quinta-feira, março 29, 2012

METASOCIALISMO?

Mário Soares " regojiza - se " com as tremideiras que têm assolado a coligação germânica no poder, a CDU da senhora Merkel, por quem nutre uma declarada antipatia política, e os liberais da FDP.


A minha empatia com o velho leão socialista, que diga - se a verdade, refinou, depois da reforma, os seus pergaminhos socialistas, livre então que se sentiu das necessidades pragmáticas do Poder, é, quanto à burocrática Merkel, total. O colapso do seu governo e da sua liderança na U.E. arrastaria o regresso ao poder, em coligação ou não, dos reformistas da social - democracia alemã e eventualmente, apeado o seu homem de mão em França, o senhor Sarkozy, o regresso dos socialistas franceses ao poder.
Gostou de ouvir num comício de apoio ao sr. Hollande as vozes dos reformistas verberarem o neoliberalismo e a sua política de austeridade dirigida à incipiente classe média do sul da Europa e vê uma janela de esperança abrir - se no espaço europeu.


Acontece que não sou tão optimista. Os reformistas sociais democratas quando estão no poder, a História recente assim o testemunha, só se têm distinguido pela retórica. A realidade onde ameaçam impôr reformas não sofre o mínimo abalo já que, estúpidamente, é aceite como um dado inamovível.


Por volta de 2003, o senhor João Carlos Quaresma Dias, então professor do ISEL, reflectindo sobre as adaptações que o mundo estava a fazer em todas as áreas, perante o advento e soberania do que ele classificava como metacapitalismo, vulgo Globalização, propunha, em face da caracterização e adaptações dos paradigmas do velho Capitalismo à nova realidade que a sua inércia criou, um contrapeso a que ele chamou metasocialismo como " tema obrigatório " para o futuro próximo, das correntes reformistas, acrescento eu.
Olhando para a realidade " ideológica " da corrente socialista, hoje, afigura - se - me que nenhuma reflexão crítica consistente está a preparar as massas para as mudanças numa, já idiossincracia soberana, em quase todas as consciências, iluminadas ou não.
Como diria, recitando Sloterdijk, saber é poder e esse saber hoje está no Poder neoliberal que não só O detém como o surripia aos excluídos desse universo, esvaziando - lhe o seu alcance prático e determinante à boleia do civismo, maturidade, responsabilidade, patriotismo e de uma educação dirigida, exigidos aos governados.


Um metasocialismo, para deixar de ser só uma miragem, um contrapeso alternante, obrigaria ao derrube do capitalismo e da sua face fascista e hiper - burocrática de hoje. COMO!!!?
Mário Soares vê uma janela de esperança na retórica oposicionista europeia.
 Eu continuo a ver mais do mesmo até que aconteça, de facto, uma ruptura na urdidura social implantada, como fim de História, nas consciências individuais e colectivas dos ocidentais e virulentamente exportada pelo planeta.

Sem comentários: