quinta-feira, março 13, 2014

SINGULARIDADES DEMOCRÁTICAS

NOT IN OUR BACKYARD ?

Catherine Ashton, no fervor revolucionário das lutas de rua em Kiev, exigiu a Moscovo que deixasse a população ucraniana escolher o seu próprio destino da maneira que quisesse.
Esqueceu - se das sensibilidades não tão ocidentalizadas do país, nomeadamente da Crimeia.

Yanukovcich foi deposto e bem ( terá sido? Um presidente democráticamente eleito? ) pelo seu povo em revolta na rua e foi obrigado ao exílio com os aplausos das chancelarias ocidentais. Estranho? Nem por isso...

Se um estado, qualquer estado democrático, como aconteceu na Tunísia, no Egipto, na Líbia, na Síria e poderia ter acontecido no 25 de Abril em Portugal ou poderá vir a acontecer, eventualmente, na Escócia, ou aparentemente no referendo catalão, na plena legitimidade e dever constitucional do uso da violência contra ameaças violentas internas ou externas com os meios que julgar adequados, pegar em armas contra a violência, como sempre tem acontecido em casos de resistência feroz, haverá baixas, feridos e mortos dos dois lados da barricada.
Nenhum Presidente de Estado em exercício será julgado nessas circunstâncias. Haverá , naturalmente, um julgamento político, que estando já presente na base da contestação, não se transformará em criminal caso a revolta seja anulada.
É a velha relativização das imunidades e consagrações dos vencedores com que os outrora terroristas se confrontaram, quando, vencedores sobre os poderes instalados se apresentavam perante os Poderes Mundiais.
Se não agradassem ou não viessem a ter ulteriores apoios, sejamos claros, dos USA e da Europa, do Ocidente, para condensar, seriam considerados ditadores, convenientes ou criminosos, consoante os interesses económicos ou geo-estratégicos e o seu estado um regime. Está a acontecer na Venezuela, neste preciso instante, o desenvolvimento deste desiderato, assim como na Síria e suavizou - se convenientemente com o Egipto, o Irão, a China, a Arábia Saudita e com o Sudão ( demasiados interesses petrolíferos e não só, do principal credor das dívidas dos USA ).

Este manual geo - político de tão básico, previsível e preguiçoso, pelo que de exigência política e intelectual, para não dizer também democrática, deveria contemplar, é a medíocre cartilha da Globalização. - JUST BUSINESS - diria o mafioso.

Por outro lado, é confrangedor assistir hoje a uma Europa refém de um passadismo imperial e capturada por uma bisonha filosofia política e económica deixadas ao pasto de um carreirismo burrocrático e à ganância hobbista de enfastiados endinheirados, à custa de um projecto ímpar na história europeia. Cavalga entretanto, desabrida e cegamente cavalo alheio a gritar progresso por detrás das ruínas que vai deixando à sua passagem. Mata - se a Ideia e veda - se o passo ao sonho...

" Os sinais perigosos de separatismo no país " que nunca impediram Turchinov de marchar e bem, pela libertação do seu país de um Poder indesejado, são um enfrentamento, por aqui previsto, com que a sua liberdade pró - ocidental tem de haver, a começar pela Crimeia.
É, nas palavras dos seus apoiantes, deixá - los, à população da Crimeia " escolher o seu próprio destino da maneira que quiser... ".
É que a Liberdade só deveria ter uma face, mas acontece que o seu chamamento ecoa e bem, em todo os rostos e pelo planeta inteiro.
O que fazer com ela e com a dos Outros mereceria e merece outro tipo de abordagens que não sómente as dos manuais geo - políticos.
E Putin ?, perguntará o cínico...
Eu falo como ocidental que sou. Putin defende, com esmagadora maioria do seu povo que o apoia, a sua cartilha, tão daninha como a nossa não deveria ser, o seu czarismo como o da Merkel, do Obama ou do presidente da China.
Reina a Estupidez esclarecida.
" A Política e a Lei têm de respeitar a vontade manifestada democrática e pacíficamente pelo povo" - diz Francesc Homs, consultor da Generalitat catalã. Tudo bem! E se, quando reiterada e definitivamente isso não acontece, em parte alguma, qual a máxima que usará, no caso, contra o Poder estatal?

segunda-feira, março 10, 2014

DA BANALIDADE DA RAZÃO...

... E DO CONTRAPONTO DA RACIONALIDADE,

São, terão de ser o novo esclarecimento que a Humanidade terá de se propôr, esgotadas que têm sido as formulações que o Fim de História ( para simplificar os parâmetros contrabandeados pela democracia liberal que reduziu a liberdade a uma bandeira abstracta e sem conteúdo empunhada pelo Capital... ) cristalizou na ditadura absurda do Mercado e da Bolsa.

Só uma ÉTICA universal, que contida nos estreitos limites da visão clara que o certo e o errado na consciência racional que qualquer sapiens adulto e integrado socialmente abarca, poderá limitar o desbragamento que a relativização moral transportou no estilhaçamento de valores profundamente enraízados na consciência dos povos.

A barbaridade filosófica contida, por exemplo, no pressuposto de um desses relativizadores a quem o raciocínio lógico-tautológico permitiu - lhe a máxima - A indignação moral, não o egoísmo ou a sensualidade vulgares ( haverá outras, pergunto...), é o maior perigo para o pensador - Allan Bloom in Ensaio sobre o declínio da Cultura Geral, justifica por si a distância elitista e quiçá higiénica para com os problemas concretos e penosos que a Política contemporânea traz à vida dos povos e das sociedades no seu dia - a - dia e a irrelevância civilizacional que a sua postura pseudo - filosófica de absentismo social cauciona.

O motivo desta indignação moral prende - se aos comentários sobre a intervenção de Pacheco Pereira numa das Conferências promovidas por Serralves sobre o Estado das Coisas e, principalmente, na parte que me interessa a este texto, a intransigência que no pensamento do conferencista se deve ter com a corrupção do pensamento político e dos seus actores - Não se pode ser transigente. Deve - se ser intransigente, porque o problema não é só político, é também moral. 

Pacheco ML ?, pergunta alarvemente a janela indiscreta da Visão, piscando o olho à militância de juventude do historiador.
Eu respondo por ele. Exactamente, Pacheco Muito Lúcido.

sexta-feira, março 07, 2014

INTERPRETEMOS...

                                                                 
                                                                         UCRÂNIA



                                                                       VENEZUELA
                                                         
                                                                         
                                                                           SÍRIA

Quando se fala hoje desses três países onde o povo sai à rua para derrubar os seus dirigentes, as suas democracias são diabolizadas e passam a ser apodados de REGIMES pelas diplomacias ocidentais e pela generalidade dos Media.
O interessante, que até tem piada ou não tem piada nenhuma, é que são esses regimes que, na linha de todas as benzidas democracias permitem as manifestações de rua em protesto mais ou menos veemente pelas mudanças tidas como necessárias.
A singularidade expõe - se quando as benzidas apoiam o povo ( o viver num regime é fundamental... ) no derrube, armado se necessário, dos seus dirigentes democráticamente eleitos, convém não esquecer, e esquecem - se que só as forças armadas que as protegem e eventualmente as apoiam as põe a salvo de manifestações mais musculadas. E que se nas manifestações democráticas as coisas aquecerem as suas reacções não ficarão nada a dever das dos regimes.

E ficam as perguntas...
PORQUE NÃO UM REFERENDO NA CRIMEIA?
A REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DA VENEZUELA, REPRESENTADA PELOS SEUS DIRIGENTES, NÃO TERÁ O DEVER DE SE DEFENDER DE QUEM A QUER SUBVERTER?
OS DIRIGENTES SÍRIOS POSTOS NA SITUAÇÃO DE GUERRA CIVIL DEVERÃO ABANDONAR O PODER, PORQUÊ?

A DEMOCRACIA JÁ TEM DONO?
E QUE RAIO É ESSA COISA DE REGIME? A DEMOCRACIA NÃO É UM REGIME?

NATURALMENTE...


                                                         
                                                                          Q. E. D. 

sábado, março 01, 2014

TWITANDO...

Não, NÃo, NÃO!

" A questão não é a dor mas o amor.Só não quer viver quem não se sente amado " - Gonçalo Portocarrero de Almada.
O esvaziamento dos " tabus " civilizacionais que a longa fermentação dos princípios formadores da nossa identidade que tão diligente e criminosamente a Filosofia pós - iluminismo protagonizou irresponsávelmente na demolição dos valores em troca do livre e, hoje se vê, exercício da banalidade racional sem o contraponto de uma ética humanizada pelo que de melhor a espécie possa produzir na definição do certo e do errado, levou -nos à gestão do culto da Morte na subvalorização da Vida, representada individual ou colectivamente por seres vivos, onde o sapiens tem (teria... ) lugar de destaque.

A Bélgica junta - se, racionalmente, (gestão humanitária da dor, diz ela... ) à eugenia e reforça, com laivos cínicos de compaixão, o número dos países praticantes.
Uma miséria lamentável...

ACORDO ORTOGRÁFICO

Um crime lesa - Pátria e uma das mais estúpidas decisões político - académicas que me foi dado a conhecer.
Uma barbaridade a que corresponde uma particularidade exemplar de ver a Língua ser defendida aonde foi imposta à força.

FAIT DIVERS POLÍTICOS

I'M BACK!

Relvas, o desanimado, recuperou forças e enojado com o período de nojo, cobra o exercício do cargo ao amigo Coelho. A lealdade pela grua que o alcandorou à chefia soberana pesou e para encurtar conversas e amuos, com um secretismo onde prevejo a experiência das andanças pelas secretas do nomeado, eis -nos às voltas com com o doer, que o tempo é de acção.

MARCELO, O entertainer

Não é de hoje a apetência de Marcelo R. de Sousa pelos likes , hoje em voga. 
O Congresso do PSD deu - lhe a oportunidade de devolução auto - imposta de um  ego amarfalhado pelo perfil anti - presidência que o líder do partido traçou, numa caracterização que o próprio assumiu por inteiro.
Os likes entusiasmados a uma intervenção sem substância que teve o condão de rasgar sorrisos à plateia, permitiu - lhe a reconciliação empática com o partido e ... mais importante, consigo próprio.
Foi bom para ele. Para os portugueses que se calhar prefeririam tê - lo como bom comentarista é que não sei se os likes serão tão abrangentes tendo - o como Presidente da República.

PALOPS

A inclusão da Guiné - Equatorial nos Palops fará cair a máscara com que os considerandos, políticos, culturais e outros que só agora (?) estamos a descobrir que levaram à sua criação, salvaguardavam.
Uma imbecilidade que só uma soberania burrocrática será capaz de defender.

CRIMEIA

Não há nenhuma razão substantiva ( para a Nova Ordem são- nas todas..., as saídas dos seus templos... ) que obste à formulação de uma Crimeia livre de referendar o seu futuro perante as opções que os últimos acontecimentos na Ucrânia lhe apresentaram, nem históricas nem políticas; as geo - estratégicas, que não o realismo aconselhado pelo bom senso, não estarão no cerne das preocupações dos habitantes de Crimeia, onde perto de 60% da população é de origem russa.
Só a cretinice política transformará aquela região num inferno para os seus habitantes e por arrasto e contaminação, a própria Ucrânia.

ELEIÇÕES EUROPEIAS

Conhecidos que foram os dois cabeças de lista, Rangel pelo PSD/CDS e Assis pelo PS esperava - se um debate sério e credível sobre a Europa. Acontece que as agendas partidárias, mais realistas parecem querer, pelo que se ouviu dos dois até agora, desvalorizar o que SABEM que é para desvalorizar dentro do protectorado, dada a irrelevância dos contributos programáticos vindos do sem - abrigo às portas do CLUB U.E.
A pré - campanha para as legislativas já começou.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

HERE WE GO...

LIBERDADE, ESSA DANADA...

UCRÂNIA/ CRIMEIA

Qual a razão porque a Ucrânia liberta se recusa a libertar a Crimeia, uma república autónoma que maioritáriamente habitada e falada por russos ( perto de 60% da população ) quer regressar à casa - mãe?
Nada tem de retórico a minha questão.

Essa foi uma das decepções antevistas e os enfrentamentos esperados com a vizinha Rússia quando por aqui se referiu à justeza da luta do povo ucraniano por uma autonomia total nas suas decisões nacionais, enquanto derrubava o Poder democrático que se lhe opunha.
É - me impossível não estar de acordo, agora, com a justeza da população maioritária da república autónoma da Crimeia na assumpção da sua prerrogativa nacional de regressar às origens, enquanto a Ucrânia quer afastar - se delas.

A maneira como isso se fará vai - nos remeter a um processo cínico e hipócrita de representações psico/políticas das linguagens do Poder, no caso o poder actual ucraniano e dos seus aliados ocidentais, perante as democráticas exigências da Crimeia.

Este teatro geo - político patético com que as soberanias actuais insistem em brindar, com consequências quase sempre funestas para os povos, os ingénuos, os conformistas e os pregadores da Nova Ordem, convida - os à expectativa salivante do abrir das cortinas e do click televisivo e não à reflexão/ debate sobre o perigoso desenvolvimento que as suas acções poderão despoletar.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

MÁRIO COLUNA


                                                                   COLUNA ( 1969 )

Mais um ídolo carismático do Glorioso BENFICA que nos deixa...

Fica a memória de um profissional de grande carácter, cujo exemplo de verticalidade aos veteranos e, principalmente aos novatos que então demandavam o Benfica, perdura até hoje.

As minhas homenagens ao Monstro Sagrado e condolências à família e aos amigos chegados...

domingo, fevereiro 23, 2014

UCRÂNIA III

MUDANÇAS

Uma luta democrática espontânea, quase caótica, determinada, consciente dos valores em causa pelos quais valia a pena " dar a vida ", se necessário, marcou, pelos resultados ( não, não houve revolução, ainda, esse conceito que amolece os espíritos temerosos da Europa domesticada de hoje... ) que permitiu alcançar e projectar uma victória significativa de uma nação que se recusa a ser governada contra os seus anseios mais profundos, a ser controlada, mesmo nas suas decepções que um futuro incerto poderá trazer.

As reformas nunca trouxeram mudanças em nenhuma parte do mundo político, houve sempre gestão de continuidades com remendos ad - hoc, para tudo continuar, em substância, na mesma.

Na China, por exemplo, houve uma revolução, uma mudança temporária que não será sinónimo de progresso, que teve a particularidade de ser encabeçada por um Poder autocrático que teve o bom senso de saber ler uma realidade já, então, incontrolável. A assumpção/manutenção das forças armadas enquadradas pelo P.C. chinês permite o controlo virtuoso dos desvios programáticos definidos pela cúpula.
Indubitávelmente uma democracia vigiada como as são todas, desobrigou - se, pela liberdade individual dispensada ao povo, da gestão da miséria e das responsabilidades pessoais que ela, a liberdade, obrigaria e obriga aos seres livres no sentido de fazer, por ser livre, o melhor que lhes fôr possível pela SUA FELICIDADE.
Foi, portanto, uma revolução, pelo abandono, dos dirigentes e dos dirigidos de uma idiossincracia política e psicológica, vencida pela natureza humana.
Os sucessivos golpes que as utopias políticas concernentes ao estabelecimento de um mundo, ou no mínimo de uma nação que servisse de farol ao planeta no sentido efectivo de uma harmonização civilizacional que soubesse gerir a polis de modo que o seu funcionamento não desse origem às obscenas desigualdades originárias da pobreza, exclusão e fome e sem - abrigos não obstam a que as circunstâncias históricas, que não os personagens políticos en passant, moldem e reequilibrem os anseios mais profundos das nações, representados pelo seu povo.
Só a Política tem essa obrigação e só a Política a capacidade de impôr ( todas as leis são imposições... ) democráticamente as condições desse equilíbrio.
Por que não o faz? Por corrupção na sua essência e nos homens que ela promove aos lugares de decisão e... por um criminoso conformismo burocrático que mantém e sustenta o status quo.

Se à natureza selvagem do sapiens se soube controlar uma razão de força pelo esclarecimento em prol da cidade, da nação e do estado, porquê esse SILÊNCIO cúmplice sobre a incompetência e a corrupção política generalizada pelo sequestro da Democracia pelos INVESTIDORES ou capital, se assim o preferirem?
Nada digo que não tenha já sido dito ou pensado; nenhuma solução teórica teve virtuosas resoluções práticas mas o crime, hoje, é que NADA ESTÁ A SER FEITO AGORA PARA MELHORAR OS SUCESSIVOS ERROS NO SISTEMA E NO REGIME QUE NOS GUARDA, NADA!
As crises sistemáticas do capitalismo sempre foram resolvidas com injecção de mais capital pago pelos contribuintes e NUNCA com ideias outras e quando existiram foi para sufragar a não-alternativa.
O que isso senão uma viagem interminável numa rotunda sem escapatória, conceito racionalmente absurdo.

Entre duas compras de soberania representadas pela UE e pela Rússia, a Ucrânia escolheu a Liberdade, primeiro passo para futuros enfrentamentos.
Louve - se a coragem, a maturidade cívica e política e ... o PATRIOTISMO.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

JUÍZO!!!!...


                                                          UCRÂNIA  

Que não apareçam armas de fogo nas mãos dos manifestantes!


 Os exemplos da Síria e da Líbia que tiveram uma escalada dramática com manifestantes em armas acabou em guerra civil que ainda continua nesses dois países.
A resistência, a determinação, a mobilização, o esclarecimento político, a coragem física, serão os atributos necessários no " diálogo " com o Poder que tudo fará para se defender, como seria de esperar.
Nessas situações, há um trabalho subterrâneo dos agentes  provocadores dum e doutro lado da barricada que poderão levar tudo a perder para a violência dos moderados no poder ou nas barricadas.

Objectivemos...

A situação ucraniana, como em todos os confrontos nacionais, pelo menos das franjas mais esclarecidas ou eventualmente mais assertivas e corajosas na defesa dos seus pontos de vista, é complexa e se o que já foi denunciado como uma provocação  do Poder no sentido do extremar de posições pelo aumento da violência reactiva às armas usadas pela barricada ( pedras e coktais molotovs ) provocando respostas armadas, surtir efeito, em breve teremos intempestivas reacções dos USA e dos aliados europeus,  ( de facto, a Política não é para burrocratas..., que não souberam ou não quiseram trazer a Ucrânia ao Club dos ricos com exigências incomportáveis, na linha das que andam a impôr aos países mais débeis da UE ) com esperadas reacções da Rússia que poderão, em resultado de um pedido expresso do Poder actual, enviar forças armadas para a região.
Resultado?
Um longo calvário para os ucranianos e um esboço serôdio de uma guerra fria requentada que a ESTUPIDEZ  vai alimentar por anos.

Que sejam mais inteligentes que os opositores e mesmo com os aliados instrumentais e que resistam a pegar em armas de fogo, porque sairão a perder.

Paciência e determinação, pois!...


quarta-feira, fevereiro 19, 2014

D' A CONSPIRAÇÃO DOS ESTÚPIDOS


                                                             O BURROCRATA

 Uma das razões do meu medo (aspeio, porque nunca temi nada na vida; ludibriei a Pacificadora por duas vezes... e não acredito que escape à terceirae da insistência com que abordo a figura e o carácter do Burrocrata (  funcionário do Poder ou não, é uma configuração mental... ) deveu - se à leitura de Arendt e à sua coragem e honestidade intelectual exercitados no fabuloso relatório sobre o Mal, mal, seria melhor pela mesquinhez e banalidade exorcizante de uma qualquer entidade metafísica e desculpabilizante a sobrepujar os nossos actos, no seu livro - Eichmann em Israel - abordando o julgamento da Liberdade versus Obediência vegetativa.

Como nesse confronto universal a liberdade só faz sentido nesse enfrentamento com as realidades terminais, já que fora dele É burocracia e banalidade existencial e não escolha consciente, faltará sempre nas escolhas racionais ( de sapiens adultos ) uma componente essencial à biologia do humano que a Racionalidade, visto como Razão + Ética, necessáriamente deve distinguir em todas as construcções que a banalidade do raciocínio for capaz. E refiro - me à Ciência, à Política e à Tecnologia e à MORAL.

A relação amorosa de Arendt com o filósofo do Ser e do Indizível, Heidegger, o Burocrata que racionalizou a banalidade da Morte, não como um referente natural mas metafísico - " Se trago a Morte para a minha vida, a reconheço e a encaro de frente, liberto - me da ansiedade da morte e da insignificância da vida e só então serei livre para me tornar eu próprio " in Heidegger e um hipopótamo chegam às portas do Paraíso - de Cathcart & Klein, o filósofo que nas palavras de C. F. Alves in Pluma Caprichosa de 12/10/13, deixou de pensar durante a hecatombe nazi, obriga ao abuso da análise comparativa a - posteriori, dos males do conformismo/ aceitação racional de Arendt levado ao absoluto da crença/aceitação moral de um mal objectivo, ( extermínio ) em nome de um bem ( Ordem ) maior, por parte de Heidegger.
O Bem maior que hoje, na mentalidade burrocrática é definida pela aceitação canina das proclamações dos mercados, sobrepujando realidades nacionais que exigem, exigiriam distintas apreciações à luz da racionalidade política, tem sido o marcador do novo milénio nas democracias ocidentais. 
Difícilmente, sem um travão conceptual que a Esquerda contemporizadora e estupidificada está a provar não possuir, todo o edifício que está a ser construído, com uma pobreza ideológica que nos remete à Biologia tout-court, ao individualismo contumaz e ao pragmatismo utilitário e instrumental , acabará, (o nazismo é um exemplo recente e ainda se pergunta como foi possível...) por arregimentar, por necessidades induzidas, nações inteiras.

A radicalização, racionalmente sem sentido, identificada na subida eleitoral da extrema direita europeia denuncia o vazio ideológico no substracto a- político faceado pela U.E.
 NÃO HÁ IDEIAS, não há pensamento estratégico, há embasbacamento rotineiro e doméstico dominado por tácticas eleitorais de manutenção e alargamento do status actual.
REINA, POIS A BURROCRACIA, é tudo e é grave.

Escolhas? Há sempre...

E socorro - me ainda de Cathcart&Klein - " Malcolm andava a passear quando viu uma rã na sarjeta e apanhou um susto enorme quando, de repente, ouviu a rã dizer - lhe:
- Velhote, se me beijares transformar - me - ei numa linda princesa. Serei tua para sempre e poderemos fazer amor louco e ardente todas as noites.,
Malcolm baixou - se, pôs a rã no bolso e continuou a andar.
- Ó! - disse a rã. - Não deves ter ouvido o que eu disse., Eu disse que se me beijares me transformarei numa linda princesa e poderemos fazer amor louco e ardente todas as noites.
- Eu ouvi -. te bem - replicou Malcolm - mas na minha idade prefiro ter uma rã que fala."

UM DIA FRIO ( 4)...



ACAUTELEMO - NOS, POIS... com o CAUTELAR...,


... essa palavra mil vezes repetida no discurso político actual do governo e das oposições.

 A carga intencional, que de um ou outro lado da barricada carrega interpretações opostas e mesmo diversas, consoante o tratamento que ela tem tido, esconde a malícia contida na sua generalização/manipulação no universo eleitoral.

Ao Poder actual interessa o ruído e o susto induzido, numa perspectiva de marcação desviante da agenda política, enquanto vai fazendo passar nos interstícios da barulheira, leis socialmente criminosas, como as que esvaziam a presença do estado no interior do país com o fecho dos tribunais e com as novas disposições legais de suporte aos despedimentos. O governo  continua a demolição, com uma determinação implacável, enquanto os cães ladram sem morder.

Não há Oposição, sejamos honestos, há um conformismo atroz, uma estúpida e cobarde civilidade com quem precisa e merece um tratamento do mesmo nível de violência. Pelo contrário, encurralada no campo da Retórica narcísica e alarve, a Política, desdenhando e acautelando o confronto com os seus representados ( sê -lo - ão? ) mantém -nos à distância civilizada; a Democracia só deve sair à rua para votar e gemer nas manifestações, pacíficas e vigiadas pela própria matilha, enquanto a caravana assiste do alto a passagem dos arraiais.

A POLÍTICA como acção crítica e censória ao desbragamento do Poder, está a  morrer em toda a parte, num desvirgamento que a própria raça, em paragens como Portugal, acompanha com débeis lamentos, desde que depôs as armas em 1920 e os brandos costumes se tornaram a flor da lapela com que se enxotam maus pensamentos.
No entanto há convicções, há coerências, há civilidade, há marcas genéticas indeléveis, há programas a respeitar, há vinganças por cobrar, porque a Esquerda portuguesa actual, afinal ganha ao mito da Direita mais estúpida da Europa, lembram - se? no que à sua própria estupidez concerne.

Aqui, oh meu Deus tanta prosápia oca e coerências doutrinárias de partir o coco, e na Europa, o velho socialismo acompanhou o comunismo ao enterro e ficou por lá em meditação sobre a morte.
Portugal não tem Esquerda, não tem NADA de ideológicamente sustentável, tem personagens carregadas de manhas e espertas que nem raposas, peritas em navegações em mares revoltos que se vão sucedendo nos lugares de enchimento - Chega, agora é a nossa vez!... -, enquanto o Zé rapa o tacho, se quiser sobreviver, como o fazia antes da República, República essa que percebeu, então, que só há evolução no social.

Hoje, no país mais desigual da Europa, temos uma clique democrática no poder incapaz do entendimento das más leituras que os enformaram, se as houve, e que reduz as Riquezas das Nações ao enfoque primário do que a Natureza nos deu de sobra - o Individualismo.
 A batota está na distribuição das armas, Fisgas contra Canhões, Sem/abrigo contra Ulrich, Ignorância contra Educação, Saúde versus Fome, Privilégio contra Exclusão. É que o Mérito  com que os falsos prestígios enchem a boca e convicções, INSTRUI - SE , nas sociedades que se querem em desenvolvimento; o privilégio altissonante da Inteligência donde se quer acreditar a excepcionalidade deveria, deve provir da Educação, igualitária e não só da falsa liberdade de escolha, ela é que deveria ser a aferidora dos direitos da cidadania e das diferenças que qualquer sociedade exige para existir como tal. 
Enquanto a Esquerda nacional continuar a  exibir, ufana, uns os seus princípios, outros o seu oportunismo, e se recusa a ver o interesse nacional ( saberá, de facto, reconhecê -. lo?... ) a dar a mão snob no sentido de possibilitar uma convergência necessária, nunca mais será vencido o Pragmatismo biológico que a Direita apresenta como um programa, em toda a parte do planeta... e com relativo sucesso, convenhamos..., com IDEIAS, discutidas conciliarmente parágrafo a parágrafo.
Mesmo que nenhum líder político actual de esquerda concite o entusiasmo do eleitorado militante ou simpatizante de esquerda existe sempre uma projecção de revolta, de esperança, que a Esquerda não está a respeitar.
E FAZ MAL, até porque a coerência, também ela, está eivada de estupidezes e SABEM - NO.
Como também já deveriam ter percebido que o CAUTELAR é um balão de pré-campanha eleitoral que a Direita europeia não desdenha alimentar, por razões políticas óbvias e que se esvaziará em tempo oportuno.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

UM DIA FRIO ( 3)...



Uma das consequências da demissão filosófica prende - se ao abastardamento da Democracia, à contaminação dos seus pilares essenciais dos quais a Justiça, apoderada por uma franja selecta das elites nacionais assim como a Política, despojada das suas preocupações éticas, reflectem o travão que a censura democrática, também ela reduzida a folclore picaresco, sofreu como condição à própria existência de uma realidade democratizada.
A Burocracia, essa dama maldita no tempo da antiga URSS esqueceu - se do Planeamento e deixa - se planear do exterior dos estados à medida em que se vai construindo numa monstruosa arquitectura hiper - controladora da Vida dos cidadãos e dos Estados, aliciados numa perda de soberania que esgota qualquer discussão exterior e ulterior aos mandamentos da cabeça do monstro que qual hidra maléfica paralisa a acção e o pensamento sob um soft diktaat neo - fascista.
Antes que leve um elogio fúnebre e terminal sobre a ingenuidade por parte dos novos pregadores da Democracia globalizante, da Nova Ordem, atentemos nos absurdos últimamente saídos dos patriarcas da UE...

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, face à iminência da independência da Escócia, ameaça com a impossibilidade de adesão, como país independente, ou permanência na UE, antecipando e balizando, como se tivesse autonomia para tanto, qualquer discussão que sobre o tema, obrigatóriamente, deverá ter lugar, ameaça já reiterada aos catalães.

A mesma atitude de controlo,( pouco importa aqui a substância iníqua para o caso em apreço... ) se está a construir sobre a Suíça e a sua votação anti - e(i)migrantes - uma imposição federal a um estado independente, exemplarmente exercitado no resgate financeiro sobre as culturas e modo de viver católicos dos países do Sul europeu aos quais se quer impôr com os " custe o que custar " de títeres deslumbrados, a nova religião esclarecida, democráticamente, é claro!

Uma velhota portuguesa, reportada na TV, contava prazenteira a maneira como foi aliviada das suas compras por um simpático gatuno que lhe terá oferecido ajuda para transportar os sacos, o que fez, literalmente, quando os teve na sua posse.
E ria - se com o absurdo cómico do seu engano, como uma criança que, maravilhada, se interroga - Como foi possível? - com os truques de um ilusionista, alegremente feliz pelo engano induzido.
Assim estão os cidadãos europeus mais penalizados pela Nova Ordem, num idílio perverso com o abate de valores que nos formataram.
Assim tem estado o Pensamento Europeu - BURROCRATIZOU - SE e de relativismos a  perspectivas desconstrutivistas, vai traindo os seus propósitos na ausência de Censura às falsas construções que nos vão sendo apresentadas como produto acabado.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

"Dance Me To The End of Love" Leonard Cohen




Em Dia de Namorados, entre " Puta que pariu o Amor " e o realismo coheniano, escolhi a Poesia, a utopia...

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

UM DIA FRIO... (2)


                                                                       A fair puritan                                                                                                                                               ( Percy Moran )                                                                                                                                                                                                                                           A História humana deu - nos a conhecer o resultado das revoluções e as ideias que as antecederam que as enformaram como leitmotiv   para as acções libertadoras que se seguiram.Seria fastidioso trazê - las a este texto...
Hoje pratica - se o conformismo civilizado ancorado na fé, esperança, caridade, temperança, que a nova religiosidade transposta pelos  pregadores da nova Ordem nos exige na aceitação colaboracionista com a infelicidade da vida, com a promessa  de alvoradas radiosas para amanhã.

 Austeridade, essa doutrina perigosa, como já denunciada por Mark Blyth, o braço armado da recomposição do sistema após cada colapso ( empanturramento até ao vómito...) induzido pelo laissez faire sem controlo com que títeres políticos democráticamente eleitos, desavisados ou corrompidos apoiam sem rebuços.

O olhar distante da Filosofia, hoje práticamente varrido das Academias, reduziu - se à História das Ideias Filosóficas e fechou - se em si mesma numa redoma nostálgica de tempos gloriosos. Alguém disse já que não haveria pior crime num pensador que não se sentisse do SEU tempo.
A Filosofia fica - se actualmente na apologia da memória, parou num tempo em que o Tempo se expande, sem pausa para reflexão sobre o que lhe foi matéria de reflexão profunda. E desistiu de questionar..., num território que lhe é, por outro lado,  quase virgem, fascinado e derrotado pela inovação tecnológica com respostas à distância de um clique.

Marx, o último pensador da acção feita Ideia ou Ideia feita acção, como se queira, procurou a conciliação filosófica com um território novo e transformou o mundo. O que seria se tivesse tido os meios que o Pensamento tem hoje ao dispôr? Não aconteceria Stalin e a tensão social transformadora que equilibra, de facto, as nações, não se teria transformado nesse embuste histórico em que a Democracia se está a transformar, capturada e esvaziada, paulatinamente, civilizadamente, com reformas sobre reformas,  num medonho edifício burocrático. 

Não admira, pois, que os puristas, o Club metafísico o tivesse reduzido à categoria de pensador menor, evidentemente numa lógica elitista e separada da Vida e da ralé, onde os altos espíritos normalmente se alojam. Cúmplices, portanto, da situação irónica e desprestigiante onde se encontram hoje, só deram armas aos doers  para os demolir e reduzi - los à insignificância actual.
Tarda o abanão na diletância narcísica de uma narrativa filosófica da qual se exige a responsabilidade assumida pelo Iluminismo.
A fantástica contribuição com que, com altos e baixos, nos trouxe até aqui não pode parar. A História não acabou, é preciso adicionar o espírito à substância. JÁ! 
    
É que as consequências de tão longa letargia já fedem por todos os lados...         

terça-feira, fevereiro 11, 2014

UM DIA FRIO...( I )

                     
                                                       A persistência da memória -. DALI

O que mais me choca no " embasbacamento " actual do Pensamento, da criação filosófica, perante a selvática invasão mediática da Opinião, é o seu conformismo perante a solidificação de falsidades, das quais a sua  imunidade analítica o põe a salvo. E está a viver bem com isso...

O mais extraordinário dessa " dissidência ", que desejo também ela, ser uma falsa opinião, é reflectido pela origem das interrogações que hoje se põem na aventura do humano e das sociedades.
É que as questões que não têm sido postas pela Razão esclarecida e esclarecedora  à História acabada da Democracia liberal, estão a ser levantadas pelo povo.

Fukuyama, o formulador do conceito defendeu - se da interpretação, a seu ver redutora, que foi dada à sua contextualização nitzscheana do homem terminal à luz das perspectivas históricas que a demolição e colapso da doutrinação marxista na antiga União Soviética e malgré lui, da China maoista, permitiu avaliar.
Contudo, a realidade emergente associada à victória da propagação do way of life ocidental parece estar a dar razão, pela dinâmica, aparentemente imparável que a nova Globalização plutocrata carrega, às teses últimas e não expressas pelo pensador americano.

Há resistências, também elas globais, ao fim da História, e os maiores perigos aos portadores das bandeiras liberais, ( urge inventar um outro nome que não ofenda os liberais... ) à nova doutrinação triunfante, crescem dentro do Ocidente.
A implosão acontecerá inevitávelmente ( o calendário histórico contém imprevisibilidades temporais que a memória guardou... ) à medida em que as questões que as bases da pirâmide estão a formular se vão crescendo; por enquanto erráticas e sectoriais para se tornarem conceptualmente enquadradas no estupor caótico que hoje as enfraquece.

Na Natureza, as mudanças prefiguram, real ou metafóricamente, violência. Nas sociedades humanas, a Razão, de émulo inicial do Caos, passa à organização da ordem na reformulação do antigo. E escolhe as reformas na descontinuidade instalada.
Acontece que hoje, a violência é propriedade do Estado que sobre ela legisla, não em defesa própria ( a PAX europeia é um facto ) mas em protecção despudorada do poder; hoje sabe - se quase instintivamente onde ele se situa.
Também acontece que o esclarecimento está a desvendar a sua face embusteira escondida atrás das máscaras filistinas e verve pacificadora.

continuaremos...

domingo, fevereiro 09, 2014

MIRÓ



Mirabolantes peripécias envolvem a discussão sobre a alienação por parte do Estado português dos garatujos, borrões, enfim, activos, representados pelos quadros do pintor catalão Joan Miró a quem der mais.
Se a publicidade à volta do caso se tornou benéfica para o Estado na valorização das obras do pintor, que passou agruras, caso estivesse vivo agradeceria o desvelo da valorização artística dos seus quadros. Claro que a questão não é esta... Adiante...

Passando por cima de uma discussão acabada - para o Governo actual tudo tem um preço - que o comércio despudorado e frio do património nacional, o material, o cultural, o territorial, o espiritual, o intelectual, também esse, os quadros de Miró, ainda por cima estrangeiro, não poderiam escapar à visão mercantilista de, convenhamos, um país falido.
A falência que o montante da dívida contempla, já se disse, acaba por ser um alibi virtuoso fácilmente entendido por esse universo contabilístico formatado em prol desse entendimento.

Da mesma maneira que para uma sociedade ser livre seja preciso uma ordenação jurídica e mental que permita o pleno uso das capacidades racionais num pensamento sem peias de proibição, fácil tem sido a expansão da nova ordem religiosa de adoração ao omnipresente Consumo. A posse do dinheiro e o crédito fazem o resto. Simples...
Toda a gente, TUDO, se torna vendável consoante a moeda de transacção nesse espaço onde o dinheiro contaminou  tudo e sobre tudo exerce o seu domínio e fascinação. Toda a gente sabe disso; nem toda a gente aceita isso, porém...
A questão Miró vale pela carga simbólica, pelo diagnóstico que os sintomas produzidos pelo governo actual, onde nenhum elemento é inocente no seu contributo activo e militante, permitem extrapolar. É nas margens dessas extrapolações, por razões óbvias, que a polémica se instalou e ainda bem.

A mim permitiu - me mais uma visão esclarecedora do país pensante e conhecer mais um pouco quem leio.

E vai um contributo meu para o Governo. 

Os painéis de S. Vicente dariam uma pipa de massa se fossem acrescentados ao lote de Miró.
Porque não?
Aceitam - se controvérsias...

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

D'A HERANÇA SEMI - TRÁGICA DE PLATÃO...

... Como o teorizador primevo da formação do poder do estado que marcou toda a História do Homem e decisivamente a Cultura europeia, aos alertas de Rousseau ao paradoxo que o  desmantelamento pela Ciência pela Razão, do funcionamento das sociedades humanas que ela pretende melhorar, criou, ficou toda a superestrutura elitista do Homem da caverna.

Lembrar Rousseau, quase quatro séculos depois através do Discurso sobre as Artes e os Costumes, assusta pela irrevogabilidade, aparentemente sem remédio, da natureza inamovível do humano no mais íntimo de si e revela a reconstrução metódica que um Iluminismo soez, contrabandeado nos seus propósitos mais virtuosos, tem levado a cabo desde que demoliu o mundo Antigo, sem contrapartidas éticas que humanizassem o Novo Mundo.

Se não, vamos ouvir um pouco do seu discurso perante os sábios da época..., através deste fútil declamador, como ele o diria...

" Os antigos políticos falavam, sem cessar, de costumes e de virtude: os novos só falam de comércio e de dinheiro. Um vos dirá que um homem vale, em tal região, a soma pela qual o venderiam na Argélia; outro, segundo esse cálculo, encontrará países em que um homem nada vale e outros em que vale menos do que nada. Avaliam os homens como rebanhos de gado. Segundo eles, um homem só vale, para o Estado, pelo que consome; assim um sibarita valeria bem trinta lacedemónios.
Adivinhe -se, agora, qual das duas repúblicas, a de Esparta ou a de Síbaris, foi subjugado por um grupo de camponeses e qual delas fez tremer a Ásia.
A monarquia de Ciro foi conquistada com trinta mil homens por um príncipe mais pobre que o menbor dos sátrapas da Pérsia e os Citas, o mais miserável de todos os povos, resistiram aos mais poderosos monarcas do Universo...
.... Que os nossos políticos se dignem suspender seus cálculos para reflectir sobre esses exemplos e que aprendam, por uma vez, que se tem tudo com o dinheiro, excepto Costumes e cidadãos. "

O desvirgamento virtuoso, manhoso diria eu, que esta Democracia do século XXI, apoderada pela Plutocracia tem levado a cabo, com cantos de sereia sobre estabilidade e Paz enquanto a violência civilizada do saque em prol da elite, prossegue, democráticamente, claro, sobre as nações, é o maior embuste que a história humana presenciou.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

UCRÂNIA

EM EBULIÇÃO HISTÓRICA




QUANDO OS POVOS SE LEVANTAM SOB A BANDEIRA DA LIBERDADE, O BOM - SENSO QUE A REALIDADE ESCLARECIDA OBRIGARIA A SOPESAR, NA LINGUAGEM DO PODER, FICA PARA ULTERIORES CONVERSAÇÕES, UMAS VEZES COM RESULTADOS ADVERSOS E PENOSOS COMO TEM ESTADO A ACONTECER NA SÍRIA, POR INTERPOSTOS INTERESSES CORPORATIVOS QUE DESVIRTUARAM A CONFRONTAÇÃO DEMOCRÁTICA ( a violência democrática, como os estados democráticos ensinam, não tem de ser armada... ), OUTRAS, COMO HOJE NA UCRÂNIA, COM A VICTÓRIA À VISTA.

VIVA A UCRÂNIA LIVRE!

O CANDIDATO


                                                               MARINHO PINTO

Revejo - me, pelo que conheço das intervenções do ex - Bastonário, completamente nas bandeiras INDEPENDENTES, sem manhas, do candidato Marinho Pinto às eleições europeias. E, evidentemente, vou votar nele, através do Partido da Terra.
Se não bastassem as posições de cidadania que tem protagonizado, com a coragem exemplar de quem às sinecuras burropolíticas faz caretas, tenho por mim que a campanha que ele irá desenvolver, dando - lhe oportunidade de expressão alargada a uma plateia, por vezes desatenta, será de grande utilidade como contraponto ao, também ele, burrocrático discurso político - partidário em vigor no país.

A apresentação, sem rebuços, das alternativas não só discursivas, como espero, mas também de um plano de acção, caso for eleito, a levar ao Parlamento Europeu desmascarando, em sede própria, a corrupção letárgica que assola a Casa europeia.
Se for eleito, Marinho Pinto será, quero crer, não mais um Yess-man mas sim um contraditor, um desmascarador que nos irá traduzir e trazer até nós o que de facto se passa na casa do Poder europeu.
São esses os meus votos e por essas projecções, vou votar nele.

terça-feira, janeiro 28, 2014

RICOS E POBRES

DO CHOQUE AO BRANQUEAMENTO

Foi publicado um relatório da Oxfam dando conta das disparidades da distribuição das riquezas das nações pelos seus cidadãos, à partida, os seus criadores, por intermediação ou directamente, para ser " discutido " na reunião dos países mais desenvolvidos do planeta no Fórum de Davos.
O relatório diz - nos que 85 multimilionários detêm tantos recursos como a metade mais pobre da população mundial.  CHOCANTE !

" Eu também fiquei chocado, porque o número é de choque " - estremece H.Monteiro no último Expresso e passa adiante no segundo seguinte, camuflando com os SIM...MAS... condescendentes com que os confortáveis nesses estado de coisas justificam as aberrações civilizacionais.
E atira - nos à cara, a nós onde o CHOQUE não deixa espaço para justificações penitenciais de um MAL objectivo e obsceno cuja actividade benfeitora de alguns desses " criadores de riqueza !!!??? " em prol dos pobres, verberando a má - fé desses relatórios - No geral esses relatórios ocultam - nos esses factos -  , chamando a atenção que o mal não está na existência de ricos mas sim dos pobres,  como se fosse uma normalidade aceitável que, por exemplo, o sr. Carlos Slim, cujos rendimentos anuais são suficientes para pagar o salário ANUAL de 440 mil mexicanos tivesse alcançado com o toque de Midas, em lances geniais o que conseguiu se o sistema que lhe permitiu esse desiderato não fosse o que é.

O mal não está, não estaria na existência de ricos e pobres, o mal está NO sistema que permite e milita em prol dessas enormidades factuais, na existência desse sistema de vasos comunicantes de um só sentido.

Não há nenhuma inversão da natureza das coisas com que as compassivas esmolas dos mecenatos tentam branquear o seu carácter essencialmente injusto junto de almas sensíveis como a do sr. Monteiro, com sucesso, pelos vistos, que consiga esconder a irracionalidade e a desumanidade desalmada dos factos.

No meio das demagogias fáceis, às vezes é preciso pensar diferente, é o conselho que a falta de convicções e moralidade instrumental merecem