terça-feira, abril 19, 2016

O OVO, O GALO, A GALINHA, O CAPÃO, O BLOCO e o resto...


- De que género é aquilo? pergunta um galo ao outro. Depende, pá...Põe ovos? Não parece uma galinha mas também não é como nós. Deve ser um capão. ou está à espera de fazer dezasseis anos para decidir se o fará ou não. Disparate, disparou o primeiro. Pôr ovos ou não não define , hoje, o que aquilo quer ser. Agora é - se it e dentro disso cabem eles, elas e uma fornada de alternativos à la carte. Quem quer chocar, choca... quem quer galar, gala e quem quer chocar às segundas, quartas e sextas e galar às terças, quintas e sábados e deixar os domingos para mamar tem o menu completo e a felicidade total. O que vale é fugir à classificação troglodita do antigamente.
- Agora confundiste - me de vez. Queres dizer - me que já não nos classificamos em galos e galinhas? Bem, vamos lá perguntar àquilo de que sexo é. Pode ser que nos elucide, a mim pelo menos.

- Olha lá, pá... Tu és o quê, afinal? Não és galo, não pareces ser uma galinha... És uma espécie nova?
- Percebo a tua confusão. Acontece que sou um género diferente, apesar de também ser um galináceo, percebes? Não galo e nem choco, não me agacho nem galo. Sou um capão.
- Então, não pões ovos e não galas!!!??? - Não, isso são - me funções que morrerei sem exercitar porque, sabes, a minha imaginação não é muita e o meu tempo de vida curto. Uma lástima! Nem me posso dar ao luxo de escolher entre tantos ou, ou, ou, ou, ou, de que os humanos parecem ser capazes. Sabes o que acho? Penso que estão todos em vias de ser capões e ainda não se deram conta disso. Ao menos entre nós, sem ofensa, ainda brilham as vossas penas orgulhosas e as galinhas não são disfuncionais, por lá brilha o orgulho capão, perdão, gay. O macho é um ser anómalo e as suas companheiras seres confusas que ainda não se libertaram do seu atavismo, da sua armarianização educativa.

- Isto tudo é infernal, bufou o seu interlocutor. E como é que pensam resolver essas naturalidades junto dos trânsfugas?
- Segundo ouvi, pela desarticulação gramatical. Não haverá géneros no futuro mas sim uma  transcendência em processo para a demolição dos calamatches.
- E eles estão a aceitar este tipo de dessexualização genérica? E não bastava aos alternativos serem o que são ser chatear o pagode?
- Olha que não sei... Se calhar, as alternâncias estão a revelar - se uma seca e um fiasco. Uma neura, vá - se lá saber...

Sem comentários: