fase passageira no desnorte que se apossou do universo dos direitinhas...

segunda-feira, julho 31, 2017

DIA MUNDIAL DO ORGASMO!!!???


ORGASMO? TÃO FÁCIL COMO SALTAR À CORDA...

UMA BUROCRACIA..., MAIS INTERESSANTE DO QUE A CONSAGRAÇÃO, ESSA, IMBECIL, DO DIA...

D' OS IMAGINÁRIOS SOCIAIS...

... SUSCITADOS PELO ESTADO ACTUAL DO PAÍS
                                                                 ABEL MANTA


Sobre os " Imaginários sociais modernos ", título do livro de Charles Taylor, um estudo comparativo/evolutivo das pegadas sobre o desenvolvimento dos movimentos políticos, sociais e religiosos que caldearam a sedimentação, no Ocidente e válido para o resto do mundo, dos valores adstritos a cada uma das representações simbólicas ou efectivas, do nosso modo de ser, através da História, há um mundo vasto de hermenêuticas díspares que nos atiram, pela força das reacções destemperadas, a interrogar - nos sobre o espaço social que nos rodeia.

Marca distintiva do que hoje poderíamos chamar de " civilizações ", sob(re) a abrangência do que hoje se apelida de Globalização, as " práticas sociais ", das aldeias às cidades, das nações aos continentes, do Ocidente ao Oriente, definem o que o autor chamou " Imaginário social ".


Qual será, interrogo - me, à luz dessa reflexão, o imaginário social luso? O que pensa o país de si e ... do Outro? Como se protagoniza em relação ao exterior?
Vários personagens ilustres portugueses se debruçaram, uns em angústia, outros satíricamente, outros em escárnio e outros em emulação, sobre essa contingência. De Aquilino a Torga, de Sena a Pessoa, de Almada a O' Neill, de Saramago a Herman José, traçaram pistas de entendimento e catarse à alma lusa, eventualmente imbuídos dessa condição de eles próprios fazerem parte desse imaginário interrogado, numa relação de estima/repulsa tão singular como a deste escriba, ave de arribação de Cabo Verde, desde 1964.

A caracterização do que na gíria e no fado se chamaria a " alma lusa " é um tema sensível e conflitual; provoca reacções extremadas e acefalias recorrentes, quando são denunciados aspectos ( sejamos políticamente correctos... ) menos abonatórios do carácter globalizado do ego português, ( existirá como tal ou é um mito social?), as suas taras e manias, as suas obssessões e presumíveis laxismos morais.
Nem tempo, nem espaço e nem paciência para englobar citações de apoio das investigações sobre os portugueses, dos portugueses e dos outros sobre os portugueses, que sobre o imaginário deles e dos naturais teceram um " imaginário social luso ", fico - me pela vasta experiência das minhas solitárias e partilhadas observações do país e dos seus habitantes, do Portugal de lés-a-lés.

Uma bizarra combinação da mais espontânea generosidade com a mais vil mesquinhez atravessa verticalmente o tecido social luso.
Antes, vai um esclarecimento necessário - " Por imaginário social entendo algo de muito mais vasto e profundo do que os esquemas intelectuais que as pessoas podem acoitar quando pensam, de forma desinteressada, acerca da realidade social ", diz - nos o prof. Taylor.
 É, contudo, exactamente, nesse esquema intelectual que me quero situar, como observador, para lá das " imagens " de conforto ou desconforto que são partilhadas colectivamente.

A auto - flagelação depreciativa, íntima, mas projectada no colectivo, que o atavismo provinciano contemplado pelas necessidades constantes de reforço de auto - estima na relação com o Outro(s) transporta, espraia - se em toda a Comunicação, verbal, escrita ou televisiva, em Portugal, a par da posse simbólica dos sucessos dos conterrâneos. A excelência, que simbióticamente se parasita funciona, compensatóriamente, como placebo temporário até à próxima crise.
Ronaldo, Saramago, Mourinho, entre outras genialidades reconhecidas pelo Outro, são os avatares modernos dessa projecção fantasmática.

Qual o dado adquirido civilizacional do país? Qual a base comum senão a integridade territorial que a Língua cimenta, passível de ser integrado no imaginário social do país?
Tenho por mim que a abertura de espírito dos lusos, própria de povos exploradores ( em todos os sentidos... ) que, se dos britânicos, espanhóis ou holandeses, a contenção snob e a barbaridade colonizadora, marca a diferença em grau, pose e posse, dos restantes povos do Ocidente. Os " brandos costumes portugueses " fazem parte desse imaginário, que se abraçou, então, e ainda hoje, com as mulheres de todas as raças.

( a continuar... )

sexta-feira, julho 21, 2017

SMALL TALKIES...

... OU O BICHO - DE - MATO E OUTRAS ESPÉCIES


CONVERSA FIADA ( apolítica )... mesmo!

Esse desconforto com a banalidade sonora das conversas da treta tem - me acompanhado desde que que por aqui arribei. O que mais me chocou, e as estatísticas britânicas vieram a confirmar no espaço da Commonwealth, em relação ao inglês, foi que o meu português ( gramaticalmente correcto e com uma carga lexical a milhas do que me foi dado a contemplar... )  não era compatível com o small talk residente. 
Se eu quisesse resumir, numa palavra, a abrangência da epistemologia filosófica numa  conversa da treta, num meio universitário, claro, onde arribei,  o raio da acção dos ouvintes restringia - se catastróficamente.
Apesar da minha genuína disposição empática para o bate papo inóquo, a restrição da minha capacidade de desligamento, melhor, de dilatação ambiental da minha paciência de ouvir tretas atirava - me, quase sempre, para a bichomatice, dada a incapacidade de encaixe no universo das conversas catadeiras.

Arrogância? Nem por isso... A solução, impossível, seria o silêncio e ouvidos atentos, que a minha curiosidade intelectual alimentaria, SILENCIOSA, até morrer.
Desgraçadamente, a partilha compulsiva dos meus fracos conhecimentos do mundo, da História do mundo, das minhas experiências pessoais e das minhas reflexões sobre a espécie, é - me, é - nos de uma brutal emergência, daí o meu barulhar por sobre a a catadeira condição.

" Lá está o meu avô a ralhar com a televisão... " - comentam as minhas netas às minhas censuras sobre o desbragamento com que a Língua Portuguesa está a ser tratada na veiculação de asnices ,pedagógicamente imbecilizantes.

Voltando à vaca fria..., a " COMO FALAR BANALIDADES " - do Luís Pedro Nunes, na Revista do Expresso  passado e aceite o desafio da conversa, espero que não - fiada, acrescento que... quando a treta é demais e a banalidade resiste aos meus contrabandos desviantes, bem..., BLOQUEIO e... passo por bicho - de - mato, na maior...

Einstein dizia que um serão em que todos os convivas estivessem de acordo seria um serão perdido.
Espero não ter dado, com o meu silêncio enfastiado, cabo de alguns...

quarta-feira, julho 19, 2017

CRÓNICA ANTIQUARY...

... DE UM FALSO  " MACHISTA " ENFASTIADO

E É PARA CHATEAR, QUE ISTO ESTÁ UMA SECA....

Em 1964, nos meus tenros 17 anos, desembarquei em Portugal, vindo da minha santa terrinha - CABO VERDE - , como prémio da minha e doutros colegas, (camaradas, que colegas são as putas... )  capacidades estudantis.
 Explico...
Os melhores alunos de cada ciclo liceal tinham como prémio a recepção no palácio do Governador para um almoço formal ( no meu tempo era Silvino Silvério Marques, de quem guardo gratas recordações... )  e uma viagem guiada ao Continente, de norte a sul do país. E, acreditem, deu - me para ter uma ideia, para lá dos manuais, da realidade da pátria lusa. Um QI elevado e uma curiosidade maníaca pelo " sapiens " fez o resto.

O Portugal cinzento que me acolheu, então,  a que só a " rebeldia " de um Rangel, cuja identificação me escapa, Procurador, então, dos estudantes ultramarinos, que nos salvou de uma cerimónia parola no cabo de Sagres em pleno Inverno deu alguma pimenta, era de uma provinciana e , para mim, decepcionante parolice.

Adiante, que o tema da minha chateação é outro.
Espantou - me, então, a largura do rabo luso(a) em comparação com o , concedamos, famélico e elgante rabo caboverdiano, nomeadamente das nossas garinas, do alto dos seus 1.60m , em média.

Quase meio século depois da Revolução de Abril e do " Nestum com figos " que elevou para alturas do 1.70 o perfil luso, sedimentou - se em Portugal três tipos de perfis femininos ( estou - me borrifando para os gajos... ) a que dei os  nomes de CulPizza, CulBurger e CulVegan.

Atirado para um quarto andar com vista para uma Pizzaria e caldeado pelas visitações às catedrais do consumo, vulgo, Centros Comerciais, a minha atenção sobre o perfil da espécie ( um vício intelectual deprimente... ), nomeadamente das garinas agudizou - se ( velho tarado, dirá o meu alvo... ) e fez - me notar que a bunda grande criou chão, não só no lusitano quadril como no afro-quadril residente.

GIRO?
Nem por isso...
Muito espaço para preencher tem criado um vazio que as FUFAS estão a ocupar, trôpega e alarvemente. É que não houve ( e remeto - vos ao post anterior... ) nem haverá correspondência orgânica para isso.
Como lidar com isso? Exigir mais CulVegans.
Eu, com 71 primaveras, caminho ( ainda não... ) para a nostalgia e estou de saída. FAT ASSES!!!??? Uma canseira!

P.S. Não liguem, minhas lindas, a este " velho " chateado. Eu adoro -vos, a todas. CUIDEM - se!

A LIMPEZA DA MERDA...

DAESH....

UM ABORTO, POLÍTICO, SOCIAL, RELIGIOSO, CIVILIZACIONAL, está a ser varrida do planeta.
Quando acabar a limpeza regressarei ao tema...