domingo, setembro 11, 2005

KATRINA III

Está tudo dito? Não o creio. A vassourada impiedosa da Dona Katrina pôs a nú, pela sua energia física e mediática impossível de esconder, uma realidade americana que os "informados" já sabiam, como o diz H. Monteiro, mas que NUNCA denunciaram, NUNCA criticaram, NUNCA trouxeram ao conhecimento dos ignorantes, pelo menos da maneira tão transparente como Katrina o fez.

Também passa por aì a hipocrisia dos que verberam os criticos do Império, escondendo o conhecimento das implicações naturais que uma sociedade como a americana acaba sempre por gerar: um fosso colossal entre os ricos e os pobres, que por acaso são negros.
Mas atenção, que nesse fosso também cabem os brancos,que nestas coisas "as leis do mercado" a cor da pele é um acidente que não destrói a regra, pelo menos nos States.

O que está em causa não é a comparação das tragédias, quase sempre conotadas com o terceiro-mundo, mas a redescoberta do terceiro-mundo na Nação mais rica e poderosa do mundo e a talhe de foice o branqueamento insidioso que os fundamentalistas pró-USA têm levado a cabo nas últimas décadas, quer por parte dos pró-democratas ou pró-republicanos.

Quando um Estado se demite de cuidar dos seus cidadãos, (AH!... mas há a liberdade... e a possibilidade de alguns negros ricos (ALELUIA) atingirem um alto posto de Administração) a pergunta que se impõe é cristalina: para que serve esse Estado? A quem serve esta Estado? Quem se serve deste Estado?

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