quinta-feira, novembro 10, 2011

Ao ABRUPTO...

Há uns tempos que não visitava o abrupto...
Fiz mal, esquecendo - me de que o JPP é um dos mais lúcidos analistas portugueses do nosso tempo e dos outros.
Continua contundente e certeiro mas precisa, justamente porque lida preferencialmente com matéria séria e gente pouco séria, de não se levar excessivamente a sério, já que não há, aparentemente, do outro lado, quem possa apontar falhas ao seu processo de desmascaramento de más - consciências quando V. funciona como um verdadeiro iluminista que o é ; só lhe tem respondido o silêncio e condescendência executiva.


Uso este termo, iluminista, porque o tem utilizado ambiguamente, quando o acho mais apropriado à sua pessoa do que às luminárias do Poder que nos tem dirigido cujas denunciadas pulsões são exactamente o contrário das aspirações iluministas; para começar, NÃO dialoga, as suas posições (delas ) são terminais, fundamentadas grosso modo no fim da História, quando qualquer processo progressista, merecedor de uma anexação iluminista, sem renegar o seu elitismo condutor ( as eleições democráticas reconhecem essa necessidade...) tem de se basear no compromisso livremente assumido, sim, de progresso equitativo entre as partes, num diálogo hoje completamente traído por uma BUROCRACIA triunfante e auto - suficiente a funcionar no olho do furacão, cuja finalidade é o PODER, ele mesmo, traduzido nos seus tentáculos financeiros e militares.
As perguntas a fazer sobre o Progresso contínuo, à legitimidade desse Poder em democracia, sobre o seu uso dissonante com a realidade social que lhe daria o sentido da justiça numa liberdade, hoje meramente teórica e vazia de conteúdo prático, a denúncia virulenta dos exercícios hipócritas da sua compreensão formal pela contínua decadência da saúde física, moral e económica dos governados, à vista do que se passa nos centros de decisão, são, dizia, obrigações a que a CRÍTICA iluminista não se pode furtar sob o risco de também ela trair os pressupostos do que se reclama moral e socialmente portadora. 


Honra lhe seja feita  ao chamar os bo(y)is pelos nomes. E que tal, já que a caravana segue impávida e serena, até que lhe sobrevenha o assalto esperado, vergastar com mais sarcasmo, escárnio mesmo, ( sei que é capaz...) esses outros iluministas(!!!?) de que V. fala?


Até à próxima!
Cordiais saudações de um leitor atento

quarta-feira, novembro 09, 2011

HAJA QUEM MANDE...

Onde é que já ouvi isso? De todos os adversários da Democracia...


Nesses casos, quando não querem falar connosco, temos de falar deles...


António Ribeiro Ferreira, editorialista do jornal " I ", insiste nos seus dislates contra o que ele chama de políticos da treta, só que o que se revela às escâncaras é o seu desamor pela democracia...
Ontem, verberou com violência palavrosa a postura democrática tout court do ex primeiro ministro grego Papandreou por se ter ousado pensar propôr um referendo ao seu país no sentido de lhe apurar a sua capacidade de afrontamento com as duríssimas medidas impostas pelos seus parceiros da U.E.
Por outro lado, ensaliva - se pavlovianamente com a perspectiva de ver a Grécia entregue a uma Comissão de tecno - burocratas a mando da sua adorada Merkel, que iria pôr ordem na " desbunda democrática ", cito.


O que importa, para o sr.Ferreira, é a deriva tendencialmente fascista onde " a Alemanha da senhora Merkel mostre ao mundo e aos europeus que na U.E. há alguém que manda ", recito.


Política com laivos de testosterona mal amanhada, claro, em que a MAMÃ, de chinelo em riste compensará as botas saudosas do outro num imaginário em que esta estória de Democracia catita é uma parvoíce pegada.


Heil Merkel! Viva Salazar! Abaixo o comunismo!


Haja pachorra, sim, para tanta invertebração!

terça-feira, novembro 08, 2011

VOU POLEMIZAR...




VEJAMOS: EU sou um  caboverdeano, mestiço, como eventualmente o serão esses dois senhores e fatal como a Terra continuar a existir, virão a ser todos os seus habitantes, pelo menos no mundo ocidental democratizado.
Isso quererá dizer que o racismo já não é problemático nos dias que correm por estas paragens? De maneira nenhuma... Mas uma coisa é certa - não tem já a componente dramática e insultuosa que o léxico de outros tempos e de outras circunstâncias substantivava históricamente.


Chamar negro a um negro só lhe pode, se não for tão estúpido como o pretenso insultado, merecer - lhe uma gargalhada ou o sarcasmo em resposta - Isto era para ser um insulto?
Desconheço, como TODA A GENTE, a pretensa imprecação do jogador Javi, caucasiano meridional, ao jogador Alan, mestiço brasileiro, mas se meteu a palavra negro desfasada de um determinativo ou adjectivação, como por exemplo branco de merda ou preto sujo, não vejo onde poderá estar o insulto, a não ser que o ofendido, por NÃO se considerar Negro, se sentir ofendido pela ignorância do Javi e se calhar da sua, em distinguir as tonalidades que permitem distinguir as raças, sub - raças e seus derivados.


Tudo isto para dizer, desdramatizando, que mais insultuoso é o predicado e a adjectivação que o nome, para quem saiba diferenciar ou conhecer a Lingua que os veiculam.




- Ó branco, passa a bola!
- Vem cá tu buscá - la, ó negro...


Ó minha gente dos jornais, tomem juízo! 
Não façam uma tempestade num copo de água misturando as mariquices lamurientas do Alan com a facilidade de serem manipulados com a vossa tendência irresistível de manipular quem goste disso.


INSULTOS dentro de um campo de futebol!!!!???? Que PORRA, é preciso nunca ter estado lá dentro para se fazer juízos do teor dos que tenho lido. Ignorância ou pura má -fé, pois claro!

segunda-feira, novembro 07, 2011

SUSPIROS...

Um homem entra numa livraria e dirige - se  à empregada:


- Minha senhora, é capaz de me ajudar a procurar um livro?
- Certamente, senhor... Qual é o título da obra?
- O homem, o sexo forte, diz ele.
- AHH!.., suspira a empregada. Os livros de ficção científica são na cave, senhor.

quinta-feira, novembro 03, 2011

DIÁLOGOS INTERROMPIDOS...

Os problemas que hoje assolam a modernidade têm uma raíz tão funda como a história dos seres humanos e baseiam -se na resistência do conhecimento velho perante a nova consciência que o interroga e desmonta os preconceitos cristalizados em cansaço e impotência.
Quando, sobre a estabilização dessa velha sabedoria, datada, cimentada e arrogantemente surda, mudam as  realidades, que teimam em desmentir a morte das soluções, hoje apresentadas como terminais,  se levantam interrogações e reavaliações sobre o caminho seguido, o Poder responde com o reforço das suas certezas sobre um sistema em crise sistémica.
A precipitação com que as luminárias burocráticas lançaram a Globalização, sob o alibi da universalidade do Comércio e da amoralidade do Dinheiro com o pano de fundo da victória sobre as ideias contidas na ideologia socialista, foi fatal ao Capitalismo , em confronto com realidades outras históricamente desenquadradas com o seu suporte singular - a Democracia ocidental.

O grito de guerra no Ocidente é, hoje, mais PRODUTIVIDADE, para fazer face ao trabalho escravo de outras paragens.
 Numa sociedade de abundância produtiva e uma monstruosa riqueza acumulada, o normal seria, em termos de justiça para com o povo contribuinte para essa riqueza e bem-estar se o automatismo cego contido nos genes do sistema a isso não obstassem, a gestão solidária dessa riqueza em favor desse povo em crescimento e não, em demandas prossecutórias, formatar coercívamente o resto do planeta, desfasado em relação ao percurso histórico que permitiu A realidade ocidental.

A Grécia é hoje o véu de Maya a disfarçar uma evidência - a falência do Sistema - que os preconceitos reforçados pela queda do regime soviético, então simulacro perverso das ideias socialistas, não deixam ver - a superioridade ideológica e humanista contida nos seus pressupostos, princípios e fins e a sua conformidade ética com o elevação espiritual da espécie.

Daí o regresso urgente à discussão, ao diálogo ideológico com o velho e o esclarecimento, num critério intelectual, filosófico, ético e prático, junto dos jovens, sedentos de uma base PROGRAMÁTICA de acção.
Um dos maiores crimes cometidos pela inteligência ocidental e não só, foi o abandono cínico e despudorado das suas obrigações elitiistas aos práticos e positivistas de toda a ordem e à sua visão amoral do mundo e dos homens, em nome de um academismo intragável e narcisista quando não o coloca ao seu serviço em venais beija- mãos.

segunda-feira, outubro 31, 2011

A NÃO ESQUECER...








... Por TODOS os líderes do mundo, numa reflexão URGENTE e NECESSÁRIA sobre os retratos que de si dão aos povos que lideram e ... principalmente aos OUTROS.

domingo, outubro 30, 2011

E UMA PERGUNTA...

... Sugerida pelos ALTOS do Expresso de hoje ao Presidente da Ordem dos médicos, cujas posições sobre a prescrição por princípio activo se estão a revelar - se militantemente contra, que é esta - cito de cor - Se o controlo de qualidade dos medicamentos por parte do Infarmed não é suficiente, por que razão não o fazem os médicos, partindo do princípio que esta deveria ser a sua principal preocupação, em nome da saúde dos doentes, acrescento eu...


É claro que dizer que essa não é a sua função, que há uma entidade responsável por este trabalho levantaria a mesma questão:- Quem, melhor do que os clínicos, tem a capacidade real de monitorizar a eficácia dos fármacos? E fazer denúncias públicas, como é suposto ser a sua obrigação, das malfeitorias e ineficiências associadas a tal produto?
Se a Ordem tiver dúvidas sobre a incompetência da Infarmed que ponha tudo em pratos limpos antes que a sua posição comece a ser contaminada por suspeitas de interesses pouco claros com as Farmacêuticas que a rebaldaria dos bailes de piratas e dos congressos médicos trouxeram a lume.


Posto isto e como doente quero crer que são exigidas  posições claras e transparentes sobre toda a matéria dos genéricos.
É que nós confiamos NOS médicos e não nos industriais do ramo. Pelo menos eu, pela minha saúde!

EIS UM EXEMPLO...

Com outros contornos, com outras justificações amorais, já que estão em matéria de Direito, do estado de Direito, vem o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, António Martins alertar - nos para a violência dirigida a uma classe profissional - a dos funcionários públicos - na apropriação ilegal por parte do Estado, através do corte nos subsídios de Natal e de férias, de rendimentos dos quais são credores.


A ilegalidade dessa acção, que segundo o magistrado só seria exequível numa situação de estado de emergência ou de sítio, proclamações jurídicas que não foram até à data accionadas, é no seu entender clara e inconstitucional.


Uma pergunta: - Como é que o governo iria descalçar o SAPATÃO que uma corrida aos tribunais por parte dos cidadãos lesados, com o apoio explícito dos juízes, lhe enfiaria?

quinta-feira, outubro 27, 2011

E DA VIOLÊNCIA POLÍTICA?

Essa seria a reflexão seguinte se hoje, mesmo a despropósito, o tema não me tivesse sido roubado pelo historiador José Neves na sua " Gramática da multidão " no jornal " I ", em que exige que se faça uma distinção entre Violência e violências. É que a má-fé que acompanha o uso indiscriminado e malfeitor da palavra, que quando associada aos nossos interesses e praticada pela democracia é pedagógica, como a outra - a Liberdade - e abominável quando, dentro ou fora da democracia se expõe num outro argumentário e com outros fundamentos.


Citando, com a devida vénia, - " ... Mas estas notas poderiam igualmente aparecer aqui em resposta ao modo como muitos media tratam o problema da violência. Se há semanas atrás um jornalista se condoía com o sofrimento e a dor envolvidos nos vidros partidos de uma montra de Londres, ontem um seu colega comprazia - se excitado com o assassinato bárbaro de um homem odioso como Kadhafi. Falemos então de violências e não de violência... "


Fica para outra altura...

quarta-feira, outubro 26, 2011

LIBERDADES 2

...Dito isso, dou por mim em melancólica reflexão sobre o futuro da Líbia que acabou de assassinar o seu presidente, libertador em nome de outras liberdades então, em tempos que ainda não são memórias históricas...


Em cada alma líbia se organizou um objectivo, uma determinação, uma indiferença, uma negação, à volta da sua revolução para depôr o seu presidente, que, sabêmo - lo agora pelas filmagens dirigidas entre os revoltosos, estaria a defraudar as expectativas de liberdade do seu povo.
O objectivo claramente definido foi a reposição da LIBERDADE. Muito bem... Que Liberdade? Quais liberdades? 
Os desenvolvimentos para a nova constituição do país colocam no centro do Estado a lei islâmica. A Líbia não será um estado laico e as consignações respeitantes ao formato legislativo terão o cunho dos legisladores do partido que vencer as próximas eleições para as novas autoridades dirigentes do país.
Se levarmos em consideração as posições e as aspirações ocidentais acopladas no apoio expresso à revolução e os retomados azimutes dos otomanos expulsos da Europa e a forte componente fundamentalista abafada até então por Kadahfi, muito sangue vai correr até que sobressaia na matrix do novo país a Liberdade almejada.
Resta saber se será aquela da qual possuímos individualmente a interpretação POR ESTAS BANDAS, ou uma outra decorrente de OUTRAS MANEIRAS DE VER E SER.

LIBERDADES...

Esclareçamos as razões do meu cepticismo em relação ao receituário que se tem aplicado aos povos libertos e a libertar pela Nato...


Eu já não estou ao serviço de nenhuma Ideia sem ser aquelas continentes e sustentadas por uma formada auto-consciência que a cada passo me baliza a racionalidade pela Ética, assim mesmo, com maíuscula metafísica que é para a distinguir das éticas existencialistas, positivistas, que levaram ao falhanço do Iluminismo. 
A Liberdade é um bem pelo qual darei a vida, aliás como uma boa parte da população adulta e esclarecida, creio eu, do planeta. Conceito só fundamentado numa interiorização vivida por esse esclarecimento, ela tem nuances que as circunstâncias locais vão esbatendo em cada povo, em cada cultura.
A minha liberdade, por exemplo AQUI, em Portugal, não tem muita coisa a ver com muitos, com a maior parte da liberdade dos outros portugueses; ela só se tornou no que é, só se formou como é como produto de toda uma história de vida e assim acontece com a liberdade dos outros. A minha não é melhor nem pior do que a dos outros, é simplesmente MINHA, só que difícilmente manipulada...




( continuaremos...)

d'O CON(C)SELHO INÚTIL...

DIÁLOGO CONSTRUTIVO!!!???


O que é que ISSO pode, minimamente, significar perante as situações concretas vividas pela população em geral, a inocente e a culpada, se não uma inconsequente declaração, aliás na linha dos pressupostos que fundamentaram esse conclave simulado pelo P.R.?
Diálogo entre quem e com quem, quando, ouvindo os responsáveis, TODOS, tudo se reduz à formula desencantada pelo Governo, nas palavras do Burocrata-Mor dessa Repartição da troika em Portugal chamado Passos Coelho, aliás pertinentemente citada de Gottfried Benn (poeta expressionista alemão) - SER ESTÚPIDO E TER TRABALHO - para justificar o tipo de comportamento que se deseja aos interlocutores nacionais, nomeadamente os funcionários públicos.


A cristalização da subserviência pelo medo das circunstâncias cínicamente manipuladas e o seu empolamento deplorável faz parte de uma estratégia, se não for já a sua consequência, de abandalhamento do valor Trabalho por troca com o novo valor triunfante Dinheiro, mais fácil de manobrar e circular.


 Toda a realidade europeia vive hoje anexada à nova fase do Capitalismo que nos quer reduzir, obliterando das consciências a Ideia do Estado-Social, à realidade hoje triunfante na China, nos moldes burocráticos da administração do Estado com a selva liberal à volta nas mãos dos empreendedores e do seu valor moral supremo - Fazer mais dinheiro -, não a produção da riqueza traduzida em bem estar colectivo como garante de equilíbrios no humano, mas por puro narcisismo, a psicopatia marcante das superestruturas dominantes do nosso tempo.


Essa reunião do Conselho do Estado teve uma maquiavélica intenção a começar pela marcação pública da sua agenda com  um falso descolar do P.R Aníbal Cavaco Silva da estratégia do Governo.


Quem, entre os conselheiros, sentiu a manipulação?

segunda-feira, outubro 24, 2011

AI AI AI, OCIDENTE...

SHARIA NA NOVA CONSTITUIÇÃO LÍBIA?


Ou muito me engano ou muita gente vai sentir amargos de boca quando e se o poder na Líbia cair, democráticamente, nas mãos dos fundamentalistas islâmicos dentro de um ano.


Quando isso aconteceu na Argélia socorreu - se do exército laico. Para a Líbia que novas conspirações serão desenhadas?

AI AI AI , PORTUGAL...

Prevejo, com a entrada no melancólico Outono, um agravamento brutal da saúde da  psique dos portugueses, que o implacável Inverno atirará para o divã do psiquiatra se entretanto não  levantar o rabo desse sofá e se juntar a quem está a lutar na rua contra o status quo que a nova brigada do reumático, desta vez internacional, quer manter.

sexta-feira, outubro 21, 2011

VIVA LA MUERTE!!!???



O presidente da Líbia foi ontem assassinado brutalmente na sua terra natal pelos revoltosos apoiados pelo Ocidente.


Mais um, da lista dos inimigos dos USA e da UE, a pagar pelo seu atrevimento de bater o pé ao Império...
Na minha lista vem o presidente sírio e só depois o presidente iraniano. O presidente venezuelano, que acaba de vencer um cancro, virá por fim, se a China  abandonar  o seu comparsa sudanês entretanto... Nunca se sabe...


Por outro lado, se as coisas aquecerem na servil e democrática população ocidental e os governantes começarem a  ser abatidos pela sua população enraivecida, quem tocará os sinos a rebate?


Se me abandonar ao cinismo vigente diria que Kadafi teve o que merecia, mas acontece que me sinto um privilegiado, quase imune ao contágio amoral e hipócrita das justificações justiceiras contrabandeadas em nome de valores como a Liberdade, a Justiça, os direitos humanos, já despidos da sua roupagem original, e não o vou fazer; é que desprezo profundamente os pressupostos que estão na matriz e no pensamento da claque.


A Líbia celebra hoje em alegria a Sua Liberdade, o que quer que isso venha a ser para ela. Que aprenda depressa e bem a senti - La antes que lhA roubem outra vez, tendo bem presente o que lhe custou reganhá -La.

segunda-feira, outubro 17, 2011

POR OUTRO LADO...



... Rufa o tambor e não temas
    E beija a vivandeira!
    A ciência não é mais do que isso,
    Esse o sentido mais profundo dos livros.  ( Heinrich Heine, Doktrin )


Assim começa a Crítica da Razão Cínica de Peter Sloterdijk a sua crítica da modernidade... sem a metáfora imagética, claro...


As patologias sociais que teimam em contaminar o EU na sua procura de uma auto-consciência que lhe permita a adequação à oposição do Outro reclamada pelo Super-Eu e do Outro, reivindicante na sua autonomia, serão necessàriamente tratadas no livro que acabo de abrir, com uma antecipação de GOZO só comparável ao rufar de um tambor imaginário cujas ressonâncias imagino em antecipação.




O poderoso pensamento alemão continuava a marcar a Filosofia ocidental que, nas palavras do autor, se recusa a abandonar a cena porque a sua tarefa ainda não está concluída ...


Página 11...

A DEMOCRACIA É LUTA...



... Em todas as vertentes do que lhe está na essência - a JUSTIÇA - e será através do seu reconhecimento como uma indispensabilidade na harmonização possível e necessária das sociedades e das nações que de colectiva acabará por se interiorizar fundo em cada cidadão.
Não basta vê - la como um Bem, a venerar em displicência, como uma utopia que a natureza humana desmente nestes tempos tão pouco éticos onde a Decadência moral campeia; ela é possível tanto como é possível até onde for possível e é nestas margens de possibilidades dadas pela nossa capacidade de A exigir, forçando as coisas no sentido de contrariar a atomização acelerada dos valores que sustentaram e sustentam em dignidade humana as sociedades, hoje em vertiginosa decomposições culturais.


Num envelhecido, temeroso e conservador Ocidente, instalado em décadas de acumulação material de riqueza, a morte da IDEIA tem - se revelado na tibieza das lideranças, presas a compromissos de casta e a tautológicas redundâncias nas soluções (!!!???) sistemàticamente falhadas que estão a levar à ruína de tudo o que tão duramente foi conquistado pelo esforço de gerações passadas, traídas na sua generosidade por uma classe de contabilistas e burocratas de corrupta e amoral racionalização.
Esse desaparecimento da Moral e da Justiça nos Concílios Ocidentais tem de ser enfrentado e denunciado com vigor e, se preciso for..., com violência, com a mesma violência com que esse poder vai usar para manter o statu quo.
Enquanto a Democracia se mantiver nas estritas margens do formalismo ( por inconsequência ) eleitoral e da liberdade de expressão arrebanhada e enquadrada pelos Media do Sistema, todas as chamadas reformas ( o Velho só reforma, não tem capacidade nem pulsão para revolucionar, MUDAR o que quer que seja... ) reconduzirão, já domesticadas, todas as forças vivas do presente, representadas pelos jovens, ao passado que originou ESTE presente.


As manifestações de ontem alegraram - me como há muito não me acontecia. Espero mais e espero  que as cataratas do Poder ainda consigam descortinar o mundo real para lá da avalanche dos Power Points, das resmas das folhas de cálculo e da ementa da próxima reunião... inconsequente... e OUÇAM junto dos filhos e dos filhos dos outros a sua visão do mundo que estão, em demolição, a construir.

terça-feira, outubro 11, 2011

UMA ONDINHA...

... ESTÁ - SE FORMANDO NOS USA. Pode ser que o Tsunami inevitável venha a ser a soma de várias ondinhas que por aí se vão formando...


As informações sobre elas escasseiam, bem como de imagens livres. Eu por exemplo não consegui nenhuma  foto grátis para postar sobre as manifestações anti - Wall Street ou em outras cidades dos USA. Coincidências ou direitos protegidos? Seja como for é sempre saudável ver jovens, principalmente eles, a lutar, sem enquadramentos amestrantes, democráticos, pelos seus direitos a uma vida digna.
Sem querer, apesar de vívida, recorrer a nenhuma internacional, a verdade a que os factos históricos dão caução,  só pela luta dos povos se criarão as condições de mudanças de paradigmas sociais.


As chamadas manifestações democráticas são consideradas hoje, pelos detentores do poder, um folclore necessário que teria a mesma função de catarse de frustrações como os desportos de massas - Um circo, portanto, onde os protagonistas, bem separados dos espectadores, tratam do que interessa enquanto a turba berra à distância segura. Acontece que aos poucos uma parte dela está a saltar para a arena e mesmo que os Estados entrem num torvelinho fascista, as mudanças chegarão, DE UMA MANEIRA OU OUTRA, pela paz ou pela subversão.

domingo, outubro 09, 2011

COM JEITINHO....VAI!l

Foi - me preciso algum esforço, depois da minha visita semanal aos Media portugueses, vir falar do sr. Mário Crespo e os seus Inadaptados apontados na sua opinião de ontem no jornal Expresso, nomeadamente depois de ler Clara F. Alves ouvindo um relato lúcido de um grego amigo, do Miguel Sousa Tavares a descerrar - nos as cortinas da memória sobre um passado tão recente que só é realmente memória para quem fundo enterrou os factos e de D.Oliveira com o seu Capitalismo de candonga, ainda sobre a razão das razões das coisas serem assim e não assado num mundo onde a História dos povos está entregue à Cibernética e aos contabilistas....


Mário Crespo é um exemplo concreto dos " intelectuais " ( tenho de aspeá - lo ) ao serviço do fim da História que apontei no post anterior.
A sua azia pela vida dos outros e possívelmente da sua, espelha - se no seu fácies, onde cada músculo se retrai em azedume e desprezo, reflectindo um profundo descontentamento com uma certa maneira de ver as coisas..., simplifiquemos..., com a esquerda, ou mesmo o Estado que aparentemente não soube, enquanto andava na RTP, apreciar os seus auto - convictos dotes de fidelidade canina que ele acabou, por fim desprezado, por pôr ao serviço de si próprio.
 Alguém tinha a obrigação de reparar em tanto empenho posto na derrocada do poder socialista e conseguir - lhe o almejado posto de correspondente nos USA, o sr. Miguel Relvas, por exemplo..., Não!!!?
Vai daí, já que o fantasma do Sócrates parece ter - se esgueirado para a companhia do dono em Paris, ainda há por aí uns inadaptados aos quais urge zurzir, uns resquícios da cartilha da Internacional que ainda estrebucha e ameaça a nova Ordem.
A colagem com o caído em desgraça junto do chefe Passos Coelho, Alberto Jardim, é de génio. Nada como comparar a sabujice e a pedintice do povo com esse senhor, que finge não conhecer ninguém... e é um grande ingrato. E se ao povo anexarmos os seus sindicatos, está o serviço feito.


Elementar, diria Holmes, como elementar é a força das coisas, não?

TELEVISÃO PÚBLICA

Recorrentemente, sempre que a Direita chega ao poder em Portugal, prepara um novo assalto aos media públicos.
 Este novo governo achou que o trabalho de sapa iniciado já nos tempos de Cavaco com o esvaziamento das receitas próprias e legítimas das taxas ( nunca ouvi, na verdade nenhuma indignação popular à sua existência... ) e com a criação de dois canais privados também legítimos nos seus propósitos e com a quebra deliberada dos seus recursos publicitários e com a bendita Crise, se tinham criadas as condições necessárias  ao assalto final. E vai fazê - lo, quase sem resistência, pelos vistos...


Acontece que a ideia última assentava e ainda assenta, na extinção de um concorrente, que pelas suas  obrigações de serviço público obrigava a uma qualidade que, por permanente e legítimamente escrutinada, levá - lo - ia a um refinamento da qualidade das suas emissões com um natural aumento de audiências e... PATROCÍNIOS.
Ora é disso que se trata, SEMPRE que se fala da RTP, por exemplo, como as novas machadadas dadas pelas reduções das suas quotas de emissão publicitária no sentido de beneficiar, estrangulando - a orçamentalmente, os canais privados.
Esta tática, melhor dito, estratégia já que é mais abrangente, de tão básica, descarada e viscosa já é tão antiga ( lembram - se das anteriores privatizações? ) que, apesar de se revelar eficaz pela tremenda manipulação de um universo culturalmente muito débil como é a nação lusa, já deveria ter alertado a sua elite intelectual para o crime lesa - Pátria, na linha dos que se preparam para os outros sectores FUNDAMENTAIS para a maioria da população portuguesa como a Energia, os Transportes, a Saúde e a Educação, se cobardemente a maioria deles não estivesse já comprometida numa alarve propaganda aos interesses dos seus patrões e, julgam eles, coincidentes com os próprios...


A população portuguesa TEM de ser protegida dessa ganância imbecil e parafraseando Almada Negreiros, o que essa ganância  tem a mais sobre a ganância universal é SER PORTUGUESA e ter como campo de acção um país pobre e esmifrado até à medula.
Eu sei que para os vampiros do Zeca o dinheiro não tem pátria e hoje com o euro, mais apátrida ficou e sabemos bem aonde vai parar...., longe dos deliberadamente encolhidos dedos do nosso Estado, também ele quase exangue de tanto chupanço.


ARRE!

quinta-feira, outubro 06, 2011

FIGHT BACK!!!!

Estão a reduzir - nos à condição de sobreviventes, à Biologia, à condição básica onde a amoralidade dita as leis. Sendo assim, estamos à mercê da subjectividade, da recusa de uma realidade objectivada pelas nossas acções, à qual se tentou dar um equilíbrio necessário à sobrevivência da espécie.


O sistema vigente FALIU. A filosofia que O sustentou revela -se já INADEQUADA na interpretação desse equilíbrio com a Liberdade que lhe daria sustentação.

O SAPIENS é uma espécie a que a sua evolução racional não acrescentou NADA, a não ser a redundância cognitiva da sua mortalidade e a temporalização adiada da sua extinção, que a distingue das outras que habitam o planeta, uma maldição  que lhe marca o seu percurso como uma luta sem tréguas com a MORTE.

A nossa condição, de tão básica e efémera, chega a ser patética, por disso darmos conta na nossa apreensão do TEMPO como uma referência definitiva ao SER.
E é nesse espaço temporalizado, ocupado pelos nossos actos, pelas nossas escolhas, que o rumo essencial do que nós escolhemos ser, ocupado ÚNICAMENTE por nós, é que podemos deixar a marca da nossa passagem. Essa será a PEGADA que vale a pena deixar na promoção da evolução espiritual da espécie.

Reduzir - nos à condição material e espiritual de neantherthal, é inaceitável. Somos portadores de uma capacidade divina. A exigência do seu uso para a contemplação do que lhe esteve nos primórdios da sua necessidade, é uma OBRIGAÇÃO a que urge dar sentido, JÁ!

sexta-feira, setembro 30, 2011

EVENTOS CABOVERDEANOS



                                                   Eugénio Tavares ( 1867 - 1930 )


Soube que vai haver um recital de poesia e intervenções sobre o poeta caboverdiano Eugénio Tavares a par de outras actividades culturais no Museu de São Roque em Lisboa hoje às 18 horas e no dia 2 de Outubro. Há mais informações no blogue africaminha.


Infelizmente não me é possível estar presente o que lamento. Desejo que o local seja pequeno para os presentes e que a lembrança das nossas raízes esteja presente no coração dos participantes.
Eu estarei lá...

MODISMOS?...

De há uns tempos a esta parte tenho reparado que os nossos jornalistas, comentadores, bloggers e por aí adiante passaram a usar o termo mil milhões em vez de bilião. A razão dessa terminologia na língua portuguesa motivou uma pequeno sururu cá em casa com os meus garotões. Tive de recorrer - me aos meus e aos, com mais fundamentação, deles, já que um é bioquímico e o outro é eng. informático, conhecimentos aritméticos, para o caso, para chegarmos por fim a uma conclusão da qual eu tinha a certeza, ou seja - 1 bilião de euros é a mesma coisa que mil milhões de euros, coisa que eles contestavam.


Não sei se os apontados em cima enfermam do mesmo êrro e sendo o caso, não têm a noção do que estão a falar quando se referem a estes números, ou então...


A minha estranheza sobre a confusão e a terminologia levou - me a cavar mais fundo, o que me levou ao site do Jornal de Negócios que sobre a matéria já tinha feito um esclarecimento e cito de cor - Nos países de língua inglesa e no Brasil a escala usada conduz a uma terminologia diferente da Europeia, que pára no bilião, que apesar disso corresponde a mil milhões europeus. A partir daí a coisa muda o que leva a que dois trilhões deles correspondam a dois biliões nossos.


De qualquer maneira, o uso de mil milhões em vez do bilião só tem pertinência para o exterior e É um modismo mimético, mais nada.

quarta-feira, setembro 28, 2011

REVISITAÇÕES...

... Benignas e sempre esclarecedoras para quem, no tempo heideggeriano, a liberdade e a temporalidade se ajustam na procura de significados sobre o presente e o futuro remetendo - se ao passado, ao lugar da Culpa e da Responsabilidade, às origens, perscrutando o porquê das dificuldades de hoje nas arrojadas e pioneiras invectivas de harmonização do real com o sujeito da História - NÓS.


Nesta demanda se encontra o historiador José Pacheco Pereira. Que lhe seja claro e transparente o olhar e sobre as suas redescobertas nos dê alguma luz.Lamento não conhecer o grego e directamente, da fonte, superar a incomunicabilidade ou a reinterpretação que sobre a palavra, numa hermenêutica quase sempre condicionada por uma inteligibilidade inexorável que o Tempo e o Espaço vai cavando na sua marcha, se exerceu.
Limito - me, pois, às traduções e aos conselhos de quem me merece atenção.


Sugiro, a propósito, para o reconhecimento dos gregos a revisitação ou a abordagem da Odisseia de Homero ( menos denso que os epicuristas, os socráticos ou os platónicos ) para, quase de seguida (re) pegar n'os Lusíadas de Camões,( mais positivo que Pessoa, Senna ou Almada ) desta vez sem a divisão de orações ou a localização geográfica das estâncias. Vai ser um bem à auto-estima nestes tempos conturbados...

segunda-feira, setembro 26, 2011

NÓS e os OUTROS...

Semanalmente são a minha companhia necessária nesse vício reflexivo que o tempo de reforma me permite diàriamente. Falo de alguns cronistas cujas reflexões e visões do mundo são - me preciosos na busca de um não sei o quê que dê algum sentido ao que não tem, às razões que não as causas, à compreensão que não a explicação, aos porquês que não as respostas.


O meu fascínio semanal sobre essas três pessoas, sobre a sua visão do mundo e de nós prende -se também com os contrapontos não necessáriamente polémicos com que outros cronistas  ao lado lhes fazem companhia. Falo de Miguel S.Tavares, Clara Ferreira Alves e de Daniel de Oliveira.
 Do seu " nós individual  " ao " nós grupal " de D.Oliveira ( Expresso 27/8) ao O que correu mal ( Expresso 24/9) de M.S.Tavares, e fechando no " Acabar de vez com a Cultura " de Clara F.Alves a remeter - nos, o primeiro, sem transigência ideológica à razão das razões das nossas acções, o segundo, com uma breve, distanciada porque neutra, mas clarificadora súmula das nossas responsabilidades colectivas representadas nos e pelos governos, em sucessivas homenagens referendárias exercidas em eleições livres e finalmente numa visão mais restrita, porque dirigida, nostálgica e contundente, a Clara F.Alves a lembrar - nos com obsessivas e estalantes chibatadas a CRETINICE global que marca o nosso tempo de cultura inculta em que o único esforço intelectual vigente é constatar o óbvio e derramar lágrimas e queixumes sobre ele.


Há pouco tempo escrevi  por aqui que esses tempos de mudança - SÃO EFECTIVAMENTE DE MUDANÇA , não há volta a dar - em que tudo anda com sorrisos de vacas pastantes, alegremente perfilados em responsabilidade, civismo e espírito de sacrifício, conduzidos por cães - pastores de sibilina cretinice, exigiam Lobos, mais atentos aos cães do que à manada.


HAJA MAIS...

domingo, setembro 25, 2011

LUTA DE CLASSES reloaded... 2

JUSTA CAUSA NOS DESPEDIMENTOS? - Não haveria suficiente papel para a Direita e para os " patrões " que contivesse todas as motivações capazes de serem inseridas nesse pressuposto de justa causa. É claro que só faltaria o supremo desplante de deixar esses critérios na imaginação dos empregadores.


QUEBRA DE PRODUTIVIDADE? - Fácil de arranjar, com exigências de tarefas com prazos úteis inexequíveis a trabalhadores semi - competentes sem capacidade de argumentação e fundamentação técnica para se opôr, até judicialmente se for o caso a um processo disciplinar intimidatório. Infelizmente o universo laboral português seria pasto fértil para os abusos dada a sua fragilidade e capacidade de explicar a encarregados ou a patrões sem trabalho de campo, incompetentes por vezes, a asnice orçamental que por vezes sustenta as exigências de calendário.


INADAPTAÇÃO AO POSTO DE TRABALHO? - O que é isto senão uma mistificação dos termos da responsabilidade contratual? Quais são os âmbitos ou os pré - requisitos de adaptação inexoràvelmente presentes? Quem contrata quem?


Tenho para mim que a única base de negociação séria e no sentido de a melhorar e nunca de a subverter é a legislação vigente sobre o Trabalho. Custou sangue suor e lágrimas e será uma traição IMPERDOÁVEL dos trabalhadores de hoje à geração que ajudou a criar as condições de protecção dos direitos dos trabalhadores a sua subversão oportunista e velhaca pelo Poder elitista europeu representado hoje em Portugal pela troika e seus apaniguados.


SE A NOVA GERAÇÃO NÃO SE MEXER, ESTÁ A REMETER - SE VOLUNTÀRIAMENTE A UM FUTURO DE LAMÚRIAS... PRÉ - 25 DE ABRIL.

sábado, setembro 24, 2011

LUTA DE CLASSES reloaded... 1

ESCUTA, ZÉ - NINGUÉM!
Os teus interesses não têm nada a ver com o que está a ser feito e se prepara para fazer, nem aqui e nem em sítio algum onde essa coisa a que hoje se apoda de neo - liberalismo tem assento.
A ideia subjacente é que basta uma percentagem mínima de gente ( eles ) para pôr o SISTEMA e o Planeta a funcionar. E que melhor maneira de conseguir isso de que reduzir - nos a pedintes, não só individualmente mas como nação, como Estado.


No Portugal de hoje está a processar - se o que já está num estádio avançado de evolução na Grécia com os seus representantes, entre a ingenuidade, a estupidez e vistas curtas a conduzir robòticamente um povo inteiro à miséria encabestrados por interesses completamente alheios ao seu destino fazendo regredir em décadas o desenvolvimento social e a harmonização progressiva dos seus desequilíbrios socio - económicos.
O documento que o Ministério da Economia pôs à discussão com os parceiros ( que hipocrisia! ) sociais é um INSULTO.
Justa causa nos despedimentos? Sim, evidentemente, mas... Quebra de produtividade? Inadaptação ao posto de trabalho? Redução para metade do valor a pagar pelo trabalho em dias de folga, domingos e feriados?
ISTO É UM DOCUMENTO BASE DE NEGOCIAÇÃO?


Eu sei que o povo é sereno como também sei que é bovino mas sinceramente não creio que  seja estúpido e que os seus representantes sindicais talvez já comecem a interrogar - se sobre a promiscuidade mantida com a sua suposta representação parlamentar que acabou de votar contra uma proposta de lei anti-corrupção apresentada pelo PS. 


Voltemos à barbaridade conceptual de uma proposta de um " estrangeirado " que de Portugal tem uma ideia curiosa, que para ser sincero eu também tenho mas sem consequências de maior, ou seja nula no que ao seu futuro concerne e que é que ele aguenta TUDO, irá aguentar TUDO, se bem oleado com apelos chantageantes ao seu espírito de sacrifício, ao seu civismo, à sua responsabilidade e à sua capacidade de sofrimento na interrupção da evolução do seu futuro.


continuaremos...



sexta-feira, setembro 23, 2011

O ADEUS DE UM COMBATENTE



Aristides Pereira, o primeiro presidente da República de Cabo Verde morreu ontem em Coimbra.


À FAMILIA, AMIGOS e camaradas de luta pela independência do meu país a minha simpatia e solidariedade neste momento de luto.


Presto aqui as minhas tardias homenagens pelo humanista e homem de acção e visão que com Amilcar Cabral encabeçou a chefia do PAIGC de então no arranque da luta contra o colonialismo português.
Teve uma Vida plena e meritória e quero crer que no lugar da História do país que ajudou a criar será figura relevante e inesquecível.

O bailinho da Madeira...



Afinal o que é que está em discussão com a Madeira, melhor com o seu Presidente do Governo? O deficit orçamental? O contrabando nas contas? Fundos não orçamentados? Desvios financeiros ilegítimos? Corrupção política? Enriquecimento ilícito à custa do erário público?


Parece - me que tudo isso está a ser equacionado nas opiniões de TODA A GENTE cá e lá. Também sei que por cá nada disso é novo e vai continuar a acontecer.
O que é que os Governos da República e os seus tribunais têm feito em relação a isso? Aparentemente NADA, já que se o enquadramento dessas " ilegitimidades " pressupõe prática criminal, alguém ou muita gente estaria na prisão. Aparentemente têm escondido as malfeitorias através de uma nebulosa de cumplicidades e tráfico de influências classistas que conduz tudo ao caixote de lixo das minudências não comprovadas e reencaminha  os suspeitos para outros cargos de relevo, a salvo da justiça popular e mediática.
Se alguém pouco apoiado nessa rede traficante vai parar ao Tribunal, é caso sabido que ou fica tudo em águas de bacalhau ou tem pena suspensa se entretanto o processo não expirar por ditâmes de prazos legais sucessivamente torpedeados por dilacções processuais.


Ora bolas, se a " jardinada " que floresceu na Madeira releva de ilegalidades criminais só há uma coisa a fazer - INVESTIGAR política e judicialmente o que aconteceu e tirar as consequências políticas e judiciais que daí devam ser tiradas.


As consequências políticas caberão aos madeirenses tirar, se, o que duvido, não houver entretanto uma intervenção do Presidente da República; as consequências judiciais caberão à Procuradoria Geral da República que já abriu uma investigação à denúncia de irregularidades. Se e quando se aduzirem PROVAS criminais o caso deverá ser remetido aos tribunais e não antes,  ( a ver o que dá, sacudindo a água do capote...) para ser julgado.


É claro que o julgamento público e mediático já começou mas ele não deverá ser confundido, como várias vezes tem acontecido com alguma regularidade últimamente, com o PÚBLICO que só se pode fazer nos tribunais.


Em Democracia é ASSIM que  DEVE ser, ou não?

quarta-feira, setembro 21, 2011

PASSOS COELHO FALOU...


... E levando em conta os resultados da recente sondagem de opinião sobre o desempenho do Governo que lhe dá maioria absoluta por um triz, NADA tenho a acrescentar ou a dizer sobre o que disse, a não ser que a Direita sempre soube governar para os seus, em crise ou fora dela. E como aparentemente o País virou à direita, siga o baile, com o Sr. Mário Nogueira da Fenprof a dar o mote, deliciado com a atenção que lhe foi prestada pelo P.M., eventualmente mais charmoso que Sócrates.


E... afinal tenho uma coisa a dizer sobre a entrevista - GOSTEI!

sexta-feira, setembro 16, 2011

DO SENTIDO DA VIDA...

... Como o vislumbro, só uma pequena e deliciosa história, ela também sacada das reflexões de Cathcart & Klein, dois amigalhaços com um sentido de humor fabuloso, que chegados ao fim do caminho reflectem  dos filósofos e com os filósofos a natureza do SER, da vida e da morte. 


E cá vai ela - Heidegger e um hipopótamo chegam às Portas do Paraíso e S. Pedro diz: - Escutem, hoje só temos espaço para mais um. Por isso, aquele que me der a melhor resposta à pergunta << Qual é o sentido da vida?  >>  é que entra.
Heidegger responde:
- Pensar explicitamente no Ser em si mesmo requer o menosprezo pelo Ser, na medida em que está apenas fundamentado e interpretado em termo de seres e para seres como seu fundamento, como em toda a Metafísica.
E antes de o hipopótamo poder grunhir uma palavra, São Pedro volta - se para ele e diz:
- Hoje é o teu dia de sorte, hipopótamo!


As implicações e consequentes reflexões deste posicionamento ( não chegámos a ouvir  a opinião do hipopótamo ) do biós e do zoós e a falta de humor e de pachôrra do divino conta - nos todo um trajecto da história do Homem.


As reflexões são vossas...

segunda-feira, setembro 12, 2011

TRAIÇÕES...

" Conhecer mal a Língua é uma traição à Pátria... " - David Mourão Ferreira


No rescaldo de uma reportagem de Maria José Ferraz sobre a Educação no último Expresso, sinto que devo um agradecimento profundo ao meu professor da Primária  cuja dedicação, e rigor com os seus alunos me tornou, no que à Língua Portuguesa concerne e à paixão pelo conhecimento, um renascentista a que só o tempo e as circunstâncias da vida afligiu neste  prazer infinito e gratuito de SABER.


A sentença de D.M.Ferreira dirige -  se, claro, a um universo restrito, no que aos níveis de comunicação e linguagem se exige a quem DEVA ser exigido e não naturalmente à totalidade da população, sujeita a urgências outras que outras traições mantêm vigilantes.


Os Media TÊM A OBRIGAÇÃO do conhecimento da Língua e de A difundir correctamente, qualquer que seja o alvo a atingir. Há toda uma panóplia de arranjos linguísticos ( se a inteligência não falhar, como costuma ) para explicar o protão,  o existencialismo de Sartre ou de Heidegger ou a teoria do campo unificado de Einstein a leigos num português correcto, coloquial ou não e fazer - se ENTENDER.


Essa tarefa exige esforço? E então???

quinta-feira, setembro 08, 2011

domingo, setembro 04, 2011

CLARO COMO DEVERIAM SER AS ÁGUAS...

UM absurdo completo, sustentado pela negação total da Política, numa contabilidade grosseira e imoral onde os números, negando - se a si próprios numa projecção sofismática de futuro, tem sido o comportamento desse grupo de burocratas em Portugal que constituem hoje o seu Governo.


Miguel Sousa Tavares continua atento e como é do seu timbre, solicita-nos a reflexão com reiterada argúcia. É dar um pulo à sua última crónica do nosso miserável quotidiano intitulado Lost in translation no semanário Expresso de ontem.

sexta-feira, setembro 02, 2011

SOLIDARIEDADE TOTAL...



... É o que sinto neste momento por R. Carvalho. Nem quero saber das mesquinhas conversas de c... que se sucedem à atitude que tomou ao sentir - se desrespeitado na sua condição de profissional e de homem. Nem quero saber exactamente o que é que ele considerou desrespeito, basta - me saber que o sentiu. E pelo que conheço dele durante esses anos, acredito piamente que tal aconteceu.


A prova deu - a Paulo Bento na sua miserável, populista e infame adjectivação sobre o comportamento de um profissional e de um homem que tem tido até hoje um comportamento louvável e digno.
Eu não sei se esse ataque soez e mesquinho, feita de viva voz, terá resposta adequada do atleta sobre a educação, urbanidade, respeito a que ele se acha e merece ter direito. Eventualmente falará e pode ser que a própria linguagem marque a diferença...

domingo, agosto 28, 2011

CAOS E MAIS CAOS...

...É o que tem sido semeado em nome de um regime que se quer IMPÔR à força nos países árabes, como se se possuísse um mandato divino para o fazer.


Essa nova Cruzada do Ocidente só tem levado ruínas e destruição a países cuja construção do seu futuro, dentro dos seus parâmetros culturais, foi - lhes sonegada,  numa narrativa histórica de evolução política, económica e tecnológica que, entre nós, nos levou à Democracia. Por , as luminárias políticas que hoje governam no Ocidente querem começar pelo fim, estúpida e duplamente pelo fim...


O Ocidente, a começar pelo seu representante e mandante mais poderoso - USA, está a atravessar uma grave crise, social, económica e financeira, com o projecto europeu  empanado e um VÁCUO conceptual paralisante onde o niilismo e a gratuitidade sem sentido ganha raízes profundas.
Como será possível SER um exemplo ou ajudar quem quer que seja?


Eu não sei se Kadhafi era o Diabo mas que ele anda à solta anda e vai permanecer por muito tempo por aquelas bandas e esporádicamente, fatal como o destino, por aqui. Provávelmente chamá - lo - emos terrorista...

quinta-feira, agosto 25, 2011

POIIIISSS!!!!

J.P.P. , com a costumeira frieza e displicência ( porque neutral) intelectual aponta o dedo à hipocrisia política da  NATO por não BOMBARDEAR Damasco, já que, segundo ele crê ou finge crer, o que está nos objectivos da NATO, é a salvação dos cidadãos e dar - lhes a conhecer a solução dos seus problemas existenciais.


ERRADO, Pacheco Pereira!
A Síria não tem petróleo, a Líbia vai cair, o Iraque já caiu, os poços de petróleo na península arábica são do OCIDENTE, o Irão eventualmente terá ARMAS SUJAS, eventualmente nucleares- tácticas que matam muuuuita gente, o Brasil é grande demais para invadir, deixa - me ver.... ahhh, o Chavez tem muito petróleo...


QUER FAZER UMA APOSTA de que o próximo alvo da NATO será a VENEZUELA e vamos vê-lo a defender a queda do ditador? Os seus argumentos, como os da NATO e quejandos, serão os mesmos, mesmo que hoje tenha tido um rebate intelectual que cedo lhe passará?

DO ESTADO-LADRÃO... à CARIDADEZINHA...

... E dos Estados - assaltantes e assassinos, não sei por onde começar, ultrapassando o meu asco que nenhuma racionalização me apazigua.


Para começar, uma constatação, que por cada década que passa, se me enraíza profundamente; a Democracia, nas mãos da Direita, que hoje ultrapassa o conceito de classe e abrange um universo de estupidificação e burocratização mental criminoso e insensato, dizia, é um instrumento letal de exploração e saque da população mundial, quer nas suas praticas caseiras ou na sua forma imperialista suportada pela força das armas da NATO.
Hoje torna -  se claro que os países da Nato e os seus lacaios abriram uma caça às nações petrolíferas cujos líderes não alinham com os ditâmes da uniformização comportamental e política contidos no projecto da rapacidade organizada chamada Globalização.


Em Portugal, chega a ser obsceno o conformismo, que a Direita chama responsabilidade e sacrifício, da sua população perante as sucessivas afrontas  que o Governo lhe tem infligido, lembrando - lhe, a cada pancada, que a sua escolha para a mudança tinha sido livre e maioritária.


Pela minha parte não houve surpresa nenhuma. Que ESSA gente é imoral já o sabia, desde que comecei a ter entendimento das coisas e já lá vão muuuitas décadas...
O pior de tudo isto é aquilo que já foi chamado de " invertebração global ", que aos poucos ameaça tornar -  se planetária. A perspectiva é medonha...


Por mim, sinto - me diáriamente insultado por fazerem da minha família, dos meus amigos, dos meus vizinhos, da minha rua, do meu bairro, da minha cidade, do meu País, do meu planeta, uma monstruosa tapada de caça, sem o meu assentimento.


E eu não o darei, JAMAIS, na certeza de que brevemente, a caridadezinha que as sobras do repasto permitem atirar aos deserdados, com o aplauso do Presidente da República, seja sentida, também ela, como uma bofetada de escárnio.

segunda-feira, agosto 22, 2011

PARABÉNS, ZÓNA !!!

CABO VERDE vai ter um novo presidente da República, de seu nome José Carlos Fonseca; um homem da minha geração, das minhas futeboladas ( da parte dele chutos na canela ) e das polémicas da Praça Grande.

Que sejas um Presidente competente e amigo do teu povo, são os meus votos. Não espero outra coisa da tua frontalidade, do teu carácter e da tua independência de espírito.

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domingo, agosto 21, 2011

Férias terminadas...

... e eis - nos de volta à nossa condição de cidadãos bichos-carpinteiros...

domingo, agosto 07, 2011

MUDANÇA GERACIONAL





A mudança geracional já não se fará pelo diálogo sem que a acção, reiterada e aparentemente caótica o marque, o substitua, irracionalmente por vezes, em universos onde a (i)racionalidade política se juntou à irracionalidade económica para resolver (!!!???) problemas irracionalmente criados  por uma Globalização orientada e dirigida pela Plutocracia mundial.


Hoje, Síria, Londres, Tel Avive, amanhã Itália, Portugal, USA e de novo Grécia, Espanha e dentro em breve China, India, Rússia, a maré não vai parar, nem com a criação de Estados neo- fascistas que a burocratização crescente vai preparando, aqui, na Europa e nos USA.


Nunca o futuro de uma geração planetária esteve sob tamanho risco de colapso. Ou reage com mais assertividade ou será conhecida como a geração perdida

PRESIDENCIAIS CABOVERDEANAS



Cabo Verde foi hoje a votos.
Em disputa, a eleição do mais alto cargo político do Estado - a Presidência da República. Um desses senhores virá a ocupá - lo e com elevação, esperamos.


Manuel Inocêncio, apoiado pelo partido do Governo e Jorge Carlos Fonseca pelo MPD encontram -se " empatados " na contagem percentual dos votos.
A abstenção prometeu ser alta, o que aparenta uma certa " normalização " da vida democrática no meu País. Inquietante e grave parece ser a denúncia do líder do MPD, derrotado nas eleições legislativas pretéritas, Carlos Veiga, que fala em compra de votos lançando uma suspeita inaceitável, vinda de quem vem, um jurista, sem apresentar situações concretas, provas, do que diz, repetindo o que ouviu dizer, segundo as palavras do próprio.
A gravidade do, por ora um boato ou uma suspeita, exige RIGOR  e determinação na clarificação das palavras do líder do MPD.
A quem compete numa República democrática a transparência do jogo político? À polícia ou aos Tribunais?

domingo, julho 31, 2011

TO BE or NOT BE...

Anders Breivik, com a sua violenta acção política, condenada em todo o mundo civilizado, suscitou um melancólico e para mim desdramatizador raciocínio de J.P.Pereira no semanário SÁBADO de 3/8 na sua coluna A lagartixa e o jacaré.

J.P.P.
vem dizer - nos o óbvio, apelando à nossa lembrança do que a Civilização fez de nós, a mais brutal e assassina espécie do planeta, como objectores desse apelo natural.

A violência JAZ no nosso ADN quando a Cultura consegue fazer de nós primatas racionalmente civilizados e do estado LATENTE torna - se mortalmente eficaz quando a Razão a liberta da racionalidade, a dirige e brutalmente lúcida nos seus propósitos presumidos quando a ela se acresce uma ideologia, um propósito de vasta incidência que uma cumplicidade " adivinhada " alimentou.

Breivik passou - se como se
passaram todos os homicidas. Aos porquês de uma civilidade normalizada que vai aprendendo a abominar o assassínio, apesar do mau exemplo dos seus Estados, homicidas acobertados por alibis de duvidosa transigência, há sempre uma resposta que mesmo um encolher de ombros configura.



Enquanto houver " razões " para matar, enquanto se assistir, descansados pelas justificações governamentais à matança de quem mata, por que não aceitar que um indivíduo isolado mate em nosso nome, em nome de uma guerra justificável sobre interesses colectivos dos cidadãos dos Estados que a praticam?

O homicida, o terrorista vencedor, seja ele um indivíduo, um grupo de cidadãos, uma nação, um Estado, uma Ideia, tem clemência universal. Porquê?
Porque históricamente a sua acção foi adequada. ESSA é a venal verdade de hoje.
É claro que concordo com J.P.P. quando nos aconselha a distância de seres como Breivik, sob o risco de contaminação. Uma obrigação higiénica que lamento contudo não ter sido universalizado para os cidadãos cujos dirigentes multiplicam a chacina a uma escala tal, que de tão absurda nos seus propósitos e de tão hipócrita nos seus objectivos declarados, quase justificaria a " desdramatização " da acção tresloucada e inapelávelmente POLÍTICA deste cidadão norueguês.
Faltou dizê - lo...









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sábado, julho 30, 2011

PORTUGAL ...?

Voltarei a ele quando voltar a ter política própria. É que de burocracia não percebo nada; da corrupção mediática, política , económica, intelectual, ética da DIREITA fala ELA, sem ser preciso que eu abra a boca. Basta vê - la a agir, aqui, na Europa e no resto do mundo onde a sua democracia liberal faz escola.


Resta -me uma satisfação que a SUA reiterada estupidez, hoje triunfante num momento histórico povoado de estúpidos, vai acelerar e ma transformar em esperança, esta palavra que abomino quando não a aspeio...


A palavra final está, como todas as REVOLUÇÕES estiveram, nos jovens. TODAS as mudanças de paradigmas, que não de reformas ( estado natural da velhice das ideias ) NUNCA tiveram na sua origem outra coisa senão a LIBERDADE e ela nunca foi uma palavra vã a não ser na visão de torcionários e tem um significado preciso que a satisfação colectiva dos povos dá sentido. Fora disso é um grotesco sofisma e um monumental embuste.

Por ora, observo e uso a minha influência de alertar onde ela medre...

quarta-feira, julho 27, 2011

UMA PRENDA À VIDA...

Deliciosa aventura essa foi a proposta de Thomas Cathcart & Daniel Klein sobre a visão dos filósofos e do comum mortal da Dama Ceifeira e das estratégias de sobrevivência ensaiadas para a enfrentar...

HEIDEGGER e um hipopótamo chegam às portas do Paraíso é o título da aventura filosófica que nos é proposta pela abordagem perplexa de uma REALIDADE a que todo o ser orgânico e quiçá o inorgânico, contempla.

A " crueldade " de nos sabermos mortais torna - nos, à medida em que o tic - tac decrescente se acentua, contemporâneos da História Universal, sujeitos a um destino comum e inapelável.
Várias foram as estratégias de sobrevivência que o nosso percurso sublinhou com estrondo - a religião, a procriação e a mais comezinha Arte.
O homem comum alimenta o sonho de ser eternamente recordado pelos seus mais próximos- filhos, esposas, amigos e familiares. É claro que essa ilusão não se aguenta no espaço temporal de uma ou duas gerações...

O que nos resta é VIVER a vida da melhor maneira que a nossa racionalidade permite. Essa deveria ser a obrigação da Razão - munir - nos de instrumentos adequados à PASSAGEM. E, se possível, com algum humor.

" Jack tinha falecido e o funeral estava a decorrer no cemitério. Jennifer, sua mulher há mais de 40 anos, tinha os olhos marejados de lágrimas. No final da cerimónia, quando o caixão estava a ser levado para fora da igreja, a carreta chocou acidentalmente com a soleira da porta. Para absoluto choque de todos os presentes, ouviram um gemido vindo de dentro do caixão. Abriram - no e encontraram Jack vivo. Maravilha das maravilhas! Nunca se vira milagre maior.
Jenny e Jack viveram juntos mais 10 anos e depois Jack morreu. A cerimónia decorreu no mesmo cemitério. No final da cerimónia, quando o caixão estava a ser levado na carreta, Jenny GRITOU:

- Cuidado com a soleira da porta!
"

sexta-feira, julho 22, 2011

UM PLANO MERKEL...

O plano Marshall é irrepetível e a ser imitado em condições históricas como as de hoje atestariam a pobreza das soluções políticas apresentadas.
Hoje, como ontem, na Europa, apesar de tudo estar a girar em torno da Alemanha, os problemas estão no EURO e no que não se fala abertamente - a da desestruturação financeira e económica que acompanhou a substituição das moedas nacionais, com relevância para os países económicamente mais débeis.

O enfoque dado à economia e à protecção social, com ajudas maciças da UE no sentido de aproximar os níveis de vida dos estados membros revelou - se, mesmo em alturas de crises importadas dos USA, como o melhor caminho na criação de uma Federação política que daria sentido e conteúdo à IDEIA - EUROPA sonhada pelos seus progenitores.
Já o disse por aqui e REPITO que este projecto é hostilizado pelos USA, ( pelo seu poder económico e financeiro ) que tudo fará no sentido de o boicotar, tendo presente o pesadelo planetário de ver a Rússia aderir em espírito ou de facto a uma história de que fez e faz parte - a história da Europa.

Na visão de Merkel os estados do Sul estão a atrazar o federalismo europeu e céptica está a Alemanha de que irão recuperar o passo, de que as suas sucessivas tímidas medidas dão a medida.
Esse NOVO PLANO MARSHALL vai nessa direcção...

quarta-feira, julho 20, 2011

QUE EUROPA?


Barroso, o presidente da Comissão Europeia, latino de gema, despertou. A Europa tem alinhado pelo nacionalismo alemão e segue as directrizes da sra.Merkel, de uma chanceler que parece ter ido beber ao passado teorizado por Fichte no seu pangermanismo e no seu " Estado comercial fechado ", os ensinamentos da sua postura e da sua política europeia.

Razão têm alguns políticos alemães, nomeadamente Kohl em sentirem - se assustados com o fastio entediado com que a chanceler olha para os países latinos e para a sua joie de vivre imune à melancolia, disciplina e rigor nórdicos, nomeadamente para o assimétrico eixo franco-alemão de hoje.

Fichte foi um germanófilo puro e duro cuja Ideia de Europa se sustentava na superioridade germânica fundamental que a legitimava na liderança. Hitler também aí bebeu os seus ensinamentos e levou, no seu delírio imperial, a Alemanha e o resto da Europa à ruína.
Esse sonho não morreu e não apareceu na Alemanha por acaso. Hoje estará eventualmente enfraquecido mas a pulsão ainda é tentadora.

A Alemanha de Merkel só não se vira definitivamente para o Norte porque crê ser possível dobrar os mediterrânicos; MAS tem pela frente um grande mas transportado por uma IDEIA que ultrapassa a sua mesquinhez política e a própria Alemanha - a IDEIA da Europa.

Citando Hegel, já que aí estamos, diria que " a Ideia não é uma criação subjectiva do sujeito mas a própria realidade objectiva " e está no âmago da alma colectiva dos europeus que lhe deram origem - os do SUL.

segunda-feira, julho 18, 2011

CHEGA de etnofilosofia...

Se todo o Real é racional como diz Hegel, a racionalidade não poderá ser só a descrição objectiva e fundamentada de um Real sem que a sua condição deviante transporte na sua própria descrição novas formulações da sua leitura, sim, mas necessáriamente, soluções, acções que, ainda com o filósofo, antiReal, lhe determinem, com novas propostas, a sua transformação ou, no limite, o seu término.

A rapacidade organizada crê que pela domesticação dos Estados está a capitulação da " tirania das massas " imposta sobre as elites através do Voto. O logro das promessa eleitorais não - cumpridas sob os mais hipócritas alibis tem deixado cair a máscara da farsa democrática, mesmo que ancorada na mais nobre das aspirações humanas - a Liberdade.

Essa denúncia sobre a conversa acabada entre o eleitor e o eleito tem sido reiteradamente trazida à consideração de quem vê, lê ou ouve, através de quem tem estado atento e alerta a essa involução social imposta aos cidadãos em nome de uma visão do mundo fasciszante e éticamente corrupta.

Nunca como agora, os tempos estiveram tão propícios à mudança, chegados que estamos ao fim de um ciclo histórico de experimentação da síntese de toda a Filosofia dita ocidental que culminou, em termos políticos, na Democracia liberal. A sua continuada perversão deixou - a entregue a cães-pastores representados financeiramente pelo Capital, e toda a sua corte de lacaios e aspirantes a lacaios, e a grupos de cidadãos inconsoláveis com a " tirania das massas ", obstáculo a transpôr em cumplicidade com os seus pequenos títeres intelectuais cómodamente instalados no sistema.

Dos outros, daqueles que nos mantêm alertas em relatos contundentes do nosso real e do alheio, deseja- se mais. Aos cães- pastores só há uma resposta - a matilha, não o rebanho pacífico e domocrático apoiado e secretamente desprezado como exótico folclore, sem consequências no essencial, a matilha, não de outros cães - pastores, mas de lobos.

A Democracia amoleceu - nos até à letargia. A esperança, esse sentimento inútil, com que nos alimentam as preces tem sido uma armadilha que reduz os cidadãos à inacção, ao sebastianismo, ao pasmo indignado e vão, quando o tempo é de acção.

E é acção política que se espera da Europa, da Europa política, que a intelectual demitiu - se.
Como é possível não haver uma posição concertada dos, hoje PIIGS, com a ameaça do ataque estratégico à Itália, contra a troika formada pela Grã-Bretanha, Alemanha e França que deles esperam a capitulação aos seus memorandos?

Por outro lado, como não acredito que o ataque ao Euro não tenha sido detectado em tempo útil pelo conjunto das instituições da UE, tenho de admitir que há uma Ideia outra a fermentar...


P.S. Hoje, dia 23 de Setembro, senti - me na obrigação de " justificar " o título deste post.
É evidente que houve, de raspão , uma colagem analógica com um conceito vazio, mistificador, do meu ponto de vista, que o espaço não poderia contemplar, que é a etnofilosofia, no caso em apreço, com a Democracia liberal.

segunda-feira, julho 11, 2011

SÓCRATES REVISITADO

Não foi preciso esperar muito...

As resistências, melhor dito, as leituras, políticas, económicas e de conjuntura financeira trazidas então pelo ex-Primeiro ministro durante os últimos meses do seu Governo e que foram violenta e acéfalamente vilipendiadas quando não paternalisticamente desprezadas pelo Presidente da República, pelo actual P.Ministro e por toda uma corte de senhores-professores-doutores economistas, além de opiniões avulsas produzidas pelos Media, regadas de má - fé, indigência intelectual, snobismo e alarvemente deformadas em nome de uma estratégia de Poder, dizia eu, ( perdão pelo longo parágrafo... )tornaram -se, irónicamente, um manual de citações pelos mesmos protagonistas que num passado recentíssimo as chacotearam.

A História dos governos Sócrates será brevemente reavaliada.
E espero estar por cá para a conhecer e denunciar a hipocrisia.

O DESPERTAR?

A Europa parece estar a acordar da letargia burocrata que lhe tem matado a Política como princípio orientador da administração das nações.
A sua aparente reacção ( estou para ver os desenvolvimentos...) às estaladas americanas exige, tem de exigir consequências ao mais alto nível.

Há uma concertação evidente de que as equações tautológicas, tipo " pescadinha de rabo na boca " têm dado cobertura sob o alibi de umas projecções contaminadas na origem com resultados, esses sim, previsíveis.
Escusado reclamar da Ética junto de Instituições que a desprezam como epifenómeno residual. À política responde - se com política e é disso que se trata. Até a Economia foi posta de fora deste jogo onde a Europa se está, se não reagir com DETERMINAÇÃO, a deixar - se minimizar como, no seu conjunto, uma poderosíssima potência que pode e deve ser no panorama mundial.

KAHN, o MALÉFICO?

VEJAMOS...


Uma violação é um crime e uma " QUECA " consensual entre um homem e uma mulher pode suportar muita adjectivação mas a sordidez não faz, definitivamente, parte dessa relação.

Eu tive um amigo mais velho que nos idos anos sessenta me ensaiava os passos do " engate " e que me alertava que, independentemente da evolução futura da relação criada pelo NECESSÁRIO assédio, a INSISTÊNCIA era o factor chave para os casos de NATURAL pré-resistência de uma mulher.

Alberoni diz que " a mulher conserva, em cada instante da sua relação amorosa ( ou pré-amorosa, acrescento eu ) a capacidade de perceber e avaliar. o homem, pelo contrário, quando está excitado eròticamente perde até aquele pouco de argúcia que tem. É dominado por uma só emoção e não está mais em condição de dizer se aquela mulher é feia ou bonita, gorda ou magra... Ao contrário da mulher, na excitação erótica o homem julga tudo, assim como é... "

Por mim, EROS está tolhido, confuso e a prazo, morrerá penosamente à medida em que os artificialismos éticos, clamam alguns,impostos pelo absentismo, reforma e inoperâncias sexuais, forem ditando as suas leis.

Resumindo: se Kahn violou deve ser castigado. Não deveria, em todo o caso, ser levado à justiça PARA SABER SE VIOLOU. O kit de " violação " não é narrativo, não descreve, constata e o que constata, quando constata é que houve acto sexual. As mazelas, além de poderem ser auto - infligidas também nos dizem outras coisas como essa factualidade de o acto sexual livremente assumido poder ser violento.
Infelizmente para Kahn, ele foi vítima das circunstâncias a que só ele e a reclamada vítima tiveram acesso e podem não ter nada e tudo haver com uma crise de priapismo.

Isso faz dele um mau homem, mau marido, mau candidato a um cargo POLÍTICO? Quando muito, fará dele um mau exemplo para uma sociedade hipócrita e deserotizada ou para quem ache o sexo uma coisa suja.

quarta-feira, julho 06, 2011

ELEMENTAR E...BÁRBARO

Elementar como estratégia e bárbaro como afronta...

Portugal, e as suas Instituições, atirado para o " caixote de lixo " da Cleptocracia, americana para o caso.
A Grécia já lá está e se a Incultura caminhar, como está, a passo com a barbárie nórdica associada à ESTUPIDEZ galopante da Burocracia da UE, não se passará muito mais tempo até terem por companhia a Espanha e a Itália, outros países mediterrânicos, outra Cultura, outras maneiras de ver, sentir e VIVER.

Tenho por mim que a ruptura com a insanidade acontecerá em Espanha e será feia.
Do que virá depois... logo se verá...

domingo, julho 03, 2011

GORDURAS DO ESTADO?



Desculpem lá a ignorância do macaco...
Afinal onde param as famosas e difamadas gorduras do Estado português?

Tenho ouvido de quase todos os economistas de Direita uma apologia reiterada sobre a urgência de uma intervenção, cirúrgica ou não, não importa, às gorduras do pobre e anafado Estado no sentido de lhe devolver o perfil adequado à sua condição de pedinte.
A minha dúvida é se a intervenção deva ocorrer sobre o estado dos obesos ou as obesidades do Estado...

Como não me esclarecem se o que acham gorduroso são as empresas estatais e participadas que têm sido rentáveis e constituem uma boa fonte de receita, como a ANA, os CTT, a REN e que a " emergência nacional " vai alienar para o capital estrangeiro ou aquelas que cumprem os mínimos exigíveis a um Estado, como a Educação Pública, Electricidade, Água potável, estou à espera...

...Como se não soubesse que a memória do 25 de Abril alicerçada nos direitos,não os adquiridos, como se costumam chamar, mas os CONQUISTADOS pela luta e tenacidade dos então operários e trabalhadores, está a ser literalmente apagada na geração actual como exemplo de uma possibilidade que lhe está ao alcance.

sábado, julho 02, 2011

CATANORTE



Esse será o nome da Região sonhada por algumas luminárias do Norte do País que têm a Capital Lisboa atravessada na garganta. Desmantelado o mito de " capital do trabalho ", destruído aliás por
uma classe empresarial leonina e rapace que levou a sua população à miséria, ao mesmo tempo que, através de caciques desportivos, culturais e boçais, alimentava o ódio aos " mouros ", viram - se, derrotado definitivamente o projecto regionalista, para a criação de um partido do Norte.

Se não fosse a lástima de ver, também no Poder Central, o tipo de representantes do Norte que se perfilam, o seu provincianismo bacoco, a sua ronha, estaria tudo bem. É democracia, não é?... Ou corporativismo disfarçado e mesclado com títeres testas - de - ferro?

E por que não um partido do Centro, outro do Litoral, outro do Alentejo, outro dos Trás - os - Montes e outro da Brandôa, outro do Sul e finalmente o de Lisboa e o dos imigrantes?


Força aí nisto e não se esqueçam de afastar o Rui Rio...


PS: AHHH ! GALINORTE também não estaria mal...

quinta-feira, junho 30, 2011

VOTO CONTRA, evidentemente...


Parafraseando Russel direi que " um desacordo inteligente é sempre preferível a uma concordância passiva "... E, sim, sou contra este governo, sou contra o seu programa e sou contra a ideologia que lhe está, grosseiramente, a definir - lhe o rumo e sou contra esta sociedade éticamente insane e refém do mundo financeiro.

Estive na praça Syntagma ontem como estive, estou e estarei em todas as praças do planeta na luta pela Liberdade dos povos, pela sua maioridade e autonomia e pelo regresso da Política à sua direcção, livremente sufragada.

Hoje quem governa Portugal, ancorado e legitimado trimestralmente pela Banca internacional, fá - lo sob um ultimato inaceitável que cedo ou tarde acordará este povo, bovino, como já foi apodado a seguir o que outros vão encetar - a resistência e o repúdio de uma idiossincracia nórdica que lhe é genéticamente estranha.

Fosse eu mais novo e não estaria aqui sentado, a criticar também a cobardia física e moral do conformismo intelectual do Ocidente, se não o principal culpado da Decadência, por lhe estar na origem, mas pela traição à sua própria condição.

" Ver claro é não agir ", linfatizava Pessoa sobre uma metarealidade que Hoje de tão concreta e sentida por milhões de almas cheira a demissão e burocratização intelectual.
Em cada dia que passa sinto - me como aquele anarquista que à chegada a qualquer país perguntava - HÁ GOVERNO? ENTÃO, EU SOU CONTRA!

terça-feira, junho 21, 2011

ACÇÃO, ACÇÃO e mais ACÇÃO...

... EXIGEM -SE AOS POVOS.

HÁ ALTERNATIVAS E NÃO ESTÃO NO DEBATE DE IDEIAS, HOJE TROVOADAS SECAS, RIBOMBANTES E INCONSEQUENTES SOBRE UMA REALIDADE À QUAL O CAPITAL DEFINIU A APLICAÇÃO, OS LIMITES E O FIM.

FERNADO NOBRE, O ingénuo...

Da recusa em ter F. Nobre como segunda figura do Estado por parte da Assembleia da República, só podemos dizer que para lá da leitura política necessàriamente feita pelos mais atentos, só podemos constatar que os deputados tiveram " nariz ".

F. Nobre teceu duríssimas críticas à classe política com fulminantes adjectivações. Estava no seu direito e dever fazê - lo. Por que raio de razões quis ser a segunda figura do Estado, desse Estado contaminado pela corrupção e pelo anti - patriotismo?

Os deputados, pelo menos os que o rejeitaram, não compreenderam o vira - casaquismo ou a tutoridade moral que, sem currículum, vulgo exposição e julgamento político, o precedeu.

E foi bem feita!

Parabéns à Assunção Esteves! Gostei do seu agradecimento à Assembleia e da história que a acompanhou no seu percurso político.

terça-feira, junho 14, 2011

EM DIGESTÃO...

... Ou deveria dizer em indigestão?

Concedo, pois, - Em tranquila digestão da derrota das minhas ideias políticas. Já é um hábito e marca indelèvelmente o meu percurso como homem e como cidadão.

Por outro lado, do que acrescenta, pelos factos e como factos, ao meu (des)conhecimento do Sapiens não retira uma molécula ao que creio ser possível no melhoramento da sua relação com a Biologia e com a Razão, com a convicção de que uma continua a ser mais preponderante do que a outra no caos das medidas e exercícios avulsos da Burocracia, racionalizadas a eito e casuísticamente, sem um fio condutor e uma estratégia evolutiva que a própria Biologia, ela mesmo reclama e exige, sob o risco de extinção.

A Razão, essa, está hoje ao serviço da sua própria negação. A diletância intelectual, porque gratuita, encarregou - se, desde o século XVIII,numa descontrucção feroz do Real, exaurindo - o de espaços de intervenção ainda não demolidos pelo sarcasmo, pela petulância, pelo niilismo e pelo ateísmo. Em troca, deixaram o Vazio ou a Opinião como interlocutores analfabetos com a Vida.


Reflecte - se hoje mais sobre o eu do que sobre NÓS, e dos alibis de que a natureza humana fornece e estimula o pasmo intelectual, pela sua suficiência e necessidade, continua -se a ir buscar as justificações pelo fracasso da Ideia.
Neste triunfo do conservadorismo, ao qual o narcisismo espelha como Gray a recusa da mortalidade, irónicamente um fatalismo biológico, num envelhecimento progressivo e sem herança intelectual válida, esgotadas que estão os esforços em imbecis confrontos com a Morte, dizia eu, brilha a Decadência, num eclipse lento e inexorável.

A não ser que...

segunda-feira, junho 06, 2011

POR OUTRO LADO...

...Não posso deixar de aprovar, em consciência, se acaso tenha sido ( e esforço - me por acreditar... ) a racionalidade a promover a maioria de Direita contra o pântano que a dispersão aleatória dos votos provocaria.
Se foi esse o caso, isso diz - nos que quem foi votar fê -lo na consciência plena do que estava em jogo. Ao menos primou - se pela clareza e assumpção das responsabilidades futuras pelos actos da governação.

Por outro lado, se a razão profunda do voto esteve na " aversão " ao ex - P. Ministro a batota vai sair cara. É que, verdade seja dita, a Direita não escondeu o seu programa liberal e foi a esse programa que se deu a maioria de governação e a legitimidade para o promover democráticamente.

Nada obriga aos partidos anti - troika à aceitação do programa governamental da Direita e também eles foram claros em relação a isso.
Como a sua oposição na Assembleia será inconsequente, será na RUA e com a militância dos seus partidários e , como dizia Jerónimo de Sousa, com o cinismo dos " oportunistas " que sufragaram hoje a dupla troika, que se tentará travar as gravosas medidas que se preparam.

Em difícil posição se encontra o P.S. hoje. É o que dá proclamar - se de esquerda e governar com as receitas do outro lado. A sua também proclamada modernice, vulgo pragmatismo ideológico, uma contradição evidente, limita - lhe, hoje como ontem, inexorávelmente, o campo de actuação sobre a massa votante, também ela pragmática e, sem sentido ofensivo, oportunista.

Na escolha do novo líder se verá que caminhos irá seguir o P.Socialista pós - Sócrates. Ou perde de vez a sua identidade com Seguro ou recuperá - la- á com Costa ou Assis...

SÓCRATES sai de cena...


... E fá - lo com elegância...
" Ignoro, Atenienses, a impressão que vos causaram os meus acusadores. Por mim, de os ouvir, quase me esqueci de quem sou, tão persuasivos eram os discursos deles. E, no entanto, posso garantir que não disseram uma só palavra de verdade... " - Apologia de Sócrates - Platão

Ontem poderia ser este o estado de espírito do ex - Primeiro Ministro antes de ser confrontado com os seus juízes eleitores. Bebido o cálice até ao fim, retirou - se, de pé.
O balanço dos anos da sua governação far - se - á um dia,assente a poeira do ódio, do revanchismo que a sua indomável coragem criou, pela sua abrangência, num povo que não lhe perdoou traços de carácter que não vislumbra em si.
Muito longe de preencher a contento a defesa das minhas posições " utópicas " sobre a Democracia, apoiei - o, dentro de um quadro políticamente situado - a nação lusa e os seus resilentes atavismos - que ele tentou inglòriamente sacudir, exigindo dela o que ela NÃO QUER DAR ou NÃO POSSUI...
A consequência será a capitulação a uma Mediocridade geral que hoje a DIREITA, atingido o pleno, com uma legitimidade acrescida de mudança expressa e negligência assumida por metade dos votantes, está livre de promover, apoiada num programa miserável, pelo seu carácter regressivo e... naturalmente repressivo.

Para terminar, uma palavra aos MEDIA, principalmente a televisão pública...
Foi deprimente o espetáculo histérico dos meios, dos figurantes e dos protagonistas que acompanhou toda a transmissão dos resultados eleitorais. Um imenso e libertador orgasmo simbólico repetido até à NÁUSEA, no seguimento da degradação contínua da qualidade em prol do reboliço, da cacofonia e da sem - vergonha, cuja presença, também ela simbólica de José Eduardo Moniz, deu o toque exótico de vingança fria.
LAMENTÁVEL!